Pecadores ocultos (Reescrita)
9 Cap. 09 Amar é compreender
—Padre, fiquei sem saber o que fazer. Minha namorada teve um caso com outra mulher. Não sabia nem o que pensar.
—Foi algo passageiro David. Por que se preocupar?
—Eu poderia perder a Helena para a Bruna? Isso seria terrível.
—Ela te ama David, não duvide disso! Jamais! Está me ouvindo?
—Como pode saber se você não a conhece?
Fiquei pensando se contava para ele se a mulher que conversei ontem a noite seria a sua noiva. Mas decidi não falar.
—Porque eu acredito no amor. Respondi-lhe.
—É possível amar com medo? Perguntou-me David.
—Há tantas coisas nesse mundo que poderia tirar a pessoa que você ama da sua vida e você vai se preocupar com outra mulher?
—Na época fiquei muito preocupado e ainda hoje me assusta ter que pensar nisso.
—E como vocês resolveram esta situação?
Cheguei em casa as seis da manhã, de tão tonto que estava mau podia caminhar, me joguei na cama e dormi quase que no mesmo instante. Acordei no dia seguinte com uma terrível enxaqueca. Normalmente eu me levantaria, mas voltei a pensar no que eu bebia para esquecer. Eu não sou preconceituoso, mas a questão era que eu sentia como se a qualquer momento ela decidisse que não gostasse de mim, ou melhor, do que eu sou. Sem lembrar que afeta e muito a autoestima masculina. Mas eu a amava e gostaria de tentar, mas não sabia como eu reagiria se ela decidisse voltar para a Bruna. E fiquei nessa encruzilhada por um bom tempo. Precisava de uma terceira opinião, alguém em que eu pudesse confiar então me lembrei do Carlos, era por volta das três e meia da tarde quando bati em sua porta.
—David! Falou Ângela com um sorriso e me abraçando.
—Quem é amor? Gritou Carlos no fundo da casa, porém, ele já estava caminhando até a porta.
—É o David. Respondeu Ângela.
—Tudo bem?-Perguntou Carlos que estendeu a mão- Entre.
Sentamos no sofá e quando ele começou a falar, agora mais perto de mim, senti o cheiro do cigarro que com certeza ele acabara de fumar, resolvi não me intrometer, até porque eu estava com problemas piores. Tivemos uma conversa agradável entre nós três, mas quando ficamos sozinhos falei para Carlos:
—Preciso falar com você.
—Percebi isso desde o momento que você chegou. Querida!-Gritou Carlos- Vou fumar na varanda está bem?
—Está bem. Concordou Ângela que deixou a entender que não se agradou com a ideia.
Fomos para a varanda, ele realmente queria fumar, pois antes mesmo de chegar puxou uma carteira de cigarros e se pôs a fumar.
—Ângela não virá até aqui? Perguntei, pois não queria envolver a irmã de Helena nesse problema.
—Ela detesta quando eu fumo, quando quero ficar sozinho acendo um cigarro. Explicou Carlos tragando a fumaça para si.
—Ontem Helena me apresentou a Bruna.
—E como foi?
—Eu descobri que Helena antes de mim se envolvia com essa mulher.
Não sei se foi por surpresa ou pelo cigarro, mas ele tossiu muitas vezes seguidas por alguns instantes.
—Sério?
—Sim. E pelo visto a Bruna ainda gosta da minha namorada.
—E Helena? O que diz?
—Que foi apenas um caso passageiro. Mas não sei se acredito, ela já estava estranha tinha alguns dias e se ela estivesse decidindo entre a Bruna e eu?
—Ela está com você. Não está? Argumentou Carlos que tossiu novamente.
—Será que está feliz?
—Você a ama? Perguntou Carlos me surpreendendo.
—Lógico que sim! Respondi exaltado e sem hesitar.
—Então você a fará feliz, se ela gostar de você também e para saber isso você tem que perguntá-la. Eu imagino que não seja fácil, mas tenha uma conversa sincera com ela e a respeite.
—Eu respeito o que ela decidir.
—Não. Estou dizendo para que você a respeite pelo que ela fez. Provavelmente ninguém da família sabe e ela acha que eu também não saberei – Ele tossiu e um pouco rouco, prosseguiu- Ela deve estar envergonhada, você sabe que hoje ainda há certo tabu sobre isso. Ela não precisa que você a julgue, mas sim que você a ame.
