Patrick e Jake

25 Capítulo 25 - Patrick


Eu entrei no quarto e Kev estava me esperando. Eu e ele tínhamos feito um plano pra saber mais sobre a Milena e porque ela queria se vingar do Jake.

– Então, você está pronto? — ele me perguntou.

– Estou sim, mas preciso falar com outra pessoa antes — eu falei e pedi pra ele esperar um pouco.

Peguei o celular e digitei rapidamente o número de Samantha que eu já sabia de cor.

– Fala vadia — ela falou me fazendo sorrir por um segundo.

– Oi, você tá ocupada com alguma coisa?

– Não. Só sendo linda mesmo — ela riu — Mas fora isso eu tô livre, por quê? Tá querendo me convidar pra roubar um banco?

– Quase isso. O que acha de ajudar a mim e ao Kev a invadir uma sala, procurar informações sobre uma vadiazinha de quinta categoria, espionar a vadiazinha e depois fazer um plano bem maligno pra acabar com ela? — eu ri — E o Jake não pode saber de nada disso, o que não vai ser tão fácil já que agora ele é um grande "amiguinho" da vadia.

– Uau.

– O que foi?

– Acho que eu preferia ser convidada pra ir no cinema ver um filme, ou ir jantar em algum lugar, mas como não tenho mais nada pra fazer eu te ajudo — ela riu.

– Me encontra no meu quarto daqui a uma hora.

– Tudo bem, tchau.

Desliguei o telefone e olhei para Kevin.

– Então, o que nós sabemos sobre ela?

– Que seu nome é Milena e que ela estuda aqui.

– Correto — eu pisco para ele — Por isso temos que invadir a recepção, procurar todos os dados sobre ela no computador, procurar sobre o que Jake pode ou não ter feito contra ela e provavelmente depois podemos exterminá-la — ele me olha com desaprovação no rosto — Tudo bem, podemos apenas espionar.

– Esse é meu garoto.

9:45 da noite.

Nós ainda estávamos esperando Sam que ainda não havia chegado.

– Que horas a recepção fecha mesmo Kev? — eu pergunto pra Kev, que estava morrendo de tédio como eu.

– Não sei bem ao certo. Dez horas. Talvez dez e meia.

– A gente pode ir onze horas por precaução — eu falo — Não quero que alguém nos pegue.

– Pode ser.

– Tenho que falar com o Jake antes de tudo. Vou até o quarto dele, tudo bem?

– Tudo bem — ele pisca para mim — Você deixa um recado para o Chris pra mim?

– Claro. Qual o recado?

– Pede pra ele ficar longe da Milena, a gente não sabe nada sobre ela e ela sabe sobre mim e ele, pede pra ele não fazer nenhuma besteira, tá bom?

– Tá bom.

Fechei a porta e saí do quarto. Caminhei pelo corredor do segundo andar até o elevador mas ele estava em uso então desci pelas escadas já que não queria esperar e era só um andar abaixo do meu. Saí do dormitório e estava muito frio lá fora, mas o dormitório de Jake era perto do meu então não fazia diferença. Entrei no dormitório e fui até o quarto dele e ele estava se arrumando.

– Hum, se arrumando — ele se vira para mim — Vai sair?

– Vou sim. Milena chamou eu e o Chris para irmos ver um filme com ela no cinema — ele piscou para mim — Mas eu não sei que roupa eu visto.

– Não importa a roupa você sempre está lindo, pelo menos para mim.

Ele passou as mãos pelo meu pescoço e me beijou.

– Por que você não vai ver o filme com a gente?

– Tenho planos com o Kev e a Sam.

– E esses planos são... ?

– Ainda não posso te contar amor, é uma surpresa.

Ele fez cara de desaprovação e eu ouvi um barulho e vi que era Chris saindo do banho.

– Você ainda não está pronto? O filme começa as dez horas — falou para Jake e se virando pra mim falou — Ah, oi Pat, como está o Kev?

– Ele está bem, muito bem na verdade — ele sorri — Ele pediu para eu te dar um recado.

– E que recado seria esse?

Me levantei e sussurrei tudo em seu ouvido e ele não ficou surpreso.

– Típico dele — ele falou — Nem pra vir falar comigo, tem que mandar outra pessoa.

– Olha Chris, ele está com medo e por você, tá? Não fica triste, tenho certeza que em breve ele vai vir te ver.

