Patronwood - Entre luz e trevas

8 Capítulo VIII - Intempestiva


Notas iniciais
Olá, queridos leitores! Eu sei que demorei, mas as coisas estavam bastante corridas para mim, então, acho que mereço suas desculpas, não é? hahah :/ Aqui está mais um capítulo recheado com mais revelações. Spoiler: Para os que sentiram falta de Derek e Violet, ai está ;) Aproveitem e por favor, REVIEWS!

Ele….

Baixei as mãos devagar e abri os olhos.

Inimaginável.

Um festival de folhas secas e poeira girava em volta de mim, mas a uma distância que não me atingia, era como se eu estivesse dentro de um globo invisível.

– Derek, eu não consigo! — disse em meio ao choro.

A concentração de folhas e o barulho cresceu mais ainda e eu não podia ver nada, por conta da poeira escura que se instalava ao redor.

Meu globo estava diminuindo. Pensei que ia ser sufocada. Era como estar bem no meio de um tornado.

Cai de joelhos e gritei. Poucos segundos depois senti braços me envolverem e o formigamento deslizar sobre minha pele. Simultaneamente, abri os olhos, assistindo às folhas caírem e a poeira baixar.

– Derek… — sussurrei abraçando-o apertado.

– Shhh… — ele acariciou meus cabelos e minhas costas. — Está tudo bem. Acalme-se. — mal sabia ele que sua voz rouca funcionava como o melhor calmante.

– O que está acontecendo comigo? Porque eu? — olhei em seus olhos.

– Talvez não exista resposta para a segunda pergunta. — disse Derek, fitando-me.

– Tudo tem sido muito difícil… — sussurrei.

– Eu sei, eu sei… — ele limpou meu rosto e acariciou minha bochecha. — O que foi isso?

– Nada. — respondi enquanto ele se levantava e me ajudava a me erguer. Só então notei que nós dois estivemos ajoelhados.

Toquei a bochecha na qual meu tio dera a bofetada que certamente estava marcada.

– Aaron, não foi? — adivinhou ele com a expressão soturna.

– Meu tio quer que eu faça as coisas do jeito dele e eu não vou aceitar esse tipo de imposição. — disse séria, recuperada do rompante.

– Você está certa. Ele é um covarde por maltratá-la desta maneira! Eu vou… — suas mãos estavam fechadas em punho. Percebi uma fúria crescente nublando seus olhos verdes.

– Você não vai fazer nada. — segurei suas mãos no intuito de acalmá-lo. — Sou eu quem tenho que me virar.

Primeiro. Eu não podia deixar que houvesse um confronto direto entre meu tio e Derek, pelo jeito que eles se olharam no dia em que Lumynus me levara para casa, consegui sentir no ar um grande conflito entre os dois homens.

Segundo. Era um problema meu e de minha família.

Terceiro. A ligação entre mim e Derek era perturbadora ao ao mesmo tempo clara, como as águas de um rio cristalino, e eu não podia deixar que ela se abalasse. Eu não queria deixar.

Antes que qualquer palavra pudesse sair de sua boca, aproximei meus lábios dos dele e o beijei. Derek logo correspondeu, seus lábios assumindo uma postura cada vez mais urgente ante os meus. Suas mãos agarraram meus pulsos prendendo-os em minhas costas ao mesmo tempo que ele me empurrava até o que imaginei ser a árvore mais próxima ao sentir a textura áspera contra meus braços e costas. As mãos hábeis do rapaz seguraram forte minha cintura e tocaram minha pele por baixo da blusa, o formigamento que senti com seu toque nesse momento foi pungente e quente. Eu precisava de ar. Mordi a ponto do lábio inferior dele antes de me afastar.

– Preciso contar-lhe algo. — ele sussurrou no meu ouvido, soou sexy, porém até mesmo seu sussurro parecia o de quem não estava muito animado com o assunto que viria.

– Mas e a aula? — perguntei preocupada.

– Laurier viu quando vim atrás de você, se qualquer coisa acontecer, ela sabe que está comigo. Além do mais, assumirei toda a responsabilidade.

Achei estranho aquele tom sério e formal que Derek assumiu, então não discuti mais e o segui.

