Paws - Um Amor de Cão

14 O quanto algo simples pode ser complicado


Notas iniciais
Olá, pessoas lindas! Novo capítulo para vocês! ♥ Espero que gostem... Boa leitura! :3

Fiquei mais dois dias num estado de torpor angustiado.

Gina havia voltado para a Toca, para avisar a família do que havia acontecido, e, até então, ainda não havia voltado.

Dois dias. Dois dias aflitivos, sem saber o que aconteceria com Rony.

Encolhi-me na coberta, sentindo meu estômago voltar a se encolher de medo.

Quando o telefone tocou, desci tão rapidamente da cama que quase terminei de quebrar o meu tornozelo já lesionado.

Agarrei-me ao fone como se fosse um colete salva-vidas, com o coração saltando dento do peito.

– A-alô? – gaguejei, aflita.

– Srta. Granger?

– Sou eu – guinchei.

– É o Dr. Shower – engoli em seco ao reconhecer a voz do veterinário – lhe disse que iria avisar sobre qualquer coisa no quadro de recuperação do seu cão.

– Sim... sim – arfei, apertando o gancho – e então..?

Achei que meu corpo ia explodir de tanto desespero.

– Bem, fizemos exames adicionais nele hoje de manhã, e já temos o diagnóstico definitivo...

– Qual?

A voz dele ficou baixa, mas, para minha surpresa, estava indisfarçavelmente satisfeita.

– Seu cãozinho já está recuperado, Srta. Granger. Pode leva-lo para casa.

Senti meus joelhos cederem, e caí ao lado do criado-mudo, baixando a cabeça e rindo histericamente.

Ele estava bem. Rony ia ficar bem.

– Graças aos céus... – ofeguei, abraçando o telefone – finalmente... – voltei a pousar o fone em meu rosto, mal conseguindo falar direito de tanta felicidade – obrigado, Dr. Shower.

– Não há de quê, Srta. Granger. Irei libera-lo em meia hora. Pode vir busca-lo assim que quiser.

– Obrigada mesmo, doutor – solucei, sorrindo.

– Até breve, senhorita – o veterinário se despediu, desligando em seguida.

Levantei-me, sentindo a euforia dominar meu corpo.

Mamãe e papai pareceram pasmos ao me verem descer a escada com uma animação surpreendente.

Mas algo em meu rosto pareceu dispensar explicações do que havia acontecido, já que mamãe foi me abraçar, sorrindo carinhosamente.

– Ele está bem! Ele está bem! – cantarolei, apertando as mãos da minha mãe e pulando de tanta empolgação.

– Querida, se acalme – papai riu – vai machucar a outra perna!

– Ah, dá um tempo, papai – dei risada, empurrando-o de brincadeira e saltitando desengonçadamente em direção á porta da frente – vou busca-lo agora mesmo.

– Quer uma carona? – mamãe lançou um olhar realmente preocupado para minha perna enfaixada. Talvez pensasse que fora com semelhante despedida que, há dias atrás, nos acontecera aquele terrível incidente.

Mas naquele momento, a última coisa que me incomodaria seria aquele detalhe bobo. Não sentia nada, á não ser um alívio e uma alegria imensuráveis.

– Não precisa... posso pedir carona para Isabella – acenei, saindo calmamente em direção á varanda – volto logo.

Quando cheguei á murada, vi Isabella cuidando do jardim de sua casa.

Ela ergueu a cabeça acima de suas petúnias, e se ergueu com a expressão maravilhada, já lendo, em meu rosto, quais eram as novidades.

– Minha nossa – só faltei morrer de tanto rir quando ela pegou o saquinho de adubo fechado que ainda não usara e tacou na amurada seguinte, produzindo um gritinho indignado na casa ao lado – levanta daí, piranha. O Teddy vai sair do veterinário.

– Ei. Essa fala é minha – vi a cabeça de Julia surgir do muro próximo, estreitando os olhos e esfregando ao cocuruto – vai tirar a picape da garagem então, solteirona.

Isabella fechou a cara para ela, mas foi em direção á garagem, resmungando algo que soava como “se não fosse minha amiga, eu matava”.

Em questão de segundos, nós três já estávamos no carro de Isabella, indo em direção á clínica veterinária.

