XXXI-Patriota

Para cada fervor do escuro,

Sempre acendeis uma vela.

Elas nos provam que pode haver calor

Mesmo no relento

Frio de inverno.

A cada nota, poesia é encantamento,

Tristeza é pensamento.

O amor é desatento.

Anjos, cantem tal poesia,

Ao lembrar a cada dia

Exulte-me de alegria.

Pois tomei o caminho ao campo,

À cavalo, vou andando.

No desabafo da noite,

Um teto estrelado a me tenho,

Sinfonia de abelhas,

Ao delicioso cheiro de girassóis.

A frente, a certeza,

Adeus triste tristeza,

Vou-me eu a cavalgar!

Cantem, anjos, oh cantem...

Anjos cantem tal realeza,

Mea paixão,

Tal destreza,

Exaltação no meu coração!

Cantem pela foz doce que me amamenta,

Árvore sã que me alimenta!

Oh terra, mea terra,

Que deveras tu, que me sustenta.

Crês em anjos em coral, orgulho sacramental,

Adiemus.

Chegarei ao meu destino,

Eis aqui tão bons tempos.

Anjos, apaixonei-me

Por tão bela terra fria,

Amo a minha Rússia!

Mas há de existir tal astúcia?

Nem poesia.

Anjos, cantem noite e dia,

Tão bela é a melodia!

Cantem, estrelas quentes ou frias,

Cantem minha paixão pela Rússia!

Eis bom tempos que seja,

Longe estou da tristeza.

Ponho-me ao caminho,

Fazendo carinho

Por tal realeza.

Anjos, salvai a terra

Pois é dela que resta

A ultima gota de sabedoria.

Aos homens resta vontade,

O deleite da liberdade

Que infringia a cantoria

Que se eleva aos monges do céu.

Cantem bocados de harmonia,

Minha Rússia, Menya Rassya!

A paixão dominante esquece o semblante

Passado ou recatado inferno da dor.

Doce sonho é o meu,

Um doce sonho de amor.

Um segredo que se acalenta,

Ouvir-me as gotas esparramadas,

Serão essas lágrimas derramadas?

Quem a ti espera saber?

Dou-lhe a paz,

certeza que irá chover.

Pois assim a gente reza

Tristeza não reveza

Nada que não se preza.

Glorie, Glorium!

Banha a terra divina,

Banha o meu amor,

Todo o ardor

Que me faz cantar...

Ou chorar.

Pois não há paixão maior

Que aquela que deveras

Ter pela sua terra.

A casa dos abençoados,

Inferno ímpeto dos amaldiçoados...

Não há força que derrubem

Nem maldade grande

Que repudie a beleza.

Podem soprar as velas,

Agora sinto o calor.

Não preciso mais delas,

Tenho a Rússia,

Tenho amor.

A luz continuará lá,

Na minha alma afobada.

Cantem, anjos, cantem,

Nesta vida

Meu tempo

Se acaba.

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