Entramos na floresta, ele me levava pela mão, infiltrando-se cada vez mais no meio da densidade de árvores e arbustos. Em alguns momentos precisamos até nos abaixar para passar entre um troncos caídos e galhos enormes de pinheiros e outras árvores que estavam caídas. Aliás, aquela floresta parecia possuir todos os tipos de árvores, o que considerando a região e o clima, era um fato inacreditável. Por duas vezes, deslizei pelas folhas de samambaias que forravam o chão molhado, mas Derek me segurou ora praguejando minha falta de jeito, ora rindo discretamente.

– Seu equilíbrio me fascina. — ironizou ele.

– Obrigada, Sir. — fiz uma careta.

Após uns trinta minutos de caminhada, chegamos ao que parecia ser um antigo riacho por onde já não corria água. Lá era mais escuro, pois havia, tapando os raios de sol, uma cortina de trepadeiras, que corria ao longo das árvores localizadas à esquerda do riacho e rochas escuras e elevadas, cobrindo-as quase que totalmente. Alguns galhos e pontas de rocha irrompiam aqui e ali. Observei curiosa.

– O riacho teve seu percurso desviado, precisávamos de maior acessibilidade. — disse Derek, levando-me em direção aos arbustos.

Ele parou, olhou para os lados e entrou em meio àquelas plantas, fiquei parada de olhos arregalados.

– Você vem? — ouvi a voz dele, que já havia desaparecido.

– Vou aonde? — estava desconfiada.

– Confie em mim Violet, apenas me siga.

Respirei profundamente e então entrei pelo mesmo caminho. Embolei-me ao sair, ficando com o sapato preso, puxei meu pé e só então olhei para o que estava ao meu redor.

Um caverna em tons amarelos com estalactites pendendo do teto e um pequeno lago cristalino à frente, contento uma única estalagmite no centro. Aliás, no teto, há muitos metros de altura, um circulo perfeito mostrava o céu azul do dia. Mesmo assim, era pouco iluminado, o que deixava a caverna ainda mais fascinante.

– É lindo… — comentei, maravilhada. Minha voz retornou em eco. — Como você descobriu esse lugar?

– Tem mais. — ele me puxou pela mão, viramos à direita e demos de cara com um corredor estreito, Derek precisava andar à frente e eu atrás dele. Passamos por um emaranhado de corredores, eu nunca conseguiria sair dali sozinha. Eram verdeiros túneis e escuros ainda por cima. Agarrei os ombros de Derek.

– Está tudo bem, já estamos chegando. — ele me tranquilizou.

– Chegando onde? — eu estava ficando desesperada.

– Aqui. — ele se abaixou e eu o imitei. Ouvi um farfalhar de folhas ao atravessarmos mais arbustos e finalmente, havia claridade.

Prendi a respiração com a dádiva que estava à minha frente: gramados que se estendiam até onde minha visão não podia enxergar. Flores de todos os tipos e cores. Árvores espetaculares e desconhecidas, retirando os salgueiros, que vi nos livros da escola da minha Colônia. Um lago mais bonito que o da caverna e num pequeno e não muito longe planalto a leste, uma chalé charmoso e que até vendo de fora, parecia ser aconchegante.

Ao mesmo tempo que a pequena casa surgia como um contraste gritante com o lugar que a rodeava, parecia também fazer parte dele. O céu poderia ser o mais incrível de tudo, muito diferente do que estava lá fora, completamente tomado por nuvens em tons que iam do branco ao acinzentado, ora nublado, ora claro. Incrível.

“Paraíso de fadas” foi o que veio a minha mente enquanto eu contemplava aquela paisagem perfeita.

– Onde… Como... ? — ergui as palmas das mãos sem conseguir formar uma pergunta coerente sobre o lugar.

– Serein. Bosque Serein. É esse o nome que eu dei. — Derek ergueu uma sobrancelha.

– Isso aqui é seu? — arregalei os olhos, incrédula.

– De certa forma, sim. Sinto-me proprietário. — ele sorriu torto. — Pouquíssimas pessoas sabem da existem de Serein. Há dez anos, perambulando pela mata, senti uma energia diferente emanar das rochas e trepadeiras, comecei a verificar e não encontrei de cara, voltei a semana toda para investigar sobre essa energia. Antes, o caminho era muito mais complicado, mas consegui chegar até a caverna. — Derek olhava para o horizonte como se estivesse vendo as cenas que narrava. — Depois de quase um dia preso no labirinto, resolvi me concentrar na energia que ficava cada vez mais forte e então cheguei aqui. Outras pessoas estiveram em Serein antes de mim, certamente, pois já havia o chalé e algumas plantações arquitetadas nos fundos. Contudo, nunca vi ninguém desde que comecei a frequentar essa área.

