Notas iniciais
Desculpem a demora. ~Enjoy.

A vida nunca é fácil para ninguém, ela não pega leve com ninguém. Ela começa doce para alguns e amarga para outros. Paul era inteligente, todos sabiam disso, ele era uma criança mais inteligente que o normal; e esse fato chamava atenção das famílias que vinham para adotar uma criança. Ele só não podia ser adotado. Mas, conseguia a afeição e o carinho de todas as famílias ainda ajudando as crianças á serem adotadas. Isso o deixava feliz.


Os dias passavam desde que Paul recebeu a visita dos Zafre e de Remo J. Lupin no dia de seu aniversário de um ano (sem ter noção de tal feito). A rotina no orfanato continuava sendo a mesma, até nos dias de adoção, como dia 17 de novembro; que era diferente por serem antes da Ação de Graças e do natal eles via a possibilidade de dar um fim de ano feliz ás demais crianças; á algumas, ou um fio de esperança, como era para Paul. O tempo passava cauteloso, os dentes do menino cresciam e eles eram bem bonitos; o menino em si era bonito, ele tinha um sorriso bonito, um rosto bonito, e Ísis odiava ver como o menino ficava cada vez mais bonito. Ela se recusava a aceitar que ele era filho de sua irmã, ele era tão lindo; talvez pegou mais a parte do pai, do que da mãe.
Cada dia de adoção, que ocorria ao menos quatro vezes no ano; ele ainda conseguia fazer amizade com várias famílias, mas a cada pedido para o adotarem, sempre era negado pelas regras que Ísis colocou. A mulher inventiva impedimentos até sobre o que o menino podia sonhar. Houve uma semana de adoção, em que um casal, dos muitos, se afeiçoou á Paul, o casal se chamava: Perkins a mulher era morena e o homem era loiro; tinham idade para terem um filho, mas segundo eles, gostariam de ter um mais velho. E depois disso eles apareciam ao menos duas vezes por mês para tentar adotá-lo de qualquer maneira, ele entendia exatamente a situação, e sabia o que ocorria, ele sabia como era especial, para todos, menos para Ísis e a família dela.

No segundo aniversário do garoto, ele pegou um resfriado. Uma alergia, algo do tipo e ficou com uma febre. Porém, não foi por friagem nem nada, o menino era super protegido, disseram que era por tristeza. E vê-lo doente cortou o coração do Senhor e da Senhora Perkins.

—Você gostaria de alguma coisa? – Ele fungou.

—Não. – E riu. – Estou bem; vou brincar. – Ele tentou sair da cama, mas a Senhora Perkins, Evanna era o seu nome, o impediu.

—Calma menininho. – Ela o impediu de sair da cama. – Você está com febre. Está dodói. –Ele olhou em seus olhos. – Vou cuidar de você.

—Não... – Ele se assustou. – Eu vou ficar bem. Não precisa. Eu. Hoje eu não posso estar doente.

—Que isso menino... – Disse o senhor Perkins, Oliver, que se chamava Eddie. – Se acalma.

—Ela não pode ver vocês aqui... Tenho que estar bem. Tenho que parecer bem pra ela.

—Ela quem? – Evanna ergueu uma sobrancelha e passou a mão nos cabelos loiros.

—Eu! – Ísis apareceu no quarto empurrando os Perkins e encarando o menino. – Olha isso... – Disse com desdém. – Eu não acredito nisso. Mas, pensando bem; se você fosse inválido; não teria ficado vivo até agora. Não serve para morrer. Levanta que eu quero te ver. – Ele ia se levantar.

—O que você pensa que está fazendo? – Evanna resmungou. – O menino está doente. Não pode o chamar de inválido. Ele não...

—Ele nem sabe o que significa. – Ela tirou a coberta do menino e o fez ficar em pé analisando o corpo do menino.

—Mas, nós sabemos. – Falou Oliver, a encarando. – Se você falar isso de novo; ou qualquer palavra semelhante ou pior, chamaremos as autoridades e você não terá poder nenhum sobre essa criança. Eles vão tirar a sua guarda e nós poderemos ter ele se, a justiça permitir. – Ela franziu a testa e estreitou os olhos.