– Assim espero.

Eu me virei para Jake e o abracei de novo.

– Eu já vou indo tá amor? Não quero te atrapalhar — eu dei um beijo na bochecha dele.

– Não vai, vamos ver o filme com a gente, por favor?

– Hoje não dá, mas eu prometo que amanhã eu te levo ao cinema, pode ser?

– Pode ser — ele fingiu que estava bravo — Eu te amo Patty — ele me beijou.

– Eu também te amo Jake.

Falei isso, dei um tchauzinho para os dois e saí do quarto.

Eu estava ansioso e com medo pelo que iriamos fazer. Era perigoso e excitante.

Perdido em meus pensamentos cheguei ao dormitório, subi no elevador, entrei em meu quarto e encontrei Sam e Kev já me esperando.

Ficamos ali vendo televisão até dar onze horas quando saímos do dormitório e todo o campus se encontrava vazio e silencioso. Nos dirigimos até a recepção e paramos em frente a porta.

– Tudo bem, vocês vão invadir a recepção, entrar no computador, procurar dados sobre essa Milena e depois espionar ela?

– Isso mesmo — eu respondo a Sam.

– E como vocês vão entrar na recepção?

– Bom jovem gafanhota, vejo que você não sabe muito sobre a arte de invadir recepções de universidades — eu falo fazendo com que ela ria — Hoje a tarde eu vim até aqui, disse que estava em treinamento para monitor do campus e pedi a chave.

– E eles te entregaram?

– Com certeza. Ninguém consegue resistir ao meu charme.

– Claro Pat, você é realmente irresistível.

– Eu sei. Mas o que importa é que eu peguei a chave, fiz uma cópia para mim e devolvi a verdadeira.

– Tudo bem, agora eu me assustei Pat — ela fez uma expressão de susto — Você pensando desse jeito? Poderia até pensar que você é inteligente.

– Você é uma idiota.

– Parem vocês dois — Kevin nos interrompeu — Pat, me dá a chave.

Eu o entreguei a chave e ele abriu a porta.

– Invadir uma recepção de universidade, sempre foi meu sonho! — Sam falou com ironia me fazendo rir.

Nós entramos na recepção e tateamos a sala até acharmos o interruptor que ligava a luz. Ligamos a luz e eu me sentei na cadeira que ficava em frente ao enorme computador.

– Uau, esse computador é de que ano? Século XX? — eu falei rindo enquanto apertava todos os botões necessários para ligar o computador.

– Cala a boca Pat — Kev sussurrou enquanto mexia na gaveta de arquivos procurando pela pasta da Milena — Se alguém pega a gente aqui a gente tá ferrado.

– Tá, e o que eu vou fazer? — Sam falou.

– Você pode ficar de vigia.

– Nossa, quem nunca quis ficar de vigia em uma invasão? É uma coisa tão legal!

– Você devia falar menos e vigiar mais — eu falei pra ela e mandei um beijo.

O computador ligou e eu cliquei onde dizia "Alunos do primeiro ano". Mas não.

Droga.

Precisaríamos da senha para entrar naquela pasta.

– Droga — eu falo.

– O que foi? — Kev e Sam perguntam em uníssono.

– Bom, a pasta dos alunos tem senha.

– Bom, talvez você não precise disso porque eu achei a pasta da Milena.

Sam e eu nos juntamos atrás de Kev curiosos olhando para a pasta.

– Se acalmem vocês dois — ele se esquivou de nós.

– Então leia para nós, o que está escrito aí?

– Não diz muita coisa sobre ela — ele falou — Só coisas básicas como idade, nomes de pais, etc. Também diz que ela foi transferida de Nova York e que ela já passou duas clínicas de reabilitação porque achavam que ela era louca.

– E por que achavam isso?

– Aqui está escrito que ela ficava falando para todos que um aluno a tinha sequestrado, a levado para um galpão, tinha colocado fogo no galpão e ela desmaiou com a fumaça e só acordou depois sendo carregada para um hospital.

E então eu percebi.

E me lembrei de tudo.



– Patrick! — Jake falou me tirando de dentro do meu armário — Procurando novos lugares para se esconder, é?

– Idiota, claro que não. Alguém me trancou aqui dentro.

– E quem faria isso?

– Foi o Charlie.

– E por que ele faria isso Patty?

