garota sábia

setembro, uma semana e um dia depois

Julie tinha olhos. Logo dois. E uma memória horrorosa. E uma intuição maravilhosa. E ela simplesmente sabia quando Luke escondia algo dela, algo que achava importava. E, mais fácil ainda, ela sabia quando Luke estava brigado com Calum e Calum ignorava a situação.

Era óbvio.

Bem, talvez não para todos, mas era óbvio para si.

Na maneira como eles não se sentavam um ao lado do outro, como... Julie não sabia explicar. Sempre que eles brigavam, eles agiam como se não tivessem, e Julie sabia, existia algo na áurea deles que não combinavam, que se chocavam, e ela apenas sabia.

O fato de Luke não ter falado muito quando chegou e Ashton ainda estava ali era uma boa pista.

Outra igualmente boa era como Calum não disse nada quando ela puxou Ashton para cozinha. (Julie sabia que ele estava na aposta também, todos estavam menos Luke. E Ashton.)

—Como você sabe? — sussurrou Ash, apenas os olhos acima do balcão.

—Porque eu tenho olhos, idiota — respondeu Julie.

—Hummm. — Ele franziu a testa para ela, inclinando a cabeça para o lado. — Você tem certeza? Às vezes eu duvido disso.

—Acredite em mim. Algo aconteceu.

—Hummm — murmurou. — Tanto faz. — Ashton levantou-se. — Levante-se também, Julie. O que te disse sobre deixar Luke em paz?

—Não sei. — Ela piscou os olhos inocentes. — Normalmente o que você diz entra por um ouvido e sai pelo outro. Eu não processo, apenas descarto.

—Ok, recicladora, vamos resolver isso. Vocês estão brigado? — questionou Ashton em voz alta.

—É, Ashton. — Julie revirou os olhos, desistindo do seu esconderijo. Ele já estava estragado mesmo. — Seja sutil. Muito bem. Mais delicado impossível.

—Você fala de quem? — retrucou ele.

—O que? — balbuciaram os dois.

—Julie disse que vocês brigaram. E aí?

—Não! — respondeu Calum, um pouco horrorizado.

—Sim — discordou Luke. — Ou vai dizer que não percebeu isso também?

—Você ainda está irritado? — perguntou Calum, surpreso.

—Não. — Luke rangeu os dentes. — Estou envergonhado.

—Por que? Nós não fizemos nada demais.

—Você pode ser um devasso, Calum, mas eu sou um garoto de família e... — Luke cruzou os braços, afundando no sofá. — Eu não estou falando com você.

—Estamos saindo, Julie — anunciou Ashton, enlaçando o braço ao dela e puxando-a.

—O que? Não! — Ela plantou os pés no chão recusando-se a dar mais um passo. — Eu quero ouvir o resto.

—Adivinhe — cantarolou ele, jogando-a por cima do ombro. Se não acreditava em Julie antes, se não acreditou em Luke alguns minutos antes, agora Ash acreditava, porque seu cunhado não se opôs a tirar Julie daquele jeito. — Eu sei da aposta — confessou, tentando distraí-la.

—Você o que? — cuspiu Julie.

—E estamos saindo.

—Não, não, não, não...

—Eu divido o dinheiro com você — interrompeu Ashton, colocando-a no chão, em frente a porta, deixando-a escolher se iria ou não sair.

Julie parou. Refletiu. Aceitou. Era um bom acordo.

—Tudo bem. Se você não for para barraca de beijo.

—Oh. — Sorriu Ashton. — Essa é minha namorada com ciúmes?

—Não, essa é a sua namorada que não quer ser traída.

—É para caridade! — exclamou ele, falsamente ofendido. — Você não quer...

—Ash, por favor, ajudar a comprar mini saias e pompons não é caridade.

—Se você não pensasse sempre o pior dos outros e procurasse saber para o que realmente é, você saberia que é realmente caridade. O dinheiro arrecadado vai ser para comprar roupas de inverno para crianças órfãs.

—Oh — disse Julie, para dizer algo. Tudo que Ash falou era verdade. Provavelmente. — Tudo bem. Eu não vou me sentir traída se você beijar outras garotas então. Mesmo se tiver mais do lábios envolvidos. É para caridade — repetiu ela.

—Eu não vou beijar ninguém. Nem de língua — disse Ashton. E sorriu, provocando-a: — Depois que eu vi a garota que eu gosto empurrando os lábios agressiva contra meu amigo, um cara que é praticamente irmão dela, eu reformulei minha opinião sobre beijo. E os meus lábios e os daquelas garotas não vão nem se encontrar.

—Você beijou Julie? — falou Luke, surpreso, horrorizado, enojado.

Oh, céus, como Calum podia ter beijado Julie? Luke conseguia ver (lá longe) porque Ashton gostava dela, mas ele ainda ficava enjoado de imaginá-los se beijando. E Calum tinha beijado-a? Calum? Seu namo... Oh, espere, eles não eram.

Luke ficou irritado.

Como ele podia ter beijado sua irmã?

Sua doce e inocente e adorável irmã?

Julie, aquele doce de pessoa, que era irmã dele como era de Luke?

—Oh. — Ashton percebeu o que disse. — Talvez eu não devesse ter dito isso?

—Nós trocamos saliva indiretamente no mesmo dia, Luke — disse Julie sabiamente. Luke abriu a boca, mesmo que não fosse falar, não conseguisse, porque não podia mantê-la fechada. — Eu espero que Calum tenha sido mais ativo com você, porque comigo foi... — Ashton puxou-a para fora e fechou a porta. Julie nem percebeu. — Urg. — Ela fechou os olhos com o calafrio que teve.

—É bom saber disso — comentou Ashton, calmamente, entrelaçando a mão a dela.

—Você foi o melhor beijo até agora — apontou Julie.

—Obrigado.

—Entre você e Calum — continuou ela.

—Eu não precisava saber disso — disse Ashton.

Julie sorriu com um encolher de ombros.

—O que precisamos e temos não é a mesma coisa.

—Você poderia fazer com que fosse — retrucou Ash.

—É. — Julie não negou. — Mas não vou. Você acha que eles vão ficar bem? — questionou ela.

—Uma sábia garota me disse uma vez que amizades são construídas por brigas.

—Ela é uma idiota — declarou Julie. — Eu não daria muito ouvido a ela não.

—Até agora ela estava certa.

—O que mais ela disse?

—Que me ama — provocou ele.

—Idiota — repetiu Julie.

—Mas ainda certa — observou Ashton.

Julie sorriu.

—Vamos. — Ela o puxou. — O idiota que deu ouvidos a ela prometeu um encontro pago por ele.

—Ele é realmente um idiota — concordou Ashton. — E não se lembra disso.

—Mas a sábia garota estar sempre certa — relembrou Julie.

Ashton riu, virando-se para beijá-la, porque não conseguia se imaginar não a beijando depois de tudo isso — sinceramente, Ash não conseguia se imaginar não a beijando independente de qualquer coisa.

—Está tudo bem — disse ele, traçando os lábios sorridentes dela com os seus dedos. — Eles vão fazer as pazes.

—E terão um relacionamento mais forte — concordou ela, passando os braços ao redor do pescoço dele e o puxando-o para um beijo. — A garota sábia realmente te ama.