Notas iniciais
Olá!Okay, eu sei que tenho outra fic pra atualizar, maaaas esse desafio é irresistível!Sem mais delongas, boa leitura :D

Clap along if you feel like

(Bata palmas junto se sente que)

That’s what you wanna do...

(é isso que quer fazer…)

Happy

Muitos não se sentiriam como eu agora, nesse momento; assim como muitos não fariam o mesmo que eu farei, isso, porque eles não amam. Estar preso nesse calabouço escuro e úmido nem é tão ruim assim. Não estou apavorado, nem desesperado, estou em paz? Deveria estar, eu me decidi, é isso que quero fazer e, por isso estou feliz.

Cansei de vê-la lutando sozinha, sofrendo em silêncio. Somos parceiros, somos uma equipe, somos amigos, somos amantes? Pelo menos da minha parte. A porta da minha prisão foi aberta com um rangido estridente.

— Ezra, Ezra, Ezra... — ecoou uma voz suave, com um toque de maldade — Humano tolo.

— Tolice é não realizar o que quer fazer. — respondi com simplicidade, sem grosseria alguma em minha voz. Não tinha o porquê de fazer isso.

— E o que você quer fazer? — questionou ela, num sussurro, bem perto de meu ouvido. Propositalmente, numa área mais sensível, em que o arrepio de minha pele seria inevitável. Só mais um de seus joguinhos.

— Ambos sabemos o que faço aqui, Melinda Blake. Ambos sabemos por que me prende aqui.

— Pelo simples fato da diversão que me proporciona humilhar um caçador que precisa da minha ajuda. Mantê-lo preso, mesmo estando aqui por vontade própria. — a voz daquela mulher soava cada vez mais sádica, divertindo-se enquanto pisava em minha dignidade. Vadia — Enfim, já está quase tudo preparado. Não terá volta, não se arrependa.

Não me arrependeria, passei noites em claro decidindo se faria isso ou não. Descobrir uma possibilidade de trazer seus pais de volta, ou pelo menos um deles, foi incrível. Apesar de precisar de um chupador de sangue pra isso, vampiros têm esse poder de tirar a vitalidade de seres vivos e fazer o que quiserem.

Rendi-me a essa possibilidade, já disse que não quero mais vê-la sofrendo a solidão. Entristece-me o fato de que nem minha companhia a faria se sentir menos vazia, então o que me restou foi essa proposta. Estudando na biblioteca da Associação, descobri que nossos ancestrais ressuscitavam mortos por meio de vampiros. Claro que tudo tem um preço, sangue.

Continuei estudando, procurando contatos nos dados da ACCF (Associação de Caçadores de Criaturas Fantásticas) que pudessem realizar o ritual. Em meio todo esse estresse e ansiedade, descobri que quem poderia fazer isso deveria ter uma relação com quem quisesse reviver. Não tive dúvidas, devia procurar Melinda Blake, a sanguessuga que destruiu a vida dos pais dela.

Foi realmente difícil encontra-la. Em sua ficha, não há localização. Essa vampira soube como esconder seu rastro, não sei como, mas depois de dois meses a encontrei. Então não foi difícil convence-la. Sendo de uma natureza monstruosa e, necessitando de alimento, recusar seria burrice.

— Desça, Sir Rockenbach. — chamou um criado dela. Obedeci, que mais faria eu? Havia muitas escadas até chegar à sala do ritual. Quando entrei, espantei-me internamente por ser um cômodo elegante, com móveis de veludo e uma Melinda vestida com mais elegância que o comum. Ou melhor, trajava-se com roupas mais provocadoras.

— Venha, Ezra Rockenbach. — ordenou-me. Seu criado não estava mais lá. Aproximei-me dela e me sentei em uma espécie de divã, que estava no centro da sala. A aproximadamente dois metros de distância, estava um saco grande, de pano. Provavelmente o corpo a ser ressuscitado. Com um estalar de dedos, as luzes se apagaram e velas se acenderam, com outro, uma música calma começou a tocar.

— Está brincando comigo? — provoquei. Não vim ser um brinquedo.

— Me divertindo antes de tirar sua vida, caçador. — não percebi como estava tão perto de mim, era realmente veloz. Sentou-se no meu colo, de frente para mim e continuou falando, enquanto roçava seus lábios em minha pele — Escolheu um caminho sem volta, matador de vampiros.

— De criaturas fantásticas. — corrijo-a. Francamente, ela vai mesmo tentar me seduzir?

— Posso ler sua mente e, a resposta? Não tentarei, conseguirei. — sussurrou em meus ouvidos, sua voz estava rouca, seu corpo cada vez mais próximo do meu. A música ficando tenebrosamente sensual. Seus dedos frios, acariciando meus cabelos, minha face; e então, pousando sobre meu peito.

Melinda não pronunciava mais nenhuma palavra, às vezes suspirava e então chegava bem perto do meu pescoço e inspirava profundamente. Era como se estivesse se embriagando com meu perfume.

— Fazia tempo que não tocava em um homem como você, caçador. — murmurou, já não parecia mais sóbria. Estava desabotoando minha camisa? — Por que se esconde debaixo de tantos panos?

— Para estar seguro de mulheres como você.

— Acho que não deu certo. Você é minha presa. — provocando cada vez mais. Pegou em minha mão e levou a sua boca, beijando-a e então a perfurou — Lindo. Por dentro e por fora. — e provou meu sangue — Maravilhoso. — como são loucos esses monstros.

Ela olhava fixamente para meus olhos. Sem piscar, sem mover seu olhar, tocou meu pescoço com aqueles dedos finos e gélidos. Acariciava-o, como se estivesse analisando onde me morder. Chovia muito forte lá fora, trovejava. Então senti sua língua quente em minha pele, agora gelada. Fechei meus olhos, Melinda abriu sua boca, abriu tanto, que já imaginava a dor que viria com o impacto de suas presas. Três, dois, um e... Nada?

Aquela mulher não estava mais sobre mim, estava caída no outro lado da sala. Vociferando palavras indecifráveis.

— Maldita! — gritou com ódio extremo. Só então levantei meu olhar e me voltei a porta. Lá estava ela, forte e imponente como sempre. Com sua arma nas mãos, atirou mais uma vez na monstruosidade — Guerrier.

— Ezra, idiota! — ela gritou pra mim. Eu deveria sentir medo daquele seu olhar, mas estava feliz — O que pensa que está fazendo, covarde?! — um momento, ela me chamou de covarde?

— Não sou covarde, Aeryn. Estou aqui, pois queria que parasse de se sentir sozinha! Estou aqui por você! — retruquei com todas as minhas forças. Como ela podia falar assim comigo?

— Meus pais morreram. Eles não voltarão. — ela baixou o tom, mas continuou firme. Melinda estava jogada naquele canto, sofrendo os efeitos do tiro, paralisia, dor — Você não estudou direito, babaca. Você ressuscita um corpo, não uma alma. — e então eu fiquei pasmo — ENTÃO NÃO ME DEIXE SOZINHA, EZRA, SEU IRRITANTE!

Ouvir isso me deixou ainda mais feliz.

Clap along if you know

(Bata palmas juntos se você sabe)

What happiness is to you!

(O que a felicidade é para você!)

Felicidade é estar ao seu lado.

Notas finais
E a?Bom, eu tenho uma mania de fazer as coisas ficarem meio tristes, sei l, mas espero que tenham gostado!Super beijos!!!