– Por que ele me odeia — eu falei — E ele faria qualquer coisa pra tirar você de mim.

– Ainda não entendo porque ele faria isso. Mas deixa pra lá, vamos para a aula.

Sobrevivi a todos os horários sem pular no pescoço de Charlie e eu estava orgulhoso por minha força de vontade. Jake tinha me chamado para ir no McDonalds mas eu tinha recusado porque tinha outros planos.

Planos para Charlie.

Ele queria tirar Patrick de mim, então eu ia tirar alguém dele também.

Ele sempre andava com essa menina, Milena acho. Uma menina baixinha que tinha carinha de bebê. Eles eram melhores amigos, acho.

– Milena! Ei, Milena! — eu gritei para ela assim que vi ela saindo da escola.

– Oi! Você é o Patrick, não é?

– Sim, sou eu — eu estendi a mão e ela a apertou — Você quer ir até minha casa? Eu preciso de ajuda em química e Charlie disse que você é muito boa nisso!

– Ah, não sei — ela hesitou — Eu nem te conheço direito!

– E essa vai ser uma ótima oportunidade para isso acontecer. Vamos, por favor?

– Tudo bem.

Nós entramos no carro e eu dirigi até a minha casa.

Falei que ia mostrar minha casa e a levei até os fundos, onde ficava o galpão e nós entramos lá dentro.

Eu falei que já voltava e a fechei lá dentro. Acho que ela não tinha desconfiado de nada por que ela só respondeu um "tudo bem" e se sentou em um banco que tinha lá.

Então eu tive uma ideia. Não era minha intenção machucá-la ou algo assim, eu só queria assustar ela, como Charlie tinha feito comigo.

Então eu peguei um pouco de alcóol e joguei em uma das pontas do galpão. Acendi um fósforo e começou a pegar fogo.

E eu fiquei ali olhando isso.

Eu não ia deixar pegando fogo por muito tempo então fui em casa correndo pegar um balde de água para apagar tudo depois e deixar ela sair de lá. Mas, quando eu voltei, o fogo já tinha se espalhado rapidamente por todo o galpão. Pedaços de telhas e vidros eram consumidos pelo fogo.

Eu fiquei desesperado e abri a porta procurando por Milena mas ela estava desmaiada no chão.

Eu corri pra dentro de casa e gritei por meus pais que vieram me ajudar correndo.

Mas quando eu e meu pai entramos no galpão ela não estava mais lá.



– Ai meu Deus, que merda — eu gritei — Venham comigo.

– Aonde ? — Sam perguntou.

– Precisamos chegar até Milena.

Eram onze e meia e eu pensei que talvez o filme já tivesse terminado então corri até o dormitório onde o quarto de Milena ficava.

Mas quando eu cheguei ao dormitório eu vi uma cena que me deixou enojado.

Charlie com os lábios grudados nos lábios de Milena.

Eu me escondi atrás de um arbusto e esperei até que Charlie saísse dali.

– Pode sair daí, eu já te vi — ela falou quando Charlie foi embora.

Eu me levantei e fui até ela.

– Espionando as pessoas Pat? Que feio.

– Escuta Milena, você tem que me escutar...

– Escutar o que? — ela me interrompeu — Escutar você falar que o Jake não é culpado pelo que aconteceu comigo e sim você? Me poupe. Eu já sabia disso.

– Mas como?

– Escuta Patrick, você vai fazer o seguinte: Dizer que você odeia o Jake e terminar seja lá o que for o que você tenha com ele.

– E se eu não fizer isso? Eu posso contar para ele o que você está fazendo.

– Mas se você contar as verdades vão aparecer — ela riu sarcasticamente — Verdades sobre como um menino colocou fogo em um galpão mesmo sabendo que tinha uma pessoa lá dentro.

– Foi tudo um acidente.

– Me poupe Patrick. Você vai terminar com o Jake. E se você não fizer isso, além de eu contar toda a história para ele, eu também conto para a namoradinha do Chris o que ele vem fazendo com o Kev.

– Você não faria isso.

– Você acha mesmo? Você quase me matou. Você fez as pessoas pensarem que eu era louca — ela deu um ênfase no louca — Agora quem vai ficar louco é você. E se você tentar fazer alguma coisa toda a sua vidinha de merda vai por água abaixo.

Droga, ela me tinha realmente nas mãos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.