Paws - Um Amor de Cão
12 O tipo de coisa que definitivamente não deveria acontecer
Notas iniciais
Após um quociente de tempo, que eu não pude definir, finalmente reabri os olhos.
A luz acima de mim me cegou por alguns segundos, fazendo meu rosto desviar para o lado.
O movimento fez minha cabeça doer terrivelmente, como se estivesse grampeada da nuca para baixo.
Pisquei, confusa, tentando levantar o corpo. Mas a dor voltou, me fazendo cair de volta na cama em que estava deitada.
Não foi difícil reconhecer onde eu estava quando observei as coisas ao meu redor.
Um quarto de hospital.
Foi neste momento que me lembrei do que havia acontecido.
O pit bull. Teddy.
Arfei, esquecendo-me do corpo dolorido e voltando a levantar, desesperada.
Onde estava meu cachorrinho? Como ele estava? O que havia acontecido com ele??
Baixei o olhar, identificando uma série de escoriações e marcas de mordida em meus braços, dois deles com alguns pontos.
Estremeci, ofegante, quando a porta se abriu e uma enfermeira jovem entrou, se aproximando de mim com um sorriso tenso.
– Ah, você acordou, senhorita – ela chegou mais perto – sou a enfermeira Dadva... como se sente?
– O q-que... – gaguejei, choramingando – o que houve? Onde está meu cão? O que fizeram com Teddy?
– Se acalme, senhorita... Granger – ela pediu, analisando a placa em minha maca – você sofreu vários ferimentos decorrentes de um ataque de um cão pit bull – ela não disfarçou um arquejo de espanto – foi sorte ter sobrevivido. Precisa descansar.
– Mas Teddy... – insisti, sentindo minha garganta apertar. Por que ela não falava dele?
Senti meus olhos ficarem úmidos, e solucei, aflita.
A enfermeira suspirou.
– Seu cachorro também foi socorrido, senhorita Granger. Está internado no centro veterinário á alguns quarteirões daqui.
– Ele está bem? Está ferido?
Dadva parecia quase sem graça de me explicar o que acontecera com Teddy, pois permaneceu quieta, até a porta voltar a se abrir, dando passagem para duas pessoas, que eu finalmente reconheci.
– Papai! Mamãe!
Meus pais correram até o leito, juntando-nos num abraço coletivo.
– Hermione... – mamãe começou a chorar, alarmada com meus ferimentos – o que você fez, filha... foi uma loucura...
Papai também soluçava, afagando meus cabelos.
– Não... estou bem – ergui a cabeça. Estava sentindo dor ainda, mas minha preocupação era maior do que qualquer incomodo – mãe, pai... o que houve com Teddy? Por que ninguém me diz o que aconteceu?
Meus pais se entreolharam, e meu estômago afundou.
– Quando ela vai receber alta? – papai perguntou á Dadva.
– Assim que terminar de ser medicada com mais analgésicos. O doutor a liberou para receber alta depois disso – ela mordeu o lábio, parecendo reprovar a decisão do médico – mas ainda precisa de muito repouso.
– Ela terá – meu pai a cortou, impaciente — queremos o endereço para onde levaram o cachorro dela, se não for pedir demais.
A enfermeira assentiu, meio hesitante, e saiu do quarto.
Mamãe sentou-se ao meu lado, afagando o que parecia ser um corte feio na minha bochecha.
Não me incomodei, já que daria jeito em todas as feridas quando chegasse a casa. Aquilo decididamente não era uma preocupação agora.
– Mãe... – quase engasguei quando voltei a soluçar – Teddy tem que ficar bem. Ele tentou me defender... ele não pode... – sufoquei, sem conseguir continuar.
– Eu sei, querida. Eu sei – papai beijou minha testa – vamos descobrir o que houve.
– Eu tenho que sair daqui – foi o que consegui dizer assim que recuperei o fôlego.
– Você vai sair. Assim que deixarmos o hospital, iremos ao veterinário, filha... agora se acalme.
Voltei a deitar a cabeça no travesseiro, sentindo meu peito pesar como uma bigorna.
Nada que fizessem iria me abrandar agora. Eu precisava ver Teddy. Saber que estava tudo bem com ele.
Não podia perder mais um amigo. Não podia perder Teddy.
Virei o corpo para o lado, me encolhendo, enquanto meus pais se mantinham ao meu lado, com as expressões enrijecidas de tensão.
Fechei os olhos, rezando para que aquela tortura desnecessária terminasse, para que eu finalmente pudesse ir atrás de meu cãozinho.
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Três horas depois, após muita insistência dos meus pais – e de um chilique digno de novela protagonizado por Julia, que havia chegado minutos depois com Isabella no posto de enfermagem – finalmente fui liberada, e saí do hospital.
O endereço que haviam dado era apenas algumas ruas dali.
Quando entramos, mal precisei me identificar. A história do ataque do pit bull já havia se espalhado por pelo menos sete quarteirões ao redor, e quase todos já sabiam quem eu era.
– A dona do Terrier que foi atacado – avisou alguém próximo á bancada de atendimento.
A auxiliar me cumprimentou com a cabeça, dando sinal para que eu a acompanhasse.
– Vamos ficar aqui, querida – papai avisou, afagando meu ombro – acho melhor você ir sozinha.
Julia e Isabella se olharam.
– Vai ficar tudo bem, Hermione – Julia guinchou, sem conseguir ocultar a aflição em seu rosto – vai dar tudo certo – Isabella concordou com a cabeça, segurando as mãos uma na outra.
Assenti, virando-me para o corredor adiante e deixando-os na sala de espera, seguindo a auxiliar.
Abraçando meu próprio corpo, fiquei olhando para o chão enquanto andava.
– Ouvi dizer que foi terrível... vocês dois sendo atacados pelo cão raivoso – ela sussurrou.
– Descobriram quem era o dono dele? – ciciei, ainda sem olhar para ela.
Vi, de relance, a auxiliar negar com a cabeça.
– Era um cão de rua, provavelmente abandonado, num estágio avançado de hidrofobia. Não pudemos fazer nada... foi sacrificado assim que o centro de zoonoses o imobilizou.
Fechei os olhos, finalmente recordando a expressão vidrada do cachorro que nos atacou. Um sentimento de pena me corroeu, imaginando que aquilo poderia ter sido evitado se o dono tivesse cuidado dele como deveria.
No fim das contas, ele não tivera culpa de nada.
– Aplicamos a antirrábica em seu cachorro assim que ele chegou, já que o cão o mordeu. Não corre risco de desenvolver a doença – ela abaixou a cabeça, aparentando desconforto.
Ela me indicou uma porta adiante, gesticulando para que eu entrasse.
O veterinário foi objetivo, indicando-me uma das pequenas divisões de internação caninas.
– Ele sangrou bastante... fizemos curativos e demos algumas medicações – comentou, abrindo a janela que tampava o vidro para que eu olhasse dentro.
Olhei para baixo, sentindo meu peito já pesado inchar ainda mais.
Teddy estava deitado numa pequena cama, atarraxado de bandagens. Mesmo ao longe, podia ver seu corpinho ressoar lentamente, seus olhinhos fechados e seu focinho estremecer.
– Ele... ele está...
– Demos um sonífero para ele – a auxiliar veio ao meu lado – estamos na espera para que consiga se recuperar.
– Ou... – arfei, com o rosto contraído de angustia.
O veterinário me encarou, e pude ver uma nesga de compaixão em seu olhar.
– Se ele não conseguir uma melhora pelos medicamentos... receio que ele... talvez não sobreviva.
Meu coração parou, fazendo meu ar desaparecer.
Quando voltei a respirar, só pude me espremer contra o vido que me separava de Teddy, sentindo as lágrimas finalmente escorrerem.
Alguém bateu na porta, mas não em importei em olhar quem era.
– Doutor Shower? Posso entrar?
No entanto, quando ouvi aquela voz, voltei a levantar a cabeça, atônita.
Virei de costas, fitando a pessoa que acabara de entrar na ala de internação.
Mal consegui me mexer durante os cinco segundos em que ela se apresentou á equipe veterinária.
E, misturada á aflição, a confusão se esgueirou por cada veia de meu corpo.
– Prazer conhecê-los. Sou amiga de Hermione – ela me olhou, tácita – Gina Weasley.
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