Depois de se tornar oficialmente um dos líderes dos Fallen Ones, Paul passou a noite na mansão e voltou para casa no outro dia bem cedo. A próxima reunião seria na semana seguinte. Ele estava muito animado por estar novamente no grupo de indivíduos cujas decisões poderiam definir o destino da guerra. Ao chegar em Olgden Ville, foi direto ao galpão para anunciar sua “promoção” a seus homens. A primeira pessoa a recebê-lo foi Sarah:

– Paul! Como foi a viajem? – disse Sarah enquanto o abraçava.

– Foi boa. Aliás, tenho um comunicado importante para fazer. Reúna o pessoal.

– Comunicado importante? Posso saber o que é?

– Pode. Mas só depois que reunir o pessoal.

– Meh. Tudo bem então.

Ela se afastou um pouco nervosa. 10 minutos depois, todos os membros já haviam chegado e Paul estava no centro do galpão. Ele deu uma última olhada para a multidão para se certificar de que realmente estavam todos ali e começou a falar:

– Como é de conhecimento geral, ontem eu fui chamado à central de comando. Conversei com os líderes e aceitei certa proposta que trará algumas mudanças para nossas instalações. Devem estar se perguntando que proposta foi essa e por que ela vai nos ajudar, certo? Pra resumir isso tudo, eu sou novamente um dos líderes dos Fallen Ones e Olgden Ville será uma das sedes principais a partir de hoje.

– Mas como? Pensei que não tinha nenhuma vaga na liderança. – disse um dos membros.

– Eu também, mas um deles morreu antes de ontem.

– Eu diria que isso é um ótimo motivo para comemorações. – disse Chris. – Que tal uma pequena festa para celebrar a promoção do Paul?

– Uma festa? As estamos no meio de uma maldita guerra. – disse Drake.

– Porra... Não tinha pensado por esse lado... Mas ainda acho que deveríamos fazer algo.

– Não acho que haja tal necessidade. – disse Paul. – Não é como se tivéssemos ganhado a guerra. Aliás, esse sim seria um ótimo motivo para comemoração. Então sua festa vai ter que esperar até isso tudo acabar.

– Heh, então é só ganhar o mais rápido possível. – disse Chris com um sorriso sádico no rosto.

– E pensar que esse cara era apenas um contador de histórias antes da porra toda começar...

Durante a semana, várias mudanças começaram a ocorrer em Olgden Ville. Vários Fallen Ones se mudaram para lá e o galpão começou a ser reformado. A cidade estava se tornando uma importante peça no tabuleiro que chamam de guerra. Paul teve que ir até a central no final de semana para frequentar sua primeira reunião. Ele foi um dos primeiros a chegar, pois as bases principais eram distantes umas das outras. Após esperar algo em torno de três horas, o último dos líderes finalmente chegou. Todos se posicionaram na sala de reuniões e o líder principal começou a falar:

– Começaremos agora mais uma reunião para decidirmos o futuro dos Fallen Ones e, talvez, do nosso país. Hoje, temos um assunto muito importante para tratar. Com a ajuda de três dos 8 líderes, elaborei um plano com o objetivo de arrecadar mais suprimentos para nossos homens e, também, desestabilizar um pouco o controle do exército inimigo. Sr. Rick, explique melhor os detalhes do plano.

– Sim, senhor. É de conhecimento geral o fato de que o governo possui uma importante base militar na capital. Nossos homens descobriram que lá serve também como armazém de suprimentos, principalmente de caráter bélico, para todo o exército. Nosso plano consiste em invadir o local com nossos melhores soldados para tomar posse da base. É claro que isso requer planejamentos mais sérios mas...

– Espere um pouco aí. – disse Paul interrompendo-o. – Mas o forte da capital é conhecido por ser o mais bem guardado de todos. Estaríamos mandando nossos homens para a morte.

– Bem, seria uma ofensiva sutil com uma quantidade de soldados suficientes para tomar o lugar, mas sem ter que bater de frente com os soldados de lá.

– Mas nós nunca tentamos algo desse tipo antes. Não acho que estejamos prontos para operações discretas e perigosas como essa. A meu ver, as chances de sucesso são bem pequenas.

– Bem, é por isso que existem oito líderes. Daremos 10 minutos para que possam pensar no assunto. Depois disso, faremos uma votação para saber se executaremos ou não nosso plano. Não se esqueçam de que o sucesso do plano, por mais que a execução seja difícil, pode resultar no início do final dessa guerra.

Aquilo tinha deixado Paul realmente irritado. Ao longo do tempo, seu desejo de vingança mudou para um desejo por mudanças e a convivência com os Fallen Ones do bom e velho galpão o fez se apegar muito aos membros. Então uma simples suspeita de que vários deles morreriam em vão o preocupava e não conhecer direito os outros líderes apenas piorava as coisas, pois ele não tinha como saber que tipo de decisão eles tomariam. O plano só seria descartado se os outros três membros concordassem com Paul e se negassem a aceita-lo, mas isso seria algo muito difícil de acontecer. Aqueles 10 minutos pareceram horas para ele. E quando acabaram seu nervosismo estava muito alto:

– Vocês tiveram tempo para pensar, então agora vamos começar a votação para saber se realizaremos ou não a operação. Como quatro membros participaram da elaboração da mesma, ela só será cancelada caso todos vocês discordem. Levantem a mão direita aqueles que concordam.

