Pedaços Transformados
289 E se eu...
e se eu...
outubro, duas semanas depois e dois dias
Luke respirou em fim sozinho, preso dentro do seu quarto, encostando-se na porta e sentindo todo o seu corpo queimando, vivo.
Vivo, vivo, vivo.
—Sozinho? — inspirou Calum, acompanhando-o.
—Você? — retrucou Luke.
—Sim — exalou ele. — Você acredita nisso?
—Não.
—Você disse a Liz? — questionou Calum, não esquecendo o que ouviu.
—Ela adivinhou — respondeu Luke.
—Ah, sim, claro. Liz e suas adivinhações certeiras — lembrou Calum. — Então, hum, acho que isso significa que nós não vamos sair? — murmurou.
—E se eu te chamar para sair? — perguntou Luke, num ataque de coragem e impertinência e tudo aquilo que não tinha.
—Eu já vou sair. — Luke podia ouvi-lo sorrindo e seus lábios acompanharam, grato por aquela resposta e por estar sozinho junto e por ninguém está vendo-o ali, daquele jeito. — Julie já me marcou um encontro.
—É? — Luke mordeu o lábio,impedindo-se de parecer um lunático, porque bastava sua irmã. E, aparentemente, sua mãe. — Que cara de sorte.
—Eu o chamo de idiota no meu tempo livre -comentou Calum. — Você o conhece — zombou. — Se você chegar antes dele, talvez eu o troque por você.
Luke riu, sentindo a emoção e a felicidade e seu coração batendo alto, até que tudo que ouvia era a respiração suave e compassada de Calum, de alguma forma no mesmo ritmo que a sua.
—Luke? — chamou Calum.
—O que?
—Você quer sair comigo? Num encontro? Não porque Julie nos marcou — explicou — mas porque estou te pedindo.
Luke sorriu.
—Sim. Eu adoraria.
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