—Maldita justiça trouxa. Mas eu sou a tia.

—Mas, maus tratos não lhe dá nenhum direito sobre ele.

Ísis o encarou; seu marido, Joseph estava a seu lado, e a cutucou, pareceu obvio o que ele poderia fazer se ela não ficasse em silêncio. Ela encarou o casal.

—Quem são vocês?

—Eles querem me adotar! Me adotar de diverdada! – Ísis os encarou.

—É de verdade que se fala. E... Não.

—Mas, porque não? Se é a tia; porque não cuida dele?

—Porque, não é da sua conta.

—Mas...

—Eu estou bem... – ele se levantou e pulou da cama correndo para fora.

—Paul!

—O menino não pode morrer...

—Jura?

Aquele não foi o melhor aniversário, nem de longe, ele não iria ter traumas; a briga de Ísis com a Evanna foi horrível, a bronca que a freira levou por deixar casais visitá-lo. Ele passou a noite chorando. Era pequeno, mas sabia o que estava acontecendo ao seu redor.
—Tem algo de errado comigo? – Maggie encarou Paul.

—Não há nada de errado. Você é um amor. O melhor que eu já vi.

—Porque ela faz assim? Briga comigo se eu não faço nada?

—Você não entenderia...

—Eu entenderia sim.

—Se eu não entendo... Acho que você também não. Me desculpa.

—Eu acho que sou inteligente.

—Olhando bem Paul... Você é inteligente demais para a sua idade.

—Obrigada. – E ele sorriu.

Paul aprendeu que sendo inteligente ele iria entender alguns insultos de Ísis que eram ditos anualmente e ficavam na sua mente um ano inteiro, até aprender outro diferente.

“Você é uma praga Paul Arthuro. Indesejável praga. ”
Isso lhe foi dito aos 3 anos. E ele entendeu que ele era como uma ferida, como algo ruim que apareceu na vida de Ísis. Ele tentava pegar algo de positivo nisso, mas; não conseguiu achar algo plausível.

“Mais sou desejável em outras famílias! ”
Ele conseguiu pensar. E se acalmava.

“Eu olho para você e a única coisa que eu consigo sentir é nojo! ”
Com 4 anos ele ouviu e refletiu que ele não era nojento, Ísis era nojenta segundo Maggie que depois tinha que se desculpar com Deus pois ela estava errada e isso era feio da parte dela e principalmente de Ísis.

Com 5 anos foi divertido rever Remo J. Lupin, fora do orfanato e ele dentro, com Maggie ao seu lado; foi chato ouvir Ísis brigando com ele novamente.

—E ela te chamou de que?

—Vou ter que pedir para que vá embora senhor...

—Maggie... – Remo falou. – Está tudo bem. Eu não entro, ele não sai, se acalme. – Do que ela te chamou Paul? Você se lembra?

—Sim. Primeiro ela disse que minha mãe foi uma inútil e meu pai era um amaldiçoado (...)

—Mas por...

—Depois ela disse que minha mãe não me quis, depois que eu era uma praga, depois que sentia nojo de mim e hoje ela disse: “Você é um estorvo, não faz nada direito, nem respirar, nem deveria ter nascido. ” – Ele remendou ela de uma forma grossa, Reno tampou a boca dele.

—Opa. Chega! Tudo isso hoje?

—Na verdade... – Começou Maggie. – Desculpe interromper; mas, ao longo dos anos ela falou tudo isso para ele ao longo dos anos. Ele se lembrar desde pequeno não é estranho dado pela idade dele? – Remo riu. – Não?

—Ele é inteligente e tem uma ótima memória. Magnifico! – Paul sorriu. – Não ligue para Ísis, ela não tem um bom coração como você.

—Eu tenho um coração bom?

—Tem; Você é o próprio coração bom. Você devia ter ouvido isso antes...

—Tá tudo bem...

Depois dos cinco anos dele, Isis começou á ir sozinha visitar Paul. E em cada aniversário e sempre que podia acabava o ameaçando por vezes dizendo que tudo e todos ao seu redor eram maus, ele devia ficar só e a vida seria melhor se ele continuasse ali dentro.

