Peculiaridades

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Notas iniciais
Esse primeiro capítulo é um conto que escrevi para um concurso de Contos da Livrarias Curitiba no ano passado, no qual fui premiada. Fiquei com a história na cabeça e resolvi continuar. Espero que gostem. Boa leitura! :)

A garota estava atrás do balcão, deslizando o dedo indicador na madeira brilhante. O cheiro do chá de jasmim estava chegando até ela, mas uma grande prateleira cheia de livros desorganizados estava do outro lado da pequena loja, esperando por uma inspeção. Ela suspirou e olhou para a porta de vidro com um sino, e observou o dia cinzento que se arrastava do lado de fora. Finalmente decidiu que precisava terminar aquilo de uma vez ou então chegaria tarde em casa.

Saiu do lugar onde estivera antes e caminhou sem muita vontade até a prateleira com uma fina mão de tinta branca descascada, passou os olhos pela bagunça e sem pensar muito começou a tirar os livros e depositá-los em uma mesa de canto. Olívia estava tentando organizar os livros de acordo com o tamanho e cores aproximadas, enquanto cantarolava uma música chiclete qualquer.

Seu estômago roncou quando ela sentiu o cheiro da torta de maçã impregnando o local. A garota estava completando duas semanas trabalhando na pequena e peculiar loja de quinquilharias localizada na parte velha do centro da cidade e estava se acostumando com a rotina que ia desde atender clientes em busca de alguma miudeza ou bugiganga até organizar e tirar pó das prateleiras.

Ela não sabia exatamente porque tinha aceitado o emprego. Não estava em busca de um quando passou pela porta de vidro naquela manhã estranhamente ensolarada em pleno outono. Na verdade ela sempre tivera vontade de entrar naquele lugar e gastar horas analisando cada objeto singular que ali se encontrava. Em menos de dez minutos ela estava sendo persuadida por Adelaide e aceitando a vaga.

Adelaide era ótima em convencer as pessoas. Ela era uma figura interessante: uma senhora com os cabelos tingidos de um marrom chocolate e grandes olhos verdes que eram tão vivos quanto suas roupas coloridas e cintilantes.E era ela que estava preparando a infusão de jasmim e a torta de maçãs. E era ela que obrigava Olívia a comer antes que a garota voltasse para casa (não que ela reclamasse, as tortas de Adelaide eram realmente saborosas e as histórias de Vicente eram sempre muito boas).

Olívia estava colocando o último livro na prateleira quando escutou o sino da porta tocar.

— Pois não?- Olívia disse finalmente tomando consciência do que devia fazer.

— Estou procurando Vicente.- O homem disse.

— Eu vou chamá-lo. Vicente era o irmão e sócio de Adelaide, tão interessante quanto a irmã e Olívia pensava que ele tinha saído de algum filme vagamente conhecido.

A garota subiu as escadas e o piso de madeira fez um ruído engraçado debaixo dos pés dela. A primeira coisa que viu quando chegou ao segundo andar foi a torta de maçã na mesa da pequena cozinha.

A segunda coisa que viu foi o trio formado pelo casal de irmãos e o sobrinho-neto dizendo coisas ininteligíveis e fazendo coisas levitar. Olívia esfregou e piscou os olhos repetidamente, tentando entender o que estava vendo. Agora ela acreditava nas histórias peculiares que ouvira a respeito daquela loja.

Notas finais
Ficou um pouquinho curto pro meu gosto, mas era o tamanho obrigatório para o concurso. E aí? O que acharam? Vejo vocês no próximo capítulo ;)