dia preferido

outubro, duas semanas e um dia

—Que história é essa que você vai para a Kora? – chiou Luke. – Você só não está fazendo isso porque a mamãe disse que amanhã vai ser o dia da família certo? Você sempre arruma uma desculpa para não estar presente.

—Não. Sim. Também – respondeu Calum. – Não apenas por isso. Não é apenas isso. É só que... eu acho que eu e minha mãe precisamos disso, de um desses momentos também.

Luke não discordava. Um momentos desses era algo que... ele amava. Completamente. Era ele e suas duas garotas, as duas garotas que mais amava no mundo, suas duas garotas comportando-se, Julie sendo amável com Liz e Liz presente.

Era o seu dia preferido. Ou todos esses dias faziam parte de um pacote que Luke considerava especial, indispensável para a sua vida, e importante como tantos outros dias, que o faziam sorrir quando precisava e lutar quando era preciso.

E, só que faltava, para se sentir completo e amado, era Calum.

Calum nunca estava, a menos que Liz deixasse para contar de última hora ou que eles o prendessem na cadeira e o obrigassem a ficar. (Foi só uma vez e, embora sua mãe tenha amado aquele dia, ela os fez prometer a não fazer isso de novo. Era escolha dele e ele sabia que era bem vindo, se Calum não queria ficar, eles teriam que aceitar.)

—E tinha que ser justamente amanhã, não é? – disse Luke, desconfiado.

Calum deu de ombros.

—Amanhã é um bom dia como qualquer outro – lembrou.

—Qualquer outro dia seria um ótimo dia – murmurou Luke.

—Acho que amanhã será melhor ainda – desejou Calum.

—Hunf – bufou Luke.

—Prestem atenção! – ordenou Julie, jogando a garrafa de água neles.

—Nós estamos...

—Eu sei muito bem – interrompeu sua irmã – em quem você estava prestando atenção. E agora – falou ela para seu respeitável publico – Luke Hemmings será leiloado.