Mas, ele ainda implorava para ir para uma família, chorava para ser adotado, porém, Isis tornava todo aquele sonho horripilante, aterrorizador e cruel; eram palavras de desprezo, e para seu desespero Remo não voltou de qualquer lugar que fosse. As conversas com Isis eram tão sombrias que ela mesma desejou ter dado fim em sua vida quando o menino estava no ventre da mãe, ele era um ser inutilizável que deveria ficar preso ali para sempre. Aquilo o deixava amargo e cada palavra o frustrava, depois de velho ficava triste, porque ela mesma não estava querendo aceitar ser a tia dele, tinha uma parte do mesmo sangue, e não queria dá-lo para adoção; ele acabou criando olheiras depois disso, mas, não escondiam seus olhos claros. Cada ameaça de Ísis o deixava desesperado.
Ele crescia sempre querendo agradar a todos: educado, sorridente, amoroso e carinhoso, aprendeu a falar francês e italiano, tudo sozinho, e mesmo que se orgulhava, fazia de contava que nem ligava. Ele era magro e um garoto misterioso, porém, sorridente. Um fato interessante é que no seu segundo aniversário tinha o cabelo preto, no terceiro loiro, no quarto negro e até o próximo ia clareando até ficar loiro e depois de uns meses ia escurecendo, no caso seus cabelos estavam ficando castanhos escuros e seu coração apertado, Isis conseguia deixa-lo cada vez mais triste com cada palavra pelo fato do seu cabelo estranho, aquilo estava o mudando, fazendo ser mais perfeccionista e agradando todo mundo, falando o que queriam ouvir, concordando com que era possível sempre agradando a todos. No verão quando Ísis não aparecia ele ficava do lado de fora do orfanato conversando com as visitas e ajudando os novos pais á escolherem seus novos filhos, era um prazer que ele não sabia explicar de onde vinha. Só era divertido.

De acordo com Ísis ele não devia sair do orfanato, devia ficar lá dentro o tempo todo para sua proteção; mesmo que ele visse isso como uma ordem impossível de se cumprir, todo dia depois do café da manhã ele saia do orfanato em direção a uma grande árvore que existia em frente ao hall de entrada, ali ele ficava a vista de todos, deitado e esticado na grama olhando para o céu, mesmo que estivesse nevando ou fazendo sol, ele ficava sempre no mesmo lugar, parado, intacto esperando que algo de bom acontecesse. Que Remo aparecesse com doces para ele. Há quem dissesse que ele nunca foi maltratado por ninguém, nem apanhou ou ficou de castigo... Mas, as palavras da sua tia valiam mais que qualquer tapa, qualquer soco, qualquer castigo, por que por cartas e pessoalmente ela sempre fora maldosa.

“Se eu pudesse te matava. Cale a boca e ouça-me, seu mal criado! ”
“É com um triste pesar que eu lhe desejo vida longa. Por que estou achando que você não vai morrer tão cedo. ”
Cada frase ficava rodando em sua mente.
Ele não entendia a dor da ira da tia, não sabia o porquê ela o tratava assim, ela pedia silêncio e educadamente Paul obedecia, por um bom tempo ele não falou com ninguém, estava aprendendo á sentir a dor sozinho.

Ísis continuou á critica-lo, brigar, humilha-lo, e enche-lo com ideias que fizeram acabar chorando na frente dela até chegar ao dia em que ele não queria sair do quarto. Suas palavras iam o machucando, diariamente rodando em sua mente o deixando triste. Parou de conversar com Maggie excessivamente, não contava seus sonhos e até havia tentado fugir, mais teve que voltar, não tinha lugar para ir, daria exemplo para outras crianças fugirem e Ísis ficaria estressada com ele.

