Patty A Imortal
2 Capítulo 2
Capitulo II
Começou a trovejar a nossa volta,passando cada vez mais perto, como se eles quisessem nos acertar.
Ate que um raio passou cortando pela minha pele do meu braço esquerdo, fazendo a moto derrapar na estrada.
Sinto como se meu corpo tivesse pegando fogo. Tento lutar, mas é inútil.
O ardor cresceu – aumentou,foi ao máximo,depois tornou a aumentar.
Tudo que eu quero nesse momento é morrer. Nunca ter nascido. Nada em toda a minha vida compensava a dor. Não valia a pena suportar aquilo por mais um batimento cardíaco.
Eu queria gritar,implorar para que me matassem,mas não consegui encontrar minha voz,assim como o resto do meu corpo.
Poderia ter sido horas,dias,semanas ou ate anos. E tudo, que eu sabia era, consciência da dor e,nada mais.
E por um período indeterminado era só a dor.
Uma coisa aconteceu simultaneamente,eu começava a ficar mais forte.
Podia sentir o controle do meu corpo voltar cada vez mais rápido.
Embora o fogo não tivesse passado nem um grau,descobri que podia pensar em meio aquilo.
Minha audição estava cada vez mais clara,e eu podia contar o batimento frenético do meu coração para marcar o tempo.
Eu podia contar a respiração fraca que arfava através dos meus dentes.
Continuei a ficar mais forte,meus pensamentos, mais claros. Quando novos ruídos surgiam,eu podia ouvi-los.
Ouvi passos leves,o sussurro do ar deslocado por uma porta que se abria.Os passos ficaram mais próximos e senti a pressão na minha bochecha,e na face interna de meu pulso. Senti minha pele, onde ouve a pressão, ficar mais quente.
_Cléo. Você tem de voltar para mim. Por favor – disse entre soluços. – Você precisa voltar. Eu te amo volta pra mim.
Então a porta se abriu novamente,mas ele,meu Isau,não havia saído do meu lado.
_Seth não adianta nada você ficar vindo aqui.
_Carlisle o coração dela esta mais rápido,e se ela for morrer? Alice não vê mais o futuro dela.
_Seth! Alice não a vê por que você esta sempre no caminho. – Um riso baixo e tenso ele deixou escapar. Um rosnado baixo e grave Seth soltou. – De um tempo ao tempo. Ela não sofreu muitos danos,as duas pernas dela já estão se curando.
Eles continuaram a conversar mas,eu parei de escutar. A boa noticia é que tinha começado a diminuir na ponta dos dedos das mãos e dos pés. Diminuindo rapidamente;pelo menos algo novo. Tinha que ser isso. A dor estava passando.
E depois a má noticia. O fogo em minha garganta não era o mesmo de antes. Eu não estava só em chamas,mas agora também estava ressecada. Seca como osso. Com muita sede. Ardendo em chamas e ardendo de sede...
Outra má noticia:o fogo em meu coração ficou mais quente.
Meu batimento cardíaco,já rápido demais, se acelerou – o fogo impelia as batidas a um ritmo novo e frenético.
_Carlisle!!
_Seth. Vá chamar o Dr. Bruno agora. Vai Seth!
Meus dedos se retorceram. Carlisle suspendeu a respiração e se moveu rapidamente,preparando algo ao meu lado.
E então ...
Meu coração saltou,batendo como hélices de helicóptero,o som quase uma nota única e continua;parecia que ia moer minhas costelas. O fogo subiu pelo centro do peito,sugando as chamas do restante do meu corpo para servir de combustível ao calor ainda mais abrasador.
O fogo estava condenado,tendo consumido tudo o que era combustível;meu coração galopava para sua ultima batida.
Meu coração falhou duas vezes,então bateu novamente,baixinho,outra única vez.
Por um momento,a ausência de dor era tudo que eu podia compreender.
E então abri os olhos e fitei o alto.
Tudo estava tão claro,como nunca esteve.
Nítido. Definido.