– Deve ter sido tenso, Hermione... – Julia murmurou, me encarando penalizada – passar esse tempo todo sem saber o que aconteceria com Teddy...

Fechei os olhos, me arrepiando ao lembrar-me da sensação horrível que me dominou durante aquele período.

Afinal, se fosse o contrário, não era apenas um amigo leal e querido que eu estaria perdendo.

Depois do que Gina dissera, me senti completamente estúpida de não ter percebido. Teddy, desde o começo, se mostrou ser a coisa mais diferente possível de um cachorro comum.

E agora, me sentia quase mal de não ter reconhecido Rony. De não ter percebido que a lealdade, o carinho, o ciúme, as malandragens e a coragem que aquele cãozinho me demonstrara desde o início eram as mesmas que eu havia visto e sentido durante sete anos de minha vida.

Gina tinha razão. Havia sido uma loucura.

Mas havia sido o maior gesto de consideração e carinho que eu jamais poderia imaginar.

Balancei a cabeça. Imprevisível, idiota e enlouquecedor Ronald Weasley.

– Teria sido muito pior – mordi o lábio, piscando para Julia – descobri que o Teddy... bem, não é... tão canino assim.

– Do que está falando, Hermione? – Isabella me olhou pelo retrovisor dianteiro, vincando a testa.

Suspirei, finalmente soltando a bomba.

– O Teddy era o Rony transfigurado esse tempo todo.

Julia deu tamanho pulo no banco que Isabella freou de susto, fazendo as três se agarrarem no carro.

– Que? – Julia estava escandalizada – o Teddy fofinho? Seu cachorrinho...? É... teu namorado? Sério?

Isabella não sabia se dava risada ou se xingava Julia por quase afogar o motor da picape.

– É – guinchei, ficando aliviada quando Isabella voltou a dirigir – eu devia ter adivinhado – bufei – devia ter desconfiado.

Julia estava da cor de um tomate maduro.

– Então... se era o Ronald esse tempo todo... – ela ficou ainda mais vermelha – parou para pensar que andamos alisando teu namorado esse tempo todo sem sabermos? Tipo, peguei teu cara no colo, Hermione. Que merda, mano.

Isabella quase freou de novo, mas limitou-se a rir, deitando a cabeça no volante.

– Você que fez carinho nele, Julia. Me tire dessa . Se arranje com a garota dele agora.

Vinquei a testa para Julia.

– Não. Não parei para pensar – cerrei os olhos – acho que nem precisava lembrar, Julia.

– Bem, pelo menos realizou seu sonho de fazer um cafuné num ruivo bonitão – brincou Isabella, se encolhendo diante de meu olhar apalermado – estou zoando, Hermione. Bate em mim não.

– Odeio vocês duas – revirei os olhos, mas, levada pela atmosfera daquelas meninas malucas, comecei a rir também.

Finalmente, estacionamos em frente á clínica.

Num átimo, descemos da picape, ansiosas para entrarmos.

A recepcionista sorriu para nós, nos cumprimentando com um meneio da cabeça.

– O veterinário já está a sua espera, Srta. Granger.

– Obrigada – assenti, chamando Julia e Isabella para entrarmos no corredor que levava aos fundos da clínica.

Meu coração batia forte, parecendo antecipar meu reencontro com Rony.

Ainda me abismava tentar conciliar a realidade de que ele e Teddy eram a mesma “pessoa”.

Como Teddy, eu conheci uma parte dele que nunca havia percebido. Não era apenas o garoto que eu amava. Era um amigo de verdade... alguém que entendia meus problemas, que me aceitava como eu era, e que simplesmente me adorava.

E, quando voltasse ao normal, eu sentiria uma saudade excruciante do cãozinho que ele havia sido – o que não fazia sentido algum, se eu parasse para pensar.

Por isso, eu tinha que aproveitar aquele reencontro.

Agora, naquele momento, não tinha que rever Rony, por que ele sempre estaria comigo no futuro adiante.

Eu ia rever Teddy. Seria a despedida de meu cãozinho... de meu último mascote.

Notas finais
Então? Comentários? Súplicas? Gritos de alívio? Beijinhos e até o próximo capítulo!