Paz Temporária - Sombras do Passado
15 E a Guerra começa
Dois anos se passaram desde aquela noite que mudou a vida de Paul, Sarah e Cherry para sempre. A guerra civil se intensificava a cada dia e não ia parar até que um dos dois lados desistisse. Três das oito filiais dos Fallen Ones haviam sido destruídas, assim como duas bases militares. O velho galpão em Olgden Ville já não tinha mais nada de velho. Eles o reformaram para aguentar a nova situação do país. Depois de sair do hospital, Sarah se juntou aos Fallen Ones na luta contra o governo. Inúmeras pessoas morreram nos conflitos. Paul estava tentando bolar algum plano junto com Chris e Drake quando Sarah chegou segurando um jornal:
– Paul! Você não vai acreditar nessa notícia.
Ela entregou o jornal para Paul, que começou a ler em voz alta:
– “Substância que melhora a memória recebe prêmios por grande eficácia. O cientista Danny Slovac levou 15 anos para conseguir completar a pesquisa e, mesmo com muita dificuldade, conseguiu eliminar os efeitos colaterais que a substância apresentava. Seus únicos agradecimentos foram para Cherry Blitkrieg e Charles Mole. Como não são pessoas famosas, devem ser conhecidos que o encorajaram.”. Só pode estar de sacanagem com a minha cara. Não acredito que esse infeliz conseguiu completar a pesquisa dele.
– Bem... Na verdade. – disse Sarah virando o jornal. – Essa é a notícia que eu queria te mostrar.
– “Ontem à noite foi expedida uma ordem de execução à oficial responsável pelo esquadrão de interrogatório do exército, Cherry Winter por trair o país. Foi descoberto que ela estava expondo importantes informações para nossos inimigos de Cherland e protegendo a identidade de espiões. A traidora está foragida e provavelmente pretende fugir do país. Qualquer um que se importe com Harvyre e a vir, entregue-a ou mate-a imediatamente.”.
A notícia continha uma foto da Cherry usando um uniforme do exército. Paul e Drake ficaram encarando o jornal enquanto Chris tentava entender o que estava acontecendo:
– Então... O que tem de importante nessa notícia?
– Parece que não somos os únicos agindo. – disse Drake.
– Eu não sei se fico aliviado em saber que ela está viva ou se fico preocupado com o fato de que querem mata-la.
– Pois é...
– Já mostrou isso pro Rob?
– Na verdade, foi ele quem me mostrou.
– Como ele estava?
– É até engraçado. Ele disse quase o mesmo que você: “Estou feliz e, ao mesmo tempo, preocupado com ela...”.
– Não é de se espantar, mas se colocaram isso no jornal quer dizer que não sabem onde ela está. E você conhece a Cherry, é uma garota esperta e vai conseguir sair dessa.
– Isso se ela já não estiver fora do país. – complementou Drake.
– Tudo bem então... – disse Chris. – Quem é Cherry?
– Ela é uma grande pequena grande amiga nossa. Foi ela que nos levou até aquela instalação e... Sem ela, aquilo ainda estaria funcionando...
– Então como ela foi parar no exército?
– É uma longa história...
Paul e Sarah contaram o que havia acontecido há dois anos para Chris, que ouvia atentamente. Eles falaram com um tom de tristeza e revolta sobre aquela terrível noite. Depois de terminarem a história, todos ficaram em silêncio por alguns minutos. Lembrar daquilo não os fazia bem. O silêncio só foi interrompido por Chris, que tentava animá-los:
– Bem, pelo menos agora vocês sabem que ela está viva e, ainda por cima, está tentando alguma coisa contra o governo.
– É... – disse Paul. – Nosso governo é falho, mas dar informações importantes para Cherland é meio... Estranho...
– Verdade... – disse Sarah. – Mas eu tenho certeza de que ela deve ter um motivo para estar fazendo isso.
– Tomara que esteja certa. – disse Drake. – Porque se as coisas continuarem como estão qualquer ajuda será bem vinda.
Desde que a guerra civil começou, os antigos líderes das filiais perderam sua importância, pois eles eram líderes religiosos e não generais. Criaram-se quatro novas filiais pelo país e aquele galpão em Olgden Ville acabou ficando esquecido. Paul ainda ia até a central e conversava com os novos líderes para saber melhor como estava a situação dos Fallen Ones de vez em quando. Mas fora isso, ele apenas se preocupava em manter seus homens vivos. Havia algumas ideias em sua cabeça, mas a oportunidade de compartilhá-las nunca surgia. Certo dia, ele estava sentado na mesma praça em que ele, Sarah e Cherry haviam parado para descansar depois de sair da instalação na Red Moon Forest apenas pensando na vida, tentando descobrir o que Cherry estava fazendo e em como acabaria aquela guerra quando um Fallen One de outra filial o chamou. Paul apenas seguiu o procedimento padrão: seguiu o membro até a estação, pegou um trem para Vesril e, chegando lá, foi de carro até a mansão. Ele tinha perdido a conta do número de vezes em que ele teve que ir até aquele lugar quando o exército começou a agir. O membro pediu para que ele esperasse no primeiro andar. Paul estranhou, mas mesmo assim concordou em esperar. Meia hora depois, os líderes desceram as escadas e foram em sua direção:
– Paul nos desculpe pela demora, mas tínhamos alguns assuntos inacabados para resolver.
– Não se preocupem. Então, o que querem comigo?
– Temos uma proposta praticamente irrecusável para você. Perdemos mais um de nossos líderes ontem. Ele foi assassinado enquanto tentava conseguir mais suprimentos para o nosso lado.
– Prossiga.
– E, por conta de seus esforços antes do começo da guerra, gostaríamos de lhe oferecer o cargo dele. O que nos diz?
– Eu aceito com uma condição.
– E qual seria essa condição?
– Eu não quero ter que me mudar de Olgden Ville. Então se eu puder continuar por lá, aceitarei a oferta com um imenso prazer.
– Entendo... Espere mais um pouco.
Os líderes voltaram para o segundo andar e Paul sentou-se para esperar novamente. A ideia de fazer parte do comando novamente soava muito bem em seus ouvidos, mas, com o passar do tempo, ele passou a amar sua cidade e não estava disposta a abandoná-la nem por uma oferta tão tentadora quanto essa. E com isso passaram-se mais 20 minutos até que os homens desceram as escadas para dar-lhe a resposta:
– Depois de uma boa discussão sobre a sua condição, decidimos que a aceitaremos. Chegamos à conclusão de que não importa onde você estabelecerá sua base, desde que esteja aqui sempre que precisarmos.
– Quanto a vir aqui eu não vejo nenhum problema.
– Então está decidido. A partir de hoje, você participará das reuniões e nos ajudará a decidir que rumo tomar nessa guerra quem você mesmo anunciou.
– Será um prazer. – disse Paul com um largo sorriso no rosto.
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