“Você atrapalha minha vida mesmo longe, seu imundo devia ter morrido junto com sua mãe. ”

Cada ano aquilo piorava, no último ela conseguiu dar um soco no nele com ajuda de Melody que falou um milhão de palavras frustrantes, feias, torturantes para ele, estas incluíam que quando ela puder se livrar dele ele pagaria pelos erros de seus pais. Toda vez que ele perguntava da sua família Isis rodeava e no fundo ele não sabia de nada. No fundo ele sabia que aquilo mudaria, ele sabia que mudaria de um jeito ou de outro. Já que todos haviam tomado o exemplo dele, ele não precisava conversar sempre com todo mundo.

Aquilo ia mudar.

—Paul... – Maggie havia entrado em seu quarto com um sorriso no rosto, e aparentemente preocupada. Ele não saia do quarto á um tempo.

—Sim? – Ele se levantou de sua cama, faltava poucos dias para Ísis aparecer sorrateiramente e como uma bruxa amaldiçoá-lo. Ou como sempre aparecer do nada. – Precisa de ajuda em algo?

—Exatamente! Inteligente como sempre! – Maggie sorriu e Paul saiu da cama, bagunçando os cabelos e esfregando os olhos. – Há uma nova moradora e acho que ela não está se sentindo muito à vontade; será que o nosso grande anfitrião poderia ajuda-la? Você é bom nisso. – Ele calçou os sapatos todo feliz, não era Ísis, ele não teria que ouvir Melody... Ao menos era o que ele pensava Maggie já usou esse truque para ele sair do quarto e Ísis para vê-lo. – Ele parou.

—Não é um truque, né? – Ela se corou.

—Dessa vez não.

Paul não era o morador mais velho dali, só era o mais comunicativo, o mais gracioso, o mais educado e o que já sabia lidar com pessoal novo. E ele ficava feliz em ser bom em alguma coisa, não era um inútil como Ísis dizia. Quando chegaram ao hall de entrada havia mesmo uma menininha aparentemente frágil na entrada, ela não parava de espirrar, de se coçar e de evitar tocar nas pessoas; ela parecia alérgica. Seus olhos tão verdes como esmeraldas, cabelos escuros e uma pele como chocolate, expressivamente divina. Ele sorriu se aproximou da garota e esticou a mão.

—Bom dia, como vai tudo bem? Eu me chamo Paul! – A garota não esticou a mão, não olhou em seus olhos, abaixou a cabeça e ficou brincando com seus dedos. – Aan, eu sou o Paul. Não me chamo, quem me chama são os outros; Paul Arthuro. – Ele se abaixou um pouco e ela olhou naqueles olhos azuis ficando levemente corada e colocando a mão no rosto, ele riu e segurando sua testa, levantou sua cabeça ela era mais baixa que Paul então foi fácil fazê-lo olhar para ele. – Olá? Faremos o possível para sermos bons amigos?

Ela parecia surpresa com o toque dele e dando um grunhido se faltou dele e colocou as mãos no rosto só deixando os olhos verdes à mostra.

Paul olhou para Maggie ele havia encontrado um desafio.

—Você fala? – Ela continuou imóvel e incomunicável. – Vem comigo. – Ele pegou em sua mão e saiu correndo para os fundos do orfanato onde tinha um parquinho, várias crianças estavam ali brincando e a menina sentiu um incomodo e se esforçou para querer sair dali, Paul a forçou á ficar, mais ela era forte demais. – Calma!

—Me solta! – Ela pediu sem ar e saiu correndo para dentro, Paul riu, ela falava; ele deu a volta e saiu correndo atrás dela que desviava de todo mundo, ele franziu os olhos e foi a seguindo mais devagar. Ela subiu para os dormitórios algo estava a incomodando quando ela chegou ao final do corredor ele riu. Era uma fuga. Ela não tinha como fugir, nem para onde fugir. Ela o encarou.

—Aan... No sótão não tem ninguém; vai pra lá. Bem ali... – E foi exatamente para lá que a menina correu subindo as escadas, desesperada, Paul suspirou e subiu atrás dela.

Quando ela chegou ao sótão estava descansando e se coçando, Paul se aproximou dela com um belo sorriso, ela parecia assustada, por isso ele ficou afastado dela o suficiente para poderem conversar.

