Pedaços Transformados
301 E P Í L O G O
Epilogo
Três crianças que não eram mais crianças.
Três amigos quase irmãos que descobriram forças que não sabiam que tinham e hoje eram fortes.
Eles não estavam inteiros, mas também não precisavam de conserto.
Dois meninos e uma menina que não se importavam com a desigualdade.
Dois meninos que estavam apaixonados e uma garota que estava de vela.
Eles se amavam e era tudo o que se precisava.
Calum só conseguia pensar no quanto as coisas pareciam iguais a antigamente, mas estavam diferentes. Ele estava entre Julie e Luke, como antes, só que agora ele sentia que isso era certo. Aquele era o seu lugar, no meio daquelas duas pessoas que eram as mais importantes da sua vida, segurando as mãos de Julie e Luke.
Ele nunca imaginária que isso estaria acontecendo de novo, mas estava.
E a situação era igual.
E era diferente.
Ele estava com uma roupa colorida, seus amigos também, e sua irmã também estaria, se não amasse preto. E estivesse enterrada. Ela amaria humor negro da situação.
—Sempre se podia contar com ela para ver os lados bons das coisas, mesmo quando eles não existiam. Essa era Malia Hood. Sempre fascinante, e surpreendente, e sorridente, e, e, e...
Calum não conseguiu continuar. Sua voz tinha travado, embolada pelas lágrimas que não caiam dos seus olhos, embora
—Não pare — pediu Luke, apertando sua mão. — Não pare o seu monólogo
—Eu não estou...
—Sim — concordou Julie, levantando a cabeça para o céu e sorrindo. — Está fazendo sol.
Como se esperasse o comando, a chuva parou e os primeiros raios de sol puderam ser vistos. Calum nem tinha percebido que o tempo tinha aberto até sentir o próprio rosto quente. Talvez fosse pelo sol, talvez pelas bochechas que queimavam intensamente, tímido quanto ao fato de tantas coisas estarem diferentes de antes, tímido em relação ao que sua irmã pensaria se o visse de mãos dadas com um garoto.
Ela continuaria amando-o, Calum sabia, não faria diferença por quem estivesse apaixonado, ela ainda o amaria. Viva ou morta, Malia o amava e ele a ela.
Seu coração batia descontrolado, feliz quanto ao fato de ter um coração, de não tê-lo perdido apesar de tudo que lhe aconteceu, que ele ainda tinha capacidade de amar.
E de ser amado.
Mas isso não significava que seu coração estava inteiro. Calum não conseguia imaginar um momento que estaria inteiro novamente, porque ele sabia que não era possível. O que era perdido não podia ser recuperado. Seu coração não estava perfeito agora e nunca estaria, e ele estava bem com isso.
Ele não se sentia triste.
Ele perdeu Malia, todos perderam, não somente ele, mas ele não estava sozinho. E nunca estaria. Ele tinha seus amigos com ele, amigos novos, amigos velhos e um amigo que era muito mais que isso. E ele tinha Malia. Ele sempre a teve.
—Acho que finalmente entendi o que você me disse uma vez, Malia — disse ele para a irmã, sorrindo com a lembrança. — Embora com você nunca pode ter certeza. Do pó nascemos e ao pó voltaremos, você disse. E disse o quanto isso era fascinante, embora eu prestasse mais atenção a você, no quão fascinante você era, do que nas suas palavras. Você disse que ninguém nunca está realmente morto e como nada desaparece, apenas se transforma... E isso era fascinante. Como uma criança de sete anos sabia tudo isso? Mas você sempre foi assim. E você falou sobre nunca está só, sobre ter sempre as pessoas que amam em você... Eu não entendi, mas agora eu entendo... E e eu te amo.
Malia estava na flor, na borboleta, nele... E ele a amava. E ela a ele. E era o que importava e nada mudaria isso. Eles continuavam juntos. E sempre estariam. Eles eram pedaços que se complementavam e sempre seriam; ela estava morta e algum dia eles estariam juntos; ele era um pedaço do que já foi, mas...
Calum era aquele pedaço.
Ele se orgulhava de ser aquele pedaço, de ter se transformando em quem era hoje.
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