Patrick e Jake
6 Capítulo 6 - Patrick
Acordo no meio da noite. Olho no relógio e são 3:35 da madrugada. Eu não conseguia parar de me revirar na cama tentando dormir. A imagem de Jake continuava rodando pela minha cabeça.
– Comprei dois bolinhos de chocolate. Um pra mim e um para você.
– Me dá o meu.
– Vem pegar — provoquei ele.
– Eu vou mesmo.
Falando isso ele pulou em cima de mim tentando arrancar o bolinho da minha mão e começou a me fazer cócegas. Ofegando eu desisti.
– Seu idiota! Você sabe que cócegas são o meu ponto fraco! — Tem certeza de que as cócegas são seu único ponto fraco? — Jake perguntou me desafiando.
– Não, eu tenho outro ponto fraco.
– Qual?
– Você.
Então ele tinha voltado, e tinha ido me visitar. Não sei se isso é bom ou ruim, porque eu passei dois anos tentando esquecer ele, e justo agora que eu estava conseguindo ele voltou, passando por cima de tudo que eu tinha construído. A dor que eu tinha sentido quando Jake se foi voltou de novo, mas por que ele estava aqui? A presença dele só me faz lembrar que nunca ou tê-lo, Jake nunca será mais do que alguém que eu conheci por acaso. As lagrimas começaram a escorrer do meu rosto e o travesseiro ja estava molhado. Desisti de dormir e peguei o iPhone. Logo depois já eram seis da manhã e uma enfermeira estava entrando no quarto.
– Bom dia querido — Disse ela sorrindo para mim — O dr. Roger está te esperando para tomar café com ele na cafeteria lá em baixo.
Eu me levantei com desanimo. Nem me preocupei em por uma roupa decente, na verdade de todas as roupas que eu tinha ali nenhuma era decente. Eram todas brancas e sem graça, sem muita diferença do pijama que eu estava usando. Era como um uniforme pra saber quem eram os pacientes, porque se alguém quisesse tentar fugir teria que arrumar roupas novas então apenas me levantei e fui até o elevador. Ao chegar na cafeteria vi o dr. Roger sentado em uma mesa com uma xícara de café nas mãos.
– Bom dia Patrick — Disse e sorriu para mim enquanto eu me sentava.
– Bom dia — Adquiri uma expressão confusa — Por que a consulta vai ser aqui e não no consultório ?
– É sempre bom explorar novos lugares — disse ele sorrindo. — Ah, entendo — para mim continuava chato, mas Roger era a única pessoa com quem eu podia me abrir totalmente.
– Então, o que me conta de novo?
– Nada de mais.
– Patrick — Ele se referiu a mim, talvez porque sabia como eu me sentia.
– O que foi ?
– Eu sei que você viu Jake ontem, e acredite, não foi proposital.
Fiquei calado, não sabia nem o que falar, todas as lembranças agora estavam rodopiando em minha cabeça, vários sentimentos misturados.
– Eu adoro quando você faz isso — Jake falou pra mim. — Isso o que?
– Sempre que a gente tá assistindo filmes de terror, na parte que assusta você sempre se agarra em mim.
– Achei que você não percebia isso.
– Como não perceber?
Logo após dele ter falado isso eu olhei para a janela e vi que estava chovendo.
– Jake, tá chovendo, eba! Vamos lá de fora — me desvencilhei dos braços dele e corri pro jardim, com ele logo atrás de mim.
– Você tá louco? Depois você pega um resfriado.
– E você tá parecendo minha mãe! Deixa de ser sem graça, vamos dançar — Falando isso peguei os braços dele e comecei a girar.
Ficamos ali dançando na chuva por alguns minutos até que ele se cansou e deitou no chão. Me deitei do lado dele e ele me abraçou.
– Você é louco você sabia? A gente pode ficar doente e aí quem vai cuidar da gente? — ele falou para mim.
– Eu cuido de você — falei pra ele.
– Você não cuida nem de si mesmo, seu idiota — Ele me deu um soco de leve e me puxou pra mais perto.
– E você, cuida de mim? — Perguntei pra ele.
– Para todo sempre.
Falando isso ele me beijou.
E eu corri para dentro de casa.
E ele correu atrás de mim me segurando antes de eu conseguir entrar na casa.
– Ei, calma aí, não foge — Ele falou e me beijou de novo.
– Patrick? Você está devaneando de novo — Roger gritou comigo – Vamos fazer assim, comemos e depois conversamos, tudo bem? Estávamos comendo até que parei de comer.
–Está ruim? — Roger me perguntou.
– Não.
– Então porque está comendo como se não tivesse gostado? — Vou ser sincero com você, a verdade é que eu não quero falar sobre ele.
– Não vou te obrigar a falar, mas falar como você está se sentindo vai ajudar.
– Eu estou me sentindo um lixo, porque mesmo depois de todo esse tempo eu continuo amando ele, eu não consigo odiar ele por ele ter me deixado aqui!
Roger pareceu assustado e satisfeito.
– O que você diria pra ele se o visse?
– Não sei — eu disse.
– Bom Patrick, nossa sessão acabou.
– Posso voltar para o meu quarto?
– À vontade.
Me levantei e fui até o elevador e esperei que ele chegasse até meu andar, quando cheguei fui direto para o meu quarto, me joguei nacama e liguei a TV tentando me distrair dos pensamentos atuais, que envolviam Jake e toda aquela parafernalha de amor e lembranças. Depois de uns minutos escutei batidas na porta. — Você tá acordado Pat ? — disse a voz do outro lado da porta. — Estou Samantha, pode entrar!
Ela correu até a cama e se jogou em mim
– Como você tá?
– Tão bem quanto qualquer pessoa que está sendo esmagado por uma garota.
Samantha pegou o controle e desligou a TV, depois entrou debaixo das cobertas comigo e nós ficamos conversando durante um tempo até que ela se sentou na cama e sua expressão ficou séria de repente.
– Na verdade Pat, eu vim com um propósito — disse Samantha. — Qual? O de me esmagar?
– É sério Pat.
– Então fala.
– Na verdade, foi Roger que me chamou aqui hoje, ele disse que era melhor eu te preparar.
Depois de Sam ter dito isso, eu ouvi alguém entrar na porta e fiquei em choque.
– Oi Pat.
Era Jake.
Eu queria falar mas as palavras não saiam da minha boca, então respirei fundo e falei só uma palavra.
– Jake?
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