Patrick e Jake

2 Capítulo 2 - Jake


– Jake meu filho, que saudade! — disse tia Meredith me abraçando.

– Eu tava com saudade também tia — retribui o abraço.

Senti um puxão na minha camiseta e me virei para ver o que era e vi que era a Abby, nem a tinha visto ali, ela tinha crescido bastante.

– Pequena Abby! — falei pegando-a e a rodopiando — Pelo visto a pequena Abby não é tão mais pequena assim.

– Oi Jake — Disse ela sorrindo para mim. O sorriso mais fofo que eu já tinha visto.

– É melhor irmos — disse a tia Meredith — Fiz sua comida favorita.

Pegamos as malas e entramos no carro. Era uma viagem um pouco longa e eu não estava afim de conversar, milhões de pensamentos rodopiavam em minha cabeça, então apenas coloquei o fone de ouvido, pus uma música qualquer para tocar, virei para o lado e fechei os olhos.

Algumas horas depois chegamos na casa de tia Meredith, pegamos as malas e entramos em casa.

– Nossa tia, esse lugar tá igualzinho ao que sempre foi!

Era uma casa grande, de dois andares. Era meio velha, mas eu me lembro de ter crescido ali, desde pequeno brincando com meus primos, correndo atrás dos carros e comendo churrasco.

Fui pro meu quarto e me deitei um pouco, por mais que tenha tirado um cochilo no carro eu ainda estava morrendo de sono. Acordei algumas horas depois com a tia Meredith me chamando pra comer.

– Jake, desce aqui, eu fiz churrasco.

– Churrasco tