Notas iniciais
Olá, pessoas lindas! Agradeço de coração aos que estão acompanhando a história. Vocês são os melhores leitores do mundo! ♥ Bem,s em mais delongas, o penúltimo capítulo de Paws! :3 Boa leitura!

Meus olhos percorreram o quarto, fazendo meu estômago contrair-se de desânimo.

Encolhi-me, pressentindo uma espécie de hostilidade dentro do cômodo, como se algo muito errado existisse no ambiente.

No entanto, eu sabia exatamente o que faltava ali.

Ergui-me da cama, indo me trocar. Escolhi algo para vestir sem um pingo sequer de preocupação, nem olhando direito o que eu tirava do guarda-roupa.

Papai e mamãe não disseram uma única palavra além do costumeiro “bom dia”, aparentando perceber o quanto eu estava abalada e sem vontade de conversar.

Baixei o olhar para as panquecas que havia em meu prato, e senti meus olhos arderem.

Forcei um sorriso quando mamãe afagou minha mão, lançando um olhar significativo de compreensão e compaixão, mas não consegui articular nenhuma palavra.

Apesar disso, senti uma estranha necessidade de sair para fora, até a mureta, como se algo quisesse me levar á conversar com quem realmente entendia o que estava acontecendo comigo.

Assim que terminei de comer, decidi seguir minha súbita inspiração, saindo porta afora sem nada dizer.

Como se eu houvesse previsto, Julia e Isabella estavam lá, conversando uma com a outra em voz baixa.

Julia percebeu minha aproximação, e cutucou Isabella.

– Bom dia, meninas – murmurei.

Elas se entreolharam, me encarando de modo condoído.

– Bom dia, Hermione – Isabella mordeu o lábio – não foi uma noite fácil, eu acho...

Assenti com a cabeça, suspirando.

Julia segurou minha mão, penalizada.

– Também estamos tristes – ela fez uma careta que, não fosse minha angústia, teria me feito rir – Teddy era um bichinho adorável, mesmo sendo.. sabe... não sendo um cão de verdade.

– É – concordei.

– Ainda tenho minhas dúvidas – Isabella piscou – sabe, mesmo agora, com todo mundo sabendo da verdade, eu ainda tenho a impressão que Teddy era uma parte bem distinta do seu namorado. Como uma segunda personalidade... – ela deu de ombros, chateada – Teddy era realmente algo único, não é?

– Sim – pela primeira vez em doze horas, senti um sorriso sincero brotar em meu rosto – impossível haver dois dele.

Isabella pareceu perceber a nostalgia em meu rosto, pois, para minha surpresa, mudou completamente de assunto.

– Bem, não vamos continuar falando sobre coisas tristes. Eu tenho é uma novidade pra vocês... – ela sorriu – adivinha quem me chamou pra sair?

Ergui a sobrancelha, por fim me distraindo ligeiramente.

– Lá vem – bufei, humorada – quem é agora?

– Arg. Não me lembre do... – ela rosnou a palavra “Temple”. Mordi a língua, me sentindo quase culpada ao lembrar do que havia acontecido – mas enfim... eu vou sair pra um passeio noturno com o Edward Cooole!

Julia fez uma dancinha estranha que quase me fez fazer xixi nas calças de tanto rir.

–Cole? Edward Cole? – ela arfou, incrédula, ainda sambando em direção ao chão – o modelo londrino??

– O próprio – Isabella cruzou os braços no peito, com a expressão aérea – a gente se conheceu no bazar beneficente do centro... ele é lindo... tão sensível e ao mesmo tempo tão viril...

– Ai. Poupe-me dos detalhes – grasnou Julia, rindo.

Encarei o olhar sonhador de Isabella e não pude deixar de sorrir. Minha doce e romântica amiga... devia estar nas nuvens.

Aliás, eu meio que entendia aquela sensação.

Ergui a cabeça, sentindo a saudade sufocar ao me lembrar de Rony – o Rony real, o humano completamente enlouquecedor que simplesmente me aprisionara em suas amarras nos últimos anos.

– Deixe de ser estraga-prazer – Isabella fungou – até por que... – ela abriu um sorriso maldoso – certa pessoa também está querendo se declarar pra alguém.

Julia ficou da cor de um tomate.

– Julia! – ofeguei, enfim rindo – ah, não. Pode dizer... quem é o grande conquistador de Julia Hawkins?

Julia ia abrir a boca para responder, mas ela se deteve subitamente, arregalando os olhos em direção á calçada.

Isabella também paralisou ao lado dela, os olhos saltados quase caindo pra fora das órbitas.

Virei a cabeça para o ponto onde elas olhavam, confusa.

E senti o mesmo choque mergulhar em meu corpo, quando percebi o que as havia espantado.

Uma pessoa nos olhava calmamente dali.

– Minha nossa... – Julia gemeu.

Meu coração, que até então batera de modo sutil e suave, simplesmente disparou em meu peito, quase arrancando o ar de meus pulmões.

Minhas pernas bambearam, pressentindo a onda de alegria e espanto que tanto queria dominar meu corpo.

Ele me encarou fixamente, aproximando-se lentamente, sem pressa, como se quisesse contemplar-me o máximo de tempo possível.

O que definitivamente me destruiu — de um modo que eu mal podia dizer se era bom ou ruim — foi fitar os mesmos olhos cheios de adoração e carinho que haviam me olhado durante aquela semana, agora emoldurados no rosto humano que residiria para sempre em meus pensamentos.

A mesma pessoa que havia feito a maior loucura para curar minhas feridas e alegrar meu coração...

Meu corpo reagiu por contra própria, jogando-me em direção ao rapaz ruivo que já estendia os braços para mim.

O abraço foi inevitável e insanamente maravilhoso.

– Rony! Rony!

Rony riu, apertando-me em seus braços, cingindo-me contra seu corpo.

Abismada, senti o dele se sacudir num inacreditável soluço.

– Ah, Hermione... – ouvi-o suspirar em meu ouvido, afagando meus cabelos.

Julia e Isabella pareciam duas cacatuas em polvorosa, rindo e se entreolhando com as expressões surpresas.

O abraço dele pareceu dissipar todas as sensações ruins que ainda residiam em mim, me fazendo sentir segura, amada e inacreditavelmente em paz.

Havia sentido uma falta terrível daquilo...

Finalmente, estava no lugar onde nada poderia me atingir.

– Senti sua falta – ele falou baixinho.

Suspirei, recostando-me ainda mais em seu ombro.

Rony, obviamente, ainda não havia tocado – e talvez não tocaria – no fato de termos ficado juntos todo esse tempo em sua forma animal. De qualquer forma, sua declaração não parecia abranger exatamente sua permanência naquela forma.

E eu entendi perfeitamente á que saudade ele se referia.

– Eu também – sorri, beijando seu rosto, radiante de felicidade.

– Ai, parem – Rony e eu olhamos para Julia, que parecia prestes á vomitar um jorro de arco-íris – essa doçura toda vai me deixar com cáries.

Isabella riu, revirando os olhos.

Senti o corpo dele sacudir com o riso, e o meu, instintivamente, se apoiou no de Rony.

A minha angústia com o que havia ocorrido ainda perturbava minha mente, mas eu estava infinitamente mais confortada agora.

Teddy até poderia ter partido, deixando um vazio significativo em meu coração.

Mas a maior parte dele sempre estaria ali, comigo, na forma daquele garoto incrível, que agora era o centro do meu mundo e a razão da minha vida.

Notas finais
Comentários? :3 Beijinhos e até o último capítulo!