Logo ao receber a notícia pelo telefone fiquei estarrecido. Deus teria ouvido minhas preces? Apenas senti uma felicidade que eu não sentia há muito tempo, para ser mais preciso, há sete anos. Foi algo incrível, avisei a Ângela e fomos para o hospital, levando junto a Laura.

—Helena! — Falei correndo para abraça-la. Ficamos abraçados por quase um minuto – Eu sabia que você iria acordar! Eu sabia! E a beijei várias vezes.

— Eu ainda estou confusa. O que aconteceu.

— Você estava em coma minha irmã.

— Ângela? Está tão diferente. Dê-me um abraço! Pediu Helena abrindo os braços ainda sentada na maca.

— E essa menina, é sua Ângela?

— Não amor, é nossa filha, Laura! Respondi.

— Quer dizer que eu não perdi o bebê? Ela perguntou sorrindo e correndo em direção a menina para abraça-la.

— Não perdeu. Rute conseguiu salvá-la. Eu expliquei.

— Meu amor! Eu te amo minha filha. Eu sabia que era uma menina! Eu tinha certeza!

— E você acertou.

— Ela cresceu tanto e eu não pude acompanhar.

— Nós cuidamos dela Helena. Falou Ângela, eu olhei desaprovando sua atitude.

— E onde está nossa mãe Ângela? Quero vê-la! Estou com tantas saudades dela.

— Helena... Ângela não soube o que dizer,

— Helena –Fiquei diante dela e segurei suas mãos- Donabela morreu.

— O quê? Não! Não pode ser! Ela começou a chorar e eu a abracei.

— Você precisa ser forte. Disse Ângela para a irmã.

—Quanto tempo faz?

—Alguns meses depois do acidente.

Essa notícia pareceu tê-la acalmado. Alguns minutos depois ela se recuperou e sentiu a falta de mais uma pessoa.

— E onde está Carlos?

— Meu marido também morreu. Respondeu Ângela.

— Sinto muito. Disse Helena a abraçando.

-Ele teve câncer de pulmão, ele lutou por alguns anos, mas a doença só foi descoberta tarde demais.

— Quando ele morreu?

— Faz três anos. Eu respondi.

Helena olhou perdida para baixo, mas eu a compreendo, deve ser terrível acordar e descobrir que perdeu duas pessoas muito queridas.

—Parece que eu perdi muita coisa. Não vi minha filha crescer, não tive como me despedir da minha mãe e nem do meu cunhado, que era mais que isso, era um grande amigo da família.

—Eu entendo você. Mas vamos comemorar, também perdemos você por sete anos! Só que agora temos que comemorar, você acordou.

Falamos com a enfermeira que disse que ela precisava ficar de observação por vinte e quatro horas, mas que depois disso, ela seria liberada.

Já de volta em casa ela conheceu o Loki que veio até ela.

— E esse cachorro? Helena perguntou.

— Eu ia fazer uma surpresa para você. Respondi.

— Ele é um amor! Disse Helena fazendo carinho nele.

— Nem tanto. Ele tem prazer em destruir tudo e gosta de debochar de mim.

Loki latiu como se tentasse se defender.

— Não exagere David! Está me dizendo que um cachorro zombou de você?

— Sim, estou.

— David foi mal com você... Como ele se chama David?

—Loki.

—Mas que implicância você tem com o cachorro!

— Você ainda vai descobrir quem é o verdadeiro vilão da história.

— Está bem. Mas e a casa? Olha isso?

— Eu sei, preciso varrer.

—Não! A casa está muito bem cuidada. Eu imaginei que aqui estaria...

Ela procurou pelas palavras certas.

—Mais bagunçada? Sugeri.

—Menos organizada. Ela disse.

— Sempre muito sutil não é?

— Você ainda se lembra como eu era?

— Eu estava com tantas saudades sua. Aproximei-me e a beijei.

— Eu imagino. Ela me beijou de volta.

A ergui, ela prendeu as pernas na minha cintura e eu fui andando até o sofá, onde caímos. Por um instante ela parou de me beijar, olhou em meus olhos e disse:

— Eu te amo.

— Eu também te amo.

Loki apareceu nesse momentou e pôs as patas dianteiras nas minhas costas.

— Loki! Eu te falei Helena.

— David.

— O que foi?

— As patas dele estão sujas de terra.

— Loki! – Falei me levantando e indo até o quintal – Eu já te falei para não fazer buracos no meu quintal!

Passamos o dia conversando, tínhamos muito que falar. Já à noite, quando Laura foi dormir e ficamos às sós na sala eu resolvi lhe mostrar as gravações.

— Eu não acredito que você fez isso.

— Eu tinha certeza que você acordaria. Por isso gravei cada segundo importante.

Assistindo as filmagens, Helena começou a chorar eu a abracei e me contive para não chorar com ela.

— Ao menos você acordou.

— Eu perdi sete anos da minha vida!

— Eu também. – A olhei nos olhos – Mas eu tenho minha vida de volta agora e eu quero muito aproveitar.

Assim quando éramos mais jovens a paixão nos dominou, do sofá subimos para meu quarto! Loki veio nos acompanhando, mas eu o barrei na porta.

— Sinto muito amigo, mas eu esperei muito por esse momento.

E fechei a porta.

— Você me esperou todos esses anos.

— Sim!

— David, foram sete anos, eu entenderia se você tivesse...

— Não vamos falar disso agora, por favor. Eu só quero ter você de novo.

— Foi a melhor noite de nossas vidas Padre.

— Eu gostaria de saber se vocês terminaram bem?

— Eu acho que sabendo que isso não aconteceria, eu quis aproveitá-la ao máximo, pois eu sentia que a perderia pela terceira vez.