A luz forte no alto ainda era ofuscante,e no entanto eu podia ver muito bem os filamentos cintilantes dentro da lâmpada. Podia ver cada cor do arco-íris na luz branca ,e na extremidade do espectro uma oitava cor para a qual eu não tinha nome.
Ouvi o barulho da respiração de Carlisle se acelerar.
Só percebi que Carlisle segurava minha mão quando ele a apertou suavemente,e meu corpo reagiu ao toque desconhecido.
O ar sibilou por minha garganta ,passando entre meus dentes trincados com um som baixo e ameaçador. Antes que o som saísse,meus músculos se enrijeceram e contraíram,afastando-se do desconhecido. Eu girei tão rápido que o quarto devia ter se transformado em um borrão incompreensível – mas isso não aconteceu.
Vi cada grão de poeira,cada fio solto em detalhes microscópicos quando meus olhos dispararam por eles.
Então me vi agachada contra a parede,na defensiva.
Mantive a pose por mais meio segundo,adaptando-me à cena à minha frente.
Carlisle se aproximava lentamente;os olhos com preocupação.
_Como? Você esta bem Patrícia?
Pensei naquilo,mas não respondi. Então a porta se abriu novamente. O vento sopro um cheiro amadeirado e almiscarado,não resisti em olhar para ver o que era.
Vi que era Seth.
De repente o calor me inundo, era um novo calor – não queimava.
Tudo em mim se desfez enquanto eu olhava o seu rosto. Todas as linhas que me prendia á minha vida foram rompidas em golpes rápidos, como se alguém cortasse as cordas de um feixe de balões de gás. Tudo o que me tornava quem eu era, desconectou-se de mim naquele segundo e flutuou para o espaço.
Mas não fiquei á deriva. Um novo fio me prendia onde eu estava.
Não um fio, mas um milhão deles. Fios não, cabos de aço. Um milhão de cabos de aço me prendendo a uma única coisa – ao próprio centro do Universo.
Podia perceber isso agora – como o Universo girava em torno daquele único ponto. Eu nunca tinha enxergado a simetria do Universo, mas agora ela era clara.
A gravidade da Terra não me prendia mais ao lugar em que eu estava.
Então sai de minha postura de defesa. Ele veio andando lentamente ate mim.
Seth estendeu a mão,inseguro,e afagou meu rosto com a ponta dos dedos. Liso como cetim,macio como pena,só a temperatura mais alta que a minha.
A sensação era de formigamento,eletrizante.
Mas enquanto a mão de Seth se moldava ao meu rosto, o desejo percorreu minhas veias ressecadas,da cabeça aos pés.
Seth pegou meu rosto entre as mãos e aproximou o dele. Ele me beijou,delicadamente como um sussurro,no inicio,depois subitamente mais forte,mais feroz.
Então se afastou. Pelo visto ele estava tão confuso como eu.
_Carlisle?
_Fique aqui com ela,vou fazer com que ninguém entre aqui. Não queremos mortos.
Deitei na cama e fechei os olhos pensando no que acabara de acontecer.
Ele se sentou a meu lado e pegou minha mão.
_Ate a ultima estrela apagar,eu juro que quero estar com você. – Ele estava perto,perto de mais,não pude parar para pensar no que estava fazendo.
Nos segundo beijo já foi subitamente mais forte,mais feroz do que o primeiro,agora já sabíamos que pertencíamos um ao outro e mais ninguém.
Ouvimos passos rápidos,o sussurro do ar deslocado pela porta que se abria. O cheiro me atingiu como uma bola, como um bastão de jogo. A sede queimou a minha garganta como fogo. Minha boca estava torrada e desidratada. O fluxo fresco de veneno não fez nada para dissipar essa sensação. Meu estômago revirou com o fome que era um eco da sede. Meus músculos se contraíam e descontraíam.
Então todo meu corpo ficou rígido,Seth sentiu também o cheiro e se alinhou para ficar atrás de mim.
Quando meus olhos se desviaram do rosto de Seth,vi o Dr. Bruno e, não me lembrei de mais nada. O sangue apareceu nas bochechas dele,deixando a pele dele com a cor mais deliciosa que eu já havia visto. O cheiro era uma grossa neblina no meu cérebro. Eu mal conseguia pensar através dela.