—Eu sou o Paul Arthuro. Quem é você? – Ela não respondia. – Tudo bem? Quantos anos você tem? Eu tenho oito... – Ela lhe mostrou sete dedos. – Ah; sete anos, temos a diferença de um ano. E qual é o seu nome?

A menina se aproximou de Paul e tocou em sua testa e foi para trás, ele pareceu surpreso dessa vez. Ela estava surpresa.

—Você não é um trouxa. – Ela se afastou mais alguns passos. –Nem um aborto ou um mestiço. É um sangue puro! – Ela se afastou mais ainda. – Maryle.

—Um o que? –Paul ficou em silêncio.

—Nada. – Ela abaixou a cabeça. – “Sangue Puro” – Ela sussurrou.

—Seu nome é Maryle? – Ela acenou. – Maryle de que?

—Só Maryle...

—Posso me aproximar? – Ela acenou positivamente. – Então, Maryle, o que houve para você vir pra cá?

— A pessoa que cuidava de mim morreu. – Paul respirou fundo.

— Meus pêsames. – Ela afirmou. – E seus pais?

—Minha mãe morreu injustamente e meu pai não foi encontrado vivo. Dizem que eu sou francesa e... – Paul se empolgou.

—Francesa? Então o que faz aqui? Eu falo um pouco de francês e... – Ele estava empolgado.

—Eu não falo nada. – Ele se aquietou. – Estou esperando alguém vir me buscar.

—Alguém? Existe alguém para você? – Eles eram tão parecidos, não faziam ideia do passado, nem de onde vieram, estavam sozinhos. Ela por pouco tempo.

—Creio que sim.

—E se não tiver? – Ela ficou em silêncio; seu corpo se contorceu e ela o abraçou chorando, seu gemido e choro eram silenciosos, porém causava um grande desconforto, ela começou á soluçar.

—Quem sou eu? Apenas Maryle? Maryle de que? Eu estou com medo, talvez eu nunca tenha uma família, um pai ou uma mãe... Um tio, tias, primos ou irmãos, eu não tenho identidade, cidade, um aniversário, eu... – Uma energia emanou dela, Paul se sentiu enfraquecido, confuso, tonto e revolto, por um instante ele ficou tonto.

O garoto engoliu em seco, a menina estava desnorteada e triste. Paul tentou se concentrar o máximo que podia porque a força que emanava dela era como o efeito de um sonífero ou de uma droga. Um remédio muito forte. Ele a encarou, se afastou. Ela parou de chorar e o olhou. Ela ficou em silêncio paralisada e focada nele. Ele se aproximou dela tocando em seus pés, que ao sentirem o toque se afastaram.

— Olha; eu também não vou ter uma mãe, nem um pai, nem irmãos, tios (...) Tá, eu tinha uma avó, uma tia e um tio; dois primos e sabe? Eles me odeiam! – A frase saiu ferindo a sua garganta. – Fariam de tudo para eu ficar bem longe deles e em todo o meu aniversário eles veem aqui para falar um monte de coisas ruins sobre mim e de quando eu nasci; todo mundo me odeia.

—Impossível.

—Tão possível quanto meu cabelo muda de cor. – Ela o olhou e quis rir, mas engoliu a risada. – Hoje ele está castanho escuro logo ele vai estar preto; depois vai clarear e ficar loiro...

—Não tem como. Não existe isso. – Ela falou de modo arrogante.

—Tem sim; — Ele riu. – Eu acho que sou uma aberração da natureza. – Ela ficou sem jeito e magicamente se corou.

—Uma aberração bonita... – Paul revirou os olhos todo feliz. – Encantado.

—Acho que nisso, nós dois somos. – Ele recebeu um belo sorriso e ele o devolveu.

—Uma aberração?

—Encantadores.

No final havia uma única exceção que era bem difícil de ser comprida. Que era ela ficar em um quarto sozinha, comer sozinha e ficar sozinha enquanto estivesse ali, e graças a ele tudo foi seguido à risca, pois só assim ela se sentia bem. Por incrível que pareça Paul conseguia conversar com Maryle quando sua tia vinha visita-lo, ela conseguia fazê-lo rir e só perto dele que ela não ficava irritada, nem espirrava, ou perdia o ar, a alergia passava, na verdade, não existia.