– Eu não tenho nem palavras… Como pode ser explicado a diferença do clima, do ar, do vento e até das nuvens, em comparação ao lado de fora?

– Existem coisas em Patronwood que não possuem explicação, nem precisam. Você já devia saber disso. É o que é. — respondeu o rapaz, pretensioso.

– Como vocês conseguem viver estagnados? Sem questionamentos nada vai para frente. — cruzei os braços.

– Não vivemos estagnados, Violet. O povo Patron procura por respostas também e são bem mais fáceis de ser encontradas por nós do que por você que acabou de chegar. Não nos julgue antes de nos conhecer. — ele disse em tom sério, fiz uma careta. Derek então se aproximou e segurou minha mão. — Você precisa entender inicialmente que há questões para as quais não há resposta, há sensações.

– Como assim? — franzi o cenho.

– Feche os olhos. — ele pediu. Inspecionei sua expressão neutra e finalmente o fiz.

Dois segundos depois senti um sopro em meu rosto, o hálito frio e fresco de Derek banhou minha pele.

– O que eu acabei de fazer? — sussurrou ele, sua boca a milímetros da minha, a eletricidade entre nós parecia palpável.

– Soprou meu rosto. — respondi, morrendo de vontade que ele me beijasse novamente.

– Como sabe disso? Seus olhos estão fechados e eu nem ao menos estou lhe tocando fisicamente. — sua voz soou extremamente atraente, como uma melodia de anjo.

– Eu senti.

– Sim Violet, você sentiu e é nisso que deve confiar. No que você sente. Sua mente pode criar armadilhas, suas palavras podem proferir-se dissimuladamente, mas a sua percepção... — ele fez uma pequena pausa — Ela nunca poderá ser enganadora. Confusa, talvez sim. Errônea, não.

Absorvi aquelas palavras tentando me concentrar o máximo possível em cada uma delas. No final das contas, Derek parecia ter razão. Se cada pessoa pudesse enxergar o sentimento da outra, não haveria tantas mentiras e decepções. Eu queria poder ver os sentimentos dele agora.

Sua respiração que parecia estar sendo oprimida, atingiu minha face, foi o suficiente para eu me render. Agarrei-o pelo pescoço a fim de beijá-lo, mas Derek fora mais rápido virando-me para frente e cruzando meus braços na minha barriga, segurando-os apertado.

– É assim que nosso povo vive. É assim que se chega às respostas, pelo menos aqueles que de fato têm o conhecimento necessário para se chegar a essa conclusão. — ele disse no meu ouvido. — Ainda acha que vivemos estagnados, Senhorita Avançada?

– Acho que não. — respondi.

Derek plantou um beijo bem abaixo de minha orelha deixando minha pele completamente arrepiada.

– Venha. — disse ele, soltando-me e pegando-me pela mão. — Precisamos conversar.

Não vem coisa boa por ai… Pensei.

Caminhamos até o chalé que de perto era ainda mais encantador. Sua madeira marrom escura brilhava, como se alguém a tivesse polido recentemente. Subimos alguns degraus até chegar à pequena varanda repleta de plantas em vasos e de flores, em sua maioria, crisântemos e falaenopolis brancas. Derek tirou uma chave do bolso e abriu a porta inclinando a mão para que eu entrasse.

Lá dentro o cheiro de flores era proeminente, mas não pude identificar nenhum em especial, só podia chegar á conclusão de que era magnífico. O que ali não seria, afinal?

Derek acendeu a luz e fechou a porta. Havia um sofá bem cuidado, porém com aparência retrógrada, num canto, uma poltrona oposta a ele e uma cristaleira encostada na outra parede tomada por taças e bebidas de um lado e livros do outro. Um tapete persa estava no meio da sala. Quadros que eu vira nos livros de história enfeitavam as paredes com molduras douradas e luxuosas. No teto, um lustre suntuoso. Vi um corredor escuro à esquerda da poltrona.

– Nossa… Admirável. — minha cota de surpresas definitivamente estava esgotada.

Derek apenas assentiu com a cabeça e com um gesto chamou-me para sentar no sofá.

– Sobre o que quer conversar? — tombei a cabeça de lado livrando-me da beleza ao redor que me distraia.

– Nós.

Desviei o olhar. Existe nós?

– Bem… Mais precisamente sobre nossas famílias. — completou ele.

