Pedaços Transformados
38 Às vezes
às vezes
CALUM, 11 ANOS.
Um ano.
Calum ainda não conseguia acreditar — fazia um ano que sua irmã havia morrido e ele vivia sem ela; fazia um ano que estava se afundando mais e mais na tristeza, levando todos consigo.
Às vezes Calum acordava e pensava "é hoje", mas não era. Não era hoje que ele se sentia com vontade de sair de casa, de sentir o som, o vento, a natureza ao seu redor.
Às vezes Calum acordava e girava para o lado, cobrindo a cabeça com o lençol e escondendo tudo que não queria ver, como o lado quase que imaculado da sua irmã.
Às vezes Calum queria chorar até dormir e em outras sorrir até sentir que seus lábios congelaram naquela posição, querendo que aquele fosse o dia que iria sorrir verdadeiramente.
Às vezes Calum pensava que conseguiria.
Para descobrir que não.
Hoje era um dia que Calum acordou e não pensou em nada, nada a não ser Malia, porque hoje fazia um ano e Calum não podia acreditar.
Um ano.
Um ano que sua irmã morreu.
Um ano que ele não viveu.
Um ano.
Fazia tanto tempo assim? Calum sentia como se fosse ontem e não... e não há um ano.
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