Era mais um belo dia que surgia em Londres, Paul havia acordado Maryle mais cedo para tomar o café e tomou o seu em seguida.

—Eu posso te trazer umas conchas da praia. – Comentou menina ao lembrar que Paul não poderia ir com ela ver as ondas do mar novamente, ela teria que ir sozinha independente do mês que fosse ela adorava o clima cinzento. – Um pouco de areia se me der um pote.

—Sempre me traz areia da praia. – Ele riu. – Junto com seus tênis e sapatos.

—Pedras? Estrelas do mar? Algas? – Ele sacudiu a cabeça.

—Eu não quero nada, talvez um peixe vivo. Serve? – Maryle revirou os olhos.

—Bobo você hein?

—Já fui chamado de encantado. – Ela riu envergonhada.

No seu aniversário de dez anos, ele sabia que Isis chegaria á qualquer momento, dessa vez ele iria concordar com tudo, que sempre foi e será um peso para ela e que a morte e a tristeza de quem quer que seja foi tudo culpa dele. Que ele pagará quando ele puder, que a vida o amaldiçoou colocando ele do lado de Isis e tal. Não adiantaria fugir, ou ficar no quarto, pois ela queria vê-lo e ter certeza de que ele estaria ali, vivo e saudável. Quando chegava novembro ele se entristecia completamente, fingia-se feliz mais não estava completamente tão feliz como isso era possível?
Ele imaginava que poderia ser aceito em uma família, com irmãos mais velhos, ou irmãs mais velhas brigando com ele por demorar no banheiro e ele dando á elas conselhos de relacionamento, seria tão divertido, mas era impossível. Ele então tentou inutilmente e várias vezes ir para a família de sua tia mandando cartas para Ísis implorando para ele poder ficar lá um tempo, uns dias, numa festa de ano no seu aniversário, mas foi negado todas às vezes, tanto por carta, como por boca então ele simplesmente desistiu na última vez que foi no verão.
Ainda vendo o céu do outono alguns passos o incomodaram, mesmo que sua infância conseguia ser entre tranquila, entre irritante, entre desprezível, triste por completo. Se não fosse o peso de alguém e nem preso sem motivo ele poderia ter outra família; aqueles passos não eram de Maryle e ignorou. Continuou pensando se devia odiar quando uma família simplesmente gostava dele, se afeiçoavam á ele e ele também e no final simplesmente não podiam levá-lo pelas ordens de Ísis que nem o deixava passear, nem o deixava ser adotado, nem levava ele para casa, nem a, nem b; ele era tão amável; o que raios ele tinha que todo mundo gostava dele? Os passos estavam tirando sua atenção.

—Bom dia Senhor Aflen; á quanto tempo. Feliz aniversário. – Paul se virou assustado para onde o saudou então seu coração disparou, ele o viu. – Eu não trouxe um presente grande...

Paul ficou paralisado, levantou a cabeça e olhou para quem não via muito tempo, Remo J. Lupin, um sorriso escorreu por seus lábios o fazendo pular da grama e correndo para os braços fracos de Remo, mais estava perfeito, mesmo com a roupa rasgada, mesmo com aquele olhar cansado, ele era tudo o que ele queria ver naquele dia. Seus braços tremiam e ele mal conseguia se mexer. Seu coração pulou mal conseguia conter a emoção. Esse era a carta na manga quando dizia á si mesmo “precisa-se feliz Paul; eu preciso ser feliz”

—Sr. Lupin, porque sumiu? – Sua voz saiu em um desespero, como ele não queria ver sua tia hoje. – Achei que não ia voltar mais. Nunca mais. Você sumiu por completo. Eu... Ah, Senhor Lupin... – Paul o abraçou forte, Remo foi o mais próximo que ele tinha de uma família. – Céus, eu acho que fiquei com saudades. Você já é um presente hoje. Como eu estou feliz...

Notas finais
Quero reviews... Quero saber o que estão achando da minha história, até o próximo capítulo. ♥Beijos da Autora♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.