Pedaço de Céu
4 Meu Erro
Notas iniciais
Mais um dia de folga, é pra me deixar louca né? Como vou passar minha tarde?! Sem trabalhos eu fico desnorteada, viciada, pois é... Essa dose de estresse se fez necessária na minha vida e antes que eu percebesse, essencial.
Indo mais afundo em meus pensamentos, em meu coração, a verdade era que o vício nem era de querer estar caçando constantemente, mas sim estar ao seu lado, todos os dias, ouvindo sua melódica voz, tentando não me deixar levar pelos desejos carnais. Era esse o verdadeiro entorpecente da minha vida. Ezra.
— Ei, preciso de um conselho. —uma voz me tirou de meus devaneios — Tem um minuto? — quando levantei meu olhar, não tinha que como dizer que não, eu sempre teria um tempo pra ele.
— Diga. — respondi normalmente, lembrando de nunca criar expectativas daquele Dom Juan.
— Aqui não dá. Vamos para um lugar mais calmo. — ele suplicou, havia certo desespero dentro de seus olhos. O que será que aconteceu?
— Ok. — ele me levou para uma cafeteria. Saímos de uma praça, para irmos a um lugar “mais calmo” e vamos a um lugar com mais gente. Belo raciocínio, bestão... Aliás, como ele me encontrou naquele lugar? — Esse é seu lugar “mais calmo”? —provoquei com incredulidade em minha voz.
— É. Numa cafeteria, as pessoas não têm conversas sérias. — agora entendi, aposto que o sério dele nem é tão sério assim... Ele é muito dramático.
— Então, o que aconteceu? — já estava ficando curiosa, certeza que nem é tão sério assim.
— Bom, Aeryn... É que tem uma garota e... — falei que nem era tão sério assim?
— É aquela novata? — perguntei, enfatizando um tom de desgosto em “aquela”, francamente, não gostava dela...
— “Aquela”? Não fale assim dela! — hum, acho que alguém ficou indignado.
— Mas eu não disse nada, Ezra. Só me referi a ela usando a palavra “aquela”. — justifiquei-me, eu não menti, mas realmente não vou com a cara dela. Uma mulher sabe quando a outra não presta e essa aí, não prestava.
— Ela é tão doce, tão linda, tão inteligente e... — não aguentei, tive que bufar e ele riu de mim — Está com ciúmes, por eu não dizer isso de você? — provocou-me, com a fala e apertando meu nariz. Claro que eu neguei, mas sabia que bem lá no fundo, era verdade. Eu queria que ele dissesse que eu sou linda, doce e inteligente...
— Quer minha opinião? — perguntei por fim, ele disse que sim. Eu não aguentaria por mais muito tempo ficar falando daquela nojentinha — Compre flores, orquídeas, escreva um cartão e convide-a para um jantar romântico. Ah, não se esqueça de tomar cuidado. Não é você que está brincando dessa vez, você é o brinquedo. Cuide-se, Ezra. — terminei minha fala e saí da cafeteria, corri imediatamente para minha casa. Já sabia o que eu faria em minha folga.
Algumas horas se passaram quando ouvi meu telefone tocar. Era ele. Meu coração palpitou, bateu mais forte e desejei que a novata o tivesse rejeitado. Doce ingenuidade a minha, quem rejeitaria Ezra? Ele estava todo animado do outro lado da linha, agradecendo-me pelos conselhos. É, campeão, você conseguiu... Ezra, seu babaca. Não, eu era a babaca na história. Devia ter deixado o maldito do meu orgulho de lado e feito alguma coisa, tomado alguma atitude... Como sou burra.
E meu erro foi crer que estar ao seu lado, bastaria
Ah, meu Deus, era tudo o que eu queria
...
Eu dizia o seu nome
Não me abandone, jamais
Você me abandonou e eu chorei o resto da tarde, não tinha nada para fazer mesmo...
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