Então percebi por que, Seth havia mudado de posição para me manter presa em seus braços.
_Seth eu não quero te machucar,então me solta por favor. – sussurrei.
_Não. – Sussurrou,então levantou a voz para falar com o medico. – Doutor esta tudo bem,Carlisle só foi pegar umas coisas e já esta voltando. – Seu tom de voz era muito despreocupado para alguém que estava segurando uma vampira ou sei lá o que.
Então o Dr. Cullen abriu a porta e deu um sorriso despreocupado para ele.
_Dr. Cullen. – cumprimentou – Vejo que você conseguiu tira a Srta. Lopez do coma.
_Eu não fiz nada, — disse com um leve sorriso. – Ela simplesmente acordou.
_A mãe dela ficara feliz em saber disso.
_É,mas vamos contar depois,sabe temos que fazer os exames.
_Claro. Com licença Carlisle.
Então ele saiu. Seth não relaxou em nenhum momento. Com movimentos leve,coloque minha cabeça em seu ombro. Carlisle veio ate a beirada da cama.
_Aqui. – E me entregou uma bolsa de sangue. Olhei para bolsa e para os dois. – Você precisa se alimentar se for realmente Cléo DeVane.
_Mas eu não sou Cléo DeVane.
_Não podemos arriscar.
Assim que as primeiras gotas do sangue caíram em minha boca,eu simultaneamente quis mais. Em meio segundo a bolsa já estava vazia. Carlisle entregou a outra bolsa. Seth começava a brincar com algumas mechas do meu cabelo.
Assim que acabou a outra bolsa,voltei a apoiar a cabeça no ombro dele. Ele era tão quente e macio,seus braços me envolveram e me alinharam no seu peito. Carlisle saiu,provavelmente para ver outros pacientes. Nossas mãos estavam entrelaçadas e não tinha nada que pudesse nos separa. Esse pensamento me fez sorri.
Seu nariz roçou subindo meu ombro ate que parou perto de meus lábios,parecendo querer um convite. Seus lábios quentes e macios eram delicados nos meus,talvez ele esperasse que eu saísse correndo.
Meus dedos agarraram seu cabelo,puxando para mais perto de mim. Sua mão ardente encontrou a pele da base de minhas costas – fazendo com que eu senti-se novamente a sensação de formigamento – e ele me puxou para a frente,curvando meu corpo contra o dele.
Depois seus dois braços estavam fechados em minha cintura e seus lábios encontraram minha orelha.
_Você devia ter sido assim a milênios atrás. – Sussurrou.
_E você podia ter falado que me amava antes.
_Ótimo, — disse uma voz roca nos fez pular – os dois pombinhos podem olhar para mim?
Seth ficou na minha frente em posição de defesa e, meus olhos ficaram em um tom avermelhado. Vimos um homem alto de cabelos e barba longos e brancos, – ele usava roupas tão antiquadas para um paciente –,andou ate uma das camas e se sentando.
_Filha não se lembraste de teu pai? – sua voz não era familiar,assim como seu rosto. – Sou eu Poseidon. Teu pai.
Um som grave escapou dentre meus dentes trincando.
_Eu não tenho pai! – disse para que ele. – Nunca tive. Você é pai de Cléo DeVane que não sou eu.
_Isau,tão protetor. Daí nos licença.
_Não. Quem tem de nos dar licença é você. Ela já não disse que não tem pai. – Seth estava tremendo. E a nevoa avermelhada banhava meus olhos. O calor descia aos tremores por minha espinha.
_Vejo você quando colocar o cachorro pra rua. Cléo DeVane. – Com um pequeno sorriso ele desapareceu.
_É Cléo você deveria se acalmar.
Olhei confusa para ele e me vi em seus olhos o animal que eu transformei. Meus olhos vermelhos estavam num rosto meio canino. Seth afagou meu rosto com a ponta dos dedos e a sensação que isso me provocou fez com que eu voltasse a forma humana.
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