– Ah… — o entendimento me desanimou. — O que tem nossas famílias?

– Minha família e a sua não possuem um histórico muito harmônico. — ele suspirou pesado — Os Gardien e os Santinelle não se misturam. Não é extremamente visível, porque nem todos os patronos conhecem a história por inteiro.

Era bom finalmente saber como era o sobrenome de Derek.

– O que você quer dizer com “não se misturam”? — coloquei aspas com os dedos na expressão.

Ele pegou minha mão e a levantou virando a palma para frente, unindo-a com a sua.

– Esse formigamento… — ele olhou para nossas mãos — Sei que você também o sente. É o que chega mais perto de explicar o conflito. Porém, curiosamente, o que deveria nos separar, nos aproxima ainda mais, Violet. — o olhar de Derek era embevecido, um sorriso brincava em seus lábios.

– Eu… não estou entendendo.

– Tecnicamente somos opostos, mas é isso o que nos atrai. A física e a transcendência juntas. Não é fantástico?

Diante do meu olhar de completa confusão ele esclareceu, assumindo novamente aquele tom sério.

– Apesar do nosso povo ser um só, você já conhece a divisão, não é? Luz e trevas. Porém, nossas famílias não estão separadas apenas por essas escolhas. É algo muito mais profundo. A ultima união entre Gardien e Santinelle gerou uma guerra.

– O que? Porque? — Aquela história não estava tomando um caminho muito agradável.

– Há pouco mais de três séculos, Julliet Gardien e Peter Santinelle resolveram desafiar a tudo e a todos em nome de um amor e uma meta impossível. Ambos eram dotados de muito poder, queriam governar sua vila juntos. Isso foi antes de serem fundadas Patronwood e Patronville. — Derek fez uma pausa mais longa, ele parecia escolher as palavras. — A profecia é clara.

– Há uma proferia? — as coisas só pioravam — O que ela diz?

– Violet, minha família e a família de Archenhaud Malaver são farinha do mesmo saco! — sua voz saiu carregada de agressividade — Enquanto a sua está incorporada aos Améliord. Naquela noite, quando Malaver cometeu a imbecilidade de arrancar a árvore, ele não amaldiçoou apenas seu sangue, mas de toda uma ascendência e descendência. Por essa estupidez, Gardien e Santinelle não se envolvem, não se misturam… Como eu disse, são incompatíveis, tanto emocional quanto fisicamente. Nossas famílias foram marcadas pelo acontecimento. O nosso sangue não deve se misturar de maneira alguma. A profecia prega que se isso acontecer, os sujeitos correrão perigo de morte e o povo iniciará um nova guerra, pois possuem muita influência.

– Você nem possui o mesmo sobrenome que esse tal Malaver, Derek! — mencionei atordoada com toda aquela narração.

– E você também não tem o sobrenome dos Améliord, não entanto, é uma deles. Sobrenomes são só palavras passíveis de mudança Violet, ainda mais depois de tanto tempo. Laços sanguíneos no entanto, não podem ser alterados. Todos sabem quem são nossas famílias, mas poucos sabem dessa profecia. Dividiria ainda mais os Patronos e nosso poder é frágil ao rateio.

– Pare de falar que faço parte disso! — eu já havia discutido com meu tio, agora vinha Derek com tal asneira. — O que houve então com Julliet e Peter? — pelo menos a história era interessante.

– O que você acha? Eles morreram. — ele disse impaciente, como se estivesse muito óbvio — E a guerra acabou com metade das vidas Gardien e Santinelle. Hoje, a maioria das pessoas pensa que foi uma luta política.

– Isso é insensatez! — me levantei indignada e comecei a andar de um lado para o outro. — Como você pode acreditar nisso? Maldição, profecia… É ridículo!

– Acha que eu a traria até aqui e inventaria essa história por nada? É claro que é verdade! — seu semblante pareceu ferido e feroz ao mesmo tempo.

– Só porque você acredita, não significa que seja verdade. — revirei os olhos.

– Só porque você não acredita, não quer dizer que não é. — ele rebateu, sua voz gélida.

Fiquei irritada de repente, muito mais do que eu esperava. Passei por ele a passos largos e sai pela porta. Derek veio atrás de mim, eu podia ouvir seus passos, então me apressei, eu precisava ficar longe de todo aquele despropósito, eu queria fugir.