—Agora eu entendo porque casou. Sempre sabe o melhor a se fazer.
—Quem me dera. Às vezes eu enlouqueço com os ciúmes da Ângela. Ele tossiu mais forte do que nas outras vezes.
—Acho melhor você pegar leve com o cigarro.
—Está bem doutor. Disse Carlos ironizando a palavra doutor.
De noite eu fui para casa de Donabela, que me recebeu muito bem como sempre.
—Helena está lá cima David, disse que estava se sentindo mal.
—Vou ver como ela está. Falei com um sorriso tímido e já subindo as escadas.
Estava nervoso, não sabia o que poderia nos acontecer depois daquela conversa, o destino nos juntou, nos separou, juntou novamente. Mas e agora? O que ele queria afinal? Bati na porta com os dois dedos.
—Pode entrar mãe. Disse Helena com uma voz deprimente.
—Na verdade sou eu. David. Expliquei antes de entrar.
Ela se ergueu e passou as mãos nos olhos, parecia que estava quase dormindo de tanto chorar.
—Então? Perguntou ela deixando que eu iniciasse a conversa.
Entrei no quarto e sentei-me na beirada da cama próxima a ela.
—Eu quero te fazer uma pergunta e gostaria que você fosse sincera.
Ela suspirou forte e disse:
—Está bem.
—Você está feliz comigo?
Ela riu sarcasticamente, talvez pela insegurança que eu passava, olhou para os lados depois para cima e finalmente respondeu:
—Eu estava até você me fazer esta pergunta. Como pode duvidar de mim?
Ela não gostou que eu duvidasse dela.
—Eu quero muito continuar, mas gostaria de saber se você tem certeza do que quer. Se precisar, podemos dar um tempo e... Helena me interrompeu.
—Nada de dar um tempo –ela pegou na minha mão- eu nem sei por que me envolvi com ela, mas então você apareceu e fez eu me sentir tão bem. Por que eu trocaria você por ela?
—Eu não sei. Talvez você não tenha certeza. Comentei.
—Por que você duvida de mim? Ela se exaltou um pouco.
—Porque eu não suportaria te perder de novo! Respondi sinceramente e olhando em seus olhos e me exaltando junto com ela.
—Por que não? Você já me abandonou uma vez. Questionou Helena gritando.
—Porque eu te amo Helena.
Ela então se calou, parecia que esse eu te amo tinha sido diferente de todos os outros. Ficamos alguns segundos calados. Olhei para a porta que estava entre aberta esperando Donabela falar alguma coisa, mas ela não falou nada.
—Você contou para alguém? Helena me perguntou.
—Não. Menti sem hesitar, era por um bom motivo.
—Mentira é mentira David. Não importa as circunstâncias.
—Mas eu não fiz certo em omitir padre?
—Só Deus sabe meu filho. Mas continue sua história.
Ela se aproximou de mim e disse:
—Obrigada –Passou a mão em meu rosto que estava com a barba um pouco crescida, aproximou seu rosto ao meu- E David. Eu também te amo.
Nesse momento tomado pelas emoções eu a beijei.
—E vocês pecaram contra a carne. De novo. Questionei desgostado do que eles fizeram, de novo.
—Foi pela situação padre, não pudemos resistir. Justificou-se David.
—Sério? Essa é a desculpa dele padre Tomás?
—Bem padre... Eram jovens.
—E depois, como ficaram?
—Bem David e eu discutimos um pouco sobre sexo antes do casamento e logo depois ele prosseguiu.
Depois daquilo padre nos entendemos muito bem e alguns dias depois, conversamos melhor com a Bruna que prometeu que nos deixaria em paz, mas que iria esperar Helena se cansar de mim. A princípio não me preocupei com isso, mas uma vez ou outra eu me lembrava dessa frase.
—Mas este foi único problema que vocês tiveram no namoro? Perguntei percebendo que ele estava muito melancólico.
—Sim padre. Só foi este problema. Depois disto passamos mais três anos e seis meses de namoro. Foi quando começou a surgir a ideia de casamento.
—O seu sonho estava se tornado realidade hein? Falei tentando animá-lo.
—Começamos a fazer planos para o futuro e eu até cheguei acreditar que iríamos realiza-los.
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