Paul manteve sua mão abaixada e fechou os olhos com medo de ver o resultado. Ele acabou abrindo os olhos depois de alguns segundos e notou que apenas ele e mais um estavam com as mãos abaixadas.

– A decisão foi tomada. Vamos começar as preparações no início dessa semana. Vamos tentar juntar o máximo possível de informações antes de começar a operação. Peço para que todos ajudem no que puderem para podermos aumentar as chances de sucesso. Senhores, vamos vencer essa guerra.

Paul passou a noite na mansão sem conseguir dormir. Ele pensava em seus companheiros e em como aquela operação poderia ferrar com eles e com a situação “equilibrada” em que a guerra se encontrava. No outro dia, ele acabou cochilando no ônibus e, quando chegou a Olgden Ville, foi novamente direto ao galpão para anunciar a grande notícia a seus homens. Infelizmente dessa vez, realmente não era algo para se comemorar. Novamente, a primeira pessoa a recebê-lo foi Sarah, que o abraçou com força.

– Paul! Que... Que cara é essa? Aconteceu algo?

– Digamos que sim... Reúna o pessoal porque eu tenho um comunicado a fazer.

– Dessa vez você poderia me falar primeiro?

– Tudo bem... Digamos que aprovaram uma operação muito arriscada sem minha aprovação, mas mesmo assim teremos que ajudar.

– Oh... Eu vou reunir o pessoal.

Assim como na semana anterior, todos se reuniram no galpão enquanto Paul esperava no centro. Ele coçou a cabeça, olhou ao redor para conferir se todos estavam lá e começou o pronunciamento:

– Trago uma notícia meio complicada para vocês. Tivemos uma reunião ontem e foi decidido que The Fallen Ones executarão um plano de ocupação ao forte da capital daqui a alguns meses. Todos sabem que aquele lugar é quase impenetrável, mas eles insistem em tentar uma ofensiva discreta contando com um número não muito grande de homens para não alertar tudo e ferrar com a porra toda. As preparações começam amanhã.

– Espere um pouco. – disse Drake. – Acham mesmo que isso pode dar certo?

– Apenas eu e mais um fomos contra... Infelizmente...

– Isso é suicídio! Aquela é a base mais bem guardada do exército. Eles devem ter enlouquecido.

– Pois é... O triste é que teremos que ajudar mesmo assim. Afinal, apesar das chances não estarem a nosso favor, se der certo será uma grande vitória para o nosso lado.

– Já que não há escolha, vamos dar o nosso melhor e fazer dessa operação suicida um sucesso! – exclamou Chris.

– Heh. É bom ver que você não perdeu seu ânimo.

– Você deve esperar tudo de um cara que quer festejar no meio de uma guerra.

– Hey! Festas são boas para manter o pessoal unido e tranquilo. Aliás, o sucesso dessa operação seria um ótimo motivo para comemorações.

– Olhe, com as chances que temos, eu até concordo com você.

– Você está falando sério, Paul?

– Até estou. Vai que isso serve de motivação para alguém.

– Yay! Então está decidido. Vamos completar essa bagaça direito e comemorar!

No dia seguinte, as preparações para a operação “Silent Strike” começaram e, com isso, o pouco de sossego que havia nas bases dos Fallen Ones sumiu. Como alguns dos membros eram soldados que haviam saído do exército por também estarem insatisfeitos com a situação do país, eles começaram treinamentos para os Fallen Ones se acostumarem com operações que exigiam discrição. Paul mal saía da central, pois havia muitas coisas a serem decididas. Ocorreram diversos contratempos, mas depois de 1 ano e alguns meses estava tudo pronto. Ficou decidido que todos os líderes participariam da operação, cada um com um pequeno grupo contendo os seus melhores homens. Eles estavam apostando alto nessa jogada e, se algo desse errado, poderia ser o fim da guerra. Mesmo depois de todo esse tempo, Paul ainda achava que era uma missão suicida, mas mesmo assim estava disposto a arriscar a própria vida pelas pequenas chances de sucesso que estavam à sua frente. Eles invadiriam o local por uma entrada secreta revelada por um dos ex-militares e partiriam do princípio de “dividir e conquistar” para tomar o controle do local. A operação começaria às 3 da manhã. O dia estava frio e garoava. Todos podiam ver suas respirações enquanto estavam escondidos à espera do sinal para que tudo começasse. A equipe do líder geral foi a primeira a avançar e, quando estivesse tudo limpo, eles dariam um sinal para que os outros entrassem. Por volta de 3 e 5, o sinal foi dado. Havia apenas um espaço livre no tambor do revólver dos Fallen Ones, que deu alguns giros antes de ser colocado em posição para atirar. Era tudo ou nada.

Notas finais
Heeeeeh, demorou um pouco, mas saiu. Prevejo uma demora maior ainda para a próxima postagem...mentira, vou tentar adiantar o máximo possível essa semana já que semana que vem as provas da minha faculdade começam... Espero que estejam gostando e agradeço a quem leu até aqui. Até o próximo capítulo =D