– Espere! — Derek já estava do meu lado, pegou-me pelo braço. — É essa a sua saída para tudo, não é? Fugir! Você simplesmente acha que se esconder no seu mundinho pequeno fará com que o que há do lado de fora simplesmente suma. Adivinhe? Não vai acontecer.

– Solte-me! — puxei meu braço. — Você não sabe de nada! — apontei o dedo no rosto dele, a raiva crescendo dentro de mim.

– Sei muito mais do que você. — ele agarrou meu braço novamente.

O formigamento que seu toque me causava estava se misturando com a minha ira, comecei a lutar para me libertar, mas ele não me largava.

– Droga, Derek! Largue-me! — Quanto mais eu lutava, mais ele me prendia.

O céu acima de nós estava ficando escuro. As nuvens assumiram tons de cinza azulados.

Ótimo! Uma chuva agora, era tudo o que eu precisava! — Pensei com desprezo.

A essa altura, o rapaz me prendia de costas para ele, eu sentia seu peito forte e rígido e seus braços me apertando.

– Você é idiota ou o que? Larga! Agora! — minha cólera atingiu níveis mais altos, meu corpo tremia. — Qual é a sua?! — perguntei, minha voz subindo várias oitavas.

Eu estava total e completamente intempestiva. A tensão dentro de mim era tangível, eu precisava de algum escape naquele exato momento.

Gritei. Gritei o mais alto que consegui.

Houve um clarão.

Um raio atingiu um ponto muito próximo de onde estávamos. Coloquei toda a força que consegui reunir em meus braços e os estiquei para baixo no intuito de me desprender, então, uma energia que eu nunca havia sentido percorreu todo o meu corpo tomando cada centímetro de eletricidade. Era como se o raio que acabara de cair dese seu poder a mim.

Aconteceu tão rápido que quase não tive tempo de ver quando Derek voou para o outro lado da campina, seu corpo bateu no galho alto de um carvalho e despencou no chão.

– Derek! — gritei.

Demorou um pouco, mas consegui colocar minhas pernas em movimento, corri até ele que estava desacordado. Abaixei ao seu lado, o medo e a preocupação dando lugar à raiva...

Olhei para minhas mãos, o tremor já estava passando. Ao nosso redor a claridade voltava.

Não posso tocá-lo… Não posso… Meu Deus, o que foi que eu fiz? Fechei meus os olhos que ardiam.

– Derek… — sussurrei. — Por favor… Por favor… Não esteja morto. Acorde, por favor? Perdoe-me, eu… Eu não…

– Uma lágrima por mim? — a voz dele soou suave, a mais bela canção para meus ouvidos.

Abri os olhos de imediato, senti uma garoa banhar meu rosto enquanto me certifiquei de que ele realmente estava acordado.

– Derek! — quase gritei de surpresa e felicidade. Passei a mão em meu rosto para limpar aquela lágrima enquanto meus olhos teimosos se enchiam de mais delas.

Ele estendeu a mão e tentou tocar meu rosto, afastei-me.

– Não quero machucar-lhe novamente. Por favor, me perdoe, eu não queria… Eu… — tapei meu rosto para esconder o choro.

Sentia-me abalada demais, cansada demais.

– Ei, eu estou bem. — senti seus braços ao meu redor. Tentei escapar, mas ele me segurou ali, puxando minha cabeça para seu peito.

– Não era minha intenção machucar você, só queria que me soltasse. Desculpe. Não sei o que aconteceu comigo. — eu sussurrava em meio aos soluços.

– Eu sei, é o seu poder floreando, Violet. Fui eu quem provoquei. Queria mostrar-lhe do que você é capaz. Você precisa acreditar em mim e o mais importante, em si mesma. — ele explicava devagar e indulgente, como se estivesse tentando convencer a uma criança.

– Você fez de propósito? — ergui meu rosto para olhá-lo. — E se tivesse acontecido algo mais grave? Derek… Como pode?

– Eu não sabia exatamente o que aconteceria. Isso é apenas uma amostra do que você é capaz, minha luz violeta. — ele segurou meu queixo e olhou no fundo dos meus olhos. — Não importa a minha natureza ou o que pregue a luz, as trevas, a família, o povo… Por você vale a pena se arriscar.

Notas finais
O que acharam? As coisas ficaram complicadas para Violet e Derek :( será o que vai acontecer? Comentem, digam o que acham, contem suas premunições e partes favoritas, suas críticas... Em fim, se abram comigo! Beijos :*