Paul e Sarah se vestiram com as roupas dos guardas e, como as roupas cobriam todo o corpo, funcionou perfeitamente como disfarce. Usaram um pouco da corda que havia sobrado para amarrar as mãos de Cherry e seguiram em direção à cabana. Cherry ia na frente enquanto Sarah ia atrás apontando uma pistola para ela e Paul à sua direita. Quando chegaram, Cherry mostrou para eles qual era o livro que havia mencionado. Paul retirou o livro da estante e apertou o botão que estava escondido. Logo a passagem se abriu, Paul ia entrar, mas parou repentinamente e se virou para as duas:

– Antes de qualquer coisa. Tomem muito cuidado, falem apenas em último caso... tomem cuidado...

– Está tudo bem, Paul.- disse Cherry- Não precisa bancar o forte. Estamos todos nervosos. Mas se seguirmos o plano vai dar tudo certo.

– Tu... tudo bem...vamos lá então!

Os três entraram pela passagem, era um pequeno túnel escuro que terminava em uma espécie de elevador.

– Beleza, agora fudeu. Cherry... Espero que você saiba qual botão clicar. – disse Paul.

– Bem... Vamos para o terceiro andar, parece que os laboratórios ficam lá. Quem sabe conseguimos algo incriminador.

– Arg! Eu sabia que deveria ter trazido a câmera... – Lamenta Sarah.

– Vish... é verdade... seria uma boa. Mas como nos esquecemos desse detalhe crucial, vamos ter que dar um jeito. – Diz Paul.

– Pois é, deve ter algum documento que possamos levar conosco e. quietos, o elevador está parando.

O elevador parou e as portas se abriram. O lugar era todo branco. Pisos, paredes, portas, tudo. As únicas coisas de outra cor eram os dutos de ventilação que ficavam próximos ao teto. O ambiente era bem iluminado e não havia movimento nos corredores. Nada de movimento, nem de barulhos. O que restava era apenas o silêncio, um silêncio sufocante que era apenas impedido pelo som que as máscaras de oxigênio faziam ao tentarem respirar. Os três hesitaram por um momento e ficaram apenas observando o local. Mas quando a porta do elevador ia se fechar, Paul colocou o braço na frente e começou a andar pelo corredor.

– Então... Aonde vamos primeiro?

– Bem... Vamos virar o primeiro corredor à direita e depois seguimos reto até encontrarmos uma sala com portas vermelhas.

– Tudo bem, vamos logo então.

Eles andaram devagar até a curva. Quando viraram, se depararam com dois homens vestindo jalecos brancos e usando máscaras também brancas com luvas sujas de sangue vindo em sua direção. Os dois olharam curiosos para o trio que vinha na direção oposta. Eles tentaram passar direto pelos cientistas, mas foram impedidos:

– Hey, aonde estão levando essa garota?

– Nós... Encontramos ela bisbilhotando a cabana quando fomos fazer uma ronda e a trouxemos como prisioneira.

– Ronda? Com essas roupas?

– É... bem... é que nós somos novatos...

– Novatos? Hm... Qual é o juramento que todos fazem antes do trabalho?

– Juramento? Ah... O...

Paul é interrompido por um cutucão de Cherry.

– Que juramento? Você está maluco?

– Hm... Bem, de qualquer jeito. Leve-a para o depósito no 6º andar. Ah! Tive uma ideia melhor. Deixem-na na minha sala. Ela pode servir para algo que tenho em mente...

– Bem... o seu escritório...

– Ah. Como estou distraído hoje. Sigam em frente e depois virem à direita duas vezes. Número 356. A porta vai estar aberta. Eu tenho uma reunião importante, então mais tarde eu passo por lá.

– Entendido.

O homem foi andando em direção ao elevador e sumiu da vista dos três. Depois de um tempo Paul conferiu se ele havia ido embora mesmo. Estava tudo limpo, então Paul voltou para junto das duas.

– Puta que pariu essa foi por pouco! – disse Paul aliviado.

– Eu pensei que nossa pequena aventura fosse acabar antes mesmo de começar. – disse Sarah.

– Pois é. Ainda bem que você entendeu meu sinal Paul. Foi bem na hora.

– Cherry minha filha. Nunca passei tanto cagaço na minha vida quanto agora.

– Bem, agora que tudo fica mais fácil. A sala dele fica na mesma direção que estamos indo. Melhor irmos antes que apareça mais alguém.

Os três continuaram seu caminho e, apenas a algumas portas de distância da sala do cientista, entraram em uma sala escura cheia de potes de vidro com algum líquido e coisas disformes aparentemente feitas de carne dentro. Cherry ligou um interruptor na parede, o que fez com que as luzes se ascendessem depois de piscarem duas vezes. Isso deu um mini susto em Sarah que olhava atentamente para um dos potes. Eles logo começaram a procurar qualquer coisa que pudesse ser útil.

– Pelos Deuses... – disse Paul com os olhos arregalados. – Vejam isso.

Paul pegou alguns papéis de um arquivo e colocou em cima da mesa da sala e começou a mostrar para as duas. Nos papéis havia dados sobre pesquisas realizadas em humanos para a obtenção de alguns medicamentos.

– Tsc, isso não é o suficiente... – exclamou Paul.

– Pois é... Acho que o único jeito é indo direto no foco. – disse Cherry com pesar.

Os outros dois se inclinaram para Cherry, um pouco espantados com o tom de voz da mesma.

– Teremos que ir até o lugar onde deixam os resultados das pesquisas... Só que...

– Só que... ? – perguntaram simultaneamente.

– Só que esse lugar fica no último andar, onde são realizados os experimentos...

– Porra, já foi difícil chegar até aqui e só tivemos que driblar um infeliz! – exclamou Paul e logo depois deu um soco na parede.

– Hm... e se... – diz Sarah encarando um armário semiaberto — Você se disfarçasse de cientista, Paul?

Sarah retira um jaleco branco do armário e joga em Paul que quase deixa cair no chão.

– Como você acha que isso daria certo? Se passar por um guarda usando roupas que cobrem todo o corpo é uma coisa, agora se passar por um cientista com meu rosto a mostra é loucura!

– Isso... pode dar certo... – diz Cherry.

– Mas o quê?

– É claro! Você tem um jeito meio louco e sempre foi bom em atuar.

– Meio louco? Do que é que você está...

– Ele é alto... E se usar uma daquelas máscaras cirúrgicas pode ser que ninguém note.

– Pois é! Dai é só falarmos que estamos te transportando para testar alguma coisa em você.

– Hey! Mas e se nós esbarrarmos naquele tio?

– É verdade... Droga! Acabei de me lembrar de algo importante! – disse Cherry – Não daria certo mesmo. Os cientistas têm um cartão que usam para acessar as salas de testes. Sem um desses não adiantaria nada.

Os três ficaram em silêncio enquanto tentavam pensar em algo. Estavam cabisbaixos e preocupados. Até que Paul levanta seu rosto e diz:

– Por que a gente não apaga aquele tio?

Eles se encararam em silêncio. E logo depois melhoraram suas expressões. Paul continuou:

– É só a ficar na sala dele e apagar ele quando estiver distraído. Ele já conta com a presença da Cherry lá. Qualquer coisa é só a gente dizer que ficou para garantir que ela não fugisse. Deve ter clorofórmio em um desses trocentos frascos e potes.

– Isso... Pode dar certo! E eu ainda posso conseguir mais informações com ele. Nem prestei atenção no passado dele porque estava preocupada demais com a possibilidade de sermos pegos.

Depois de procurar um pouco, acharam um frasco contendo clorofórmio e partiram em direção à sala do cientista. Lá, Cherry ficou sentada em uma cadeira enquanto Sarah ficava de pé ao seu lado e Paul perto da porta. Depois de esperar meia hora, o que pareceu mais horas. O cientista entrou e, depois de avistar Cherry, deu um largo sorriso.

– Ficamos aqui para garantir que ela ficasse quieta.

– Ótimo... Ótimo. Hehehe. Você é perfeita para o que estava planejando. – disse o cientista caminhando em direção de Cherry. Ele levanta o rosto dela com sua mão direita e seu sorriso fica ainda maior. – Nós vamos nos divertir muito hoje, garotinha.

Paul se aproxima por trás do homem e põe um pano embebido de clorofórmio na boca dele, imobilizando-o com seu outro braço.

– Acho que fica para a próxima. – diz Cherry com um sorriso em seu rosto. – Bons sonhos Sr. Pedófilo.