Dois anos se passaram desde aquela noite que mudou a vida de Paul, Sarah e Cherry para sempre. A guerra civil se intensificava a cada dia e não ia parar até que um dos dois lados desistisse. Três das oito filiais dos Fallen Ones haviam sido destruídas, assim como duas bases militares. O velho galpão em Olgden Ville já não tinha mais nada de velho. Eles o reformaram para aguentar a nova situação do país. Depois de sair do hospital, Sarah se juntou aos Fallen Ones na luta contra o governo. Inúmeras pessoas morreram nos conflitos. Paul estava tentando bolar algum plano junto com Chris e Drake quando Sarah chegou segurando um jornal:

– Paul! Você não vai acreditar nessa notícia.

Ela entregou o jornal para Paul, que começou a ler em voz alta:

– “Substância que melhora a memória recebe prêmios por grande eficácia. O cientista Danny Slovac levou 15 anos para conseguir completar a pesquisa e, mesmo com muita dificuldade, conseguiu eliminar os efeitos colaterais que a substância apresentava. Seus únicos agradecimentos foram para Cherry Blitkrieg e Charles Mole. Como não são pessoas famosas, devem ser conhecidos que o encorajaram.”. Só pode estar de sacanagem com a minha cara. Não acredito que esse infeliz conseguiu completar a pesquisa dele.

– Bem... Na verdade. – disse Sarah virando o jornal. – Essa é a notícia que eu queria te mostrar.

– “Ontem à noite foi expedida uma ordem de execução à oficial responsável pelo esquadrão de interrogatório do exército, Cherry Winter por trair o país. Foi descoberto que ela estava expondo importantes informações para nossos inimigos de Cherland e protegendo a identidade de espiões. A traidora está foragida e provavelmente pretende fugir do país. Qualquer um que se importe com Harvyre e a vir, entregue-a ou mate-a imediatamente.”.

A notícia continha uma foto da Cherry usando um uniforme do exército. Paul e Drake ficaram encarando o jornal enquanto Chris tentava entender o que estava acontecendo:

– Então... O que tem de importante nessa notícia?

– Parece que não somos os únicos agindo. – disse Drake.

– Eu não sei se fico aliviado em saber que ela está viva ou se fico preocupado com o fato de que querem mata-la.

– Pois é...

– Já mostrou isso pro Rob?

– Na verdade, foi ele quem me mostrou.

– Como ele estava?

– É até engraçado. Ele disse quase o mesmo que você: “Estou feliz e, ao mesmo tempo, preocupado com ela...”.

– Não é de se espantar, mas se colocaram isso no jornal quer dizer que não sabem onde ela está. E você conhece a Cherry, é uma garota esperta e vai conseguir sair dessa.

– Isso se ela já não estiver fora do país. – complementou Drake.

– Tudo bem então... – disse Chris. – Quem é Cherry?

– Ela é uma grande pequena grande amiga nossa. Foi ela que nos levou até aquela instalação e... Sem ela, aquilo ainda estaria funcionando...

– Então como ela foi parar no exército?

– É uma longa história...

Paul e Sarah contaram o que havia acontecido há dois anos para Chris, que ouvia atentamente. Eles falaram com um tom de tristeza e revolta sobre aquela terrível noite. Depois de terminarem a história, todos ficaram em silêncio por alguns minutos. Lembrar daquilo não os fazia bem. O silêncio só foi interrompido por Chris, que tentava animá-los:

– Bem, pelo menos agora vocês sabem que ela está viva e, ainda por cima, está tentando alguma coisa contra o governo.

– É... – disse Paul. – Nosso governo é falho, mas dar informações importantes para Cherland é meio... Estranho...

– Verdade... – disse Sarah. – Mas eu tenho certeza de que ela deve ter um motivo para estar fazendo isso.

– Tomara que esteja certa. – disse Drake. – Porque se as coisas continuarem como estão qualquer ajuda será bem vinda.

Desde que a guerra civil começou, os antigos líderes das filiais perderam sua importância, pois eles eram líderes religiosos e não generais. Criaram-se quatro novas filiais pelo país e aquele galpão em Olgden Ville acabou ficando esquecido. Paul ainda ia até a central e conversava com os novos líderes para saber melhor como estava a situação dos Fallen Ones de vez em quando. Mas fora isso, ele apenas se preocupava em manter seus homens vivos. Havia algumas ideias em sua cabeça, mas a oportunidade de compartilhá-las nunca surgia. Certo dia, ele estava sentado na mesma praça em que ele, Sarah e Cherry haviam parado para descansar depois de sair da instalação na Red Moon Forest apenas pensando na vida, tentando descobrir o que Cherry estava fazendo e em como acabaria aquela guerra quando um Fallen One de outra filial o chamou. Paul apenas seguiu o procedimento padrão: seguiu o membro até a estação, pegou um trem para Vesril e, chegando lá, foi de carro até a mansão. Ele tinha perdido a conta do número de vezes em que ele teve que ir até aquele lugar quando o exército começou a agir. O membro pediu para que ele esperasse no primeiro andar. Paul estranhou, mas mesmo assim concordou em esperar. Meia hora depois, os líderes desceram as escadas e foram em sua direção:

– Paul nos desculpe pela demora, mas tínhamos alguns assuntos inacabados para resolver.

– Não se preocupem. Então, o que querem comigo?

– Temos uma proposta praticamente irrecusável para você. Perdemos mais um de nossos líderes ontem. Ele foi assassinado enquanto tentava conseguir mais suprimentos para o nosso lado.

– Prossiga.

– E, por conta de seus esforços antes do começo da guerra, gostaríamos de lhe oferecer o cargo dele. O que nos diz?

– Eu aceito com uma condição.

– E qual seria essa condição?

– Eu não quero ter que me mudar de Olgden Ville. Então se eu puder continuar por lá, aceitarei a oferta com um imenso prazer.

– Entendo... Espere mais um pouco.

Os líderes voltaram para o segundo andar e Paul sentou-se para esperar novamente. A ideia de fazer parte do comando novamente soava muito bem em seus ouvidos, mas, com o passar do tempo, ele passou a amar sua cidade e não estava disposta a abandoná-la nem por uma oferta tão tentadora quanto essa. E com isso passaram-se mais 20 minutos até que os homens desceram as escadas para dar-lhe a resposta:

– Depois de uma boa discussão sobre a sua condição, decidimos que a aceitaremos. Chegamos à conclusão de que não importa onde você estabelecerá sua base, desde que esteja aqui sempre que precisarmos.

– Quanto a vir aqui eu não vejo nenhum problema.

– Então está decidido. A partir de hoje, você participará das reuniões e nos ajudará a decidir que rumo tomar nessa guerra quem você mesmo anunciou.

– Será um prazer. – disse Paul com um largo sorriso no rosto.

Notas finais
Essa semana foi meio coisada então mal tive tempo para escrever x.x Acho que nas próximas semanas vai ficar ainda pior x....x Mas depois do começo de abril vou ter mais tempo para poder continuar essa minha história coisada que eu gosto tanto. Agradeço a quem leu até aqui e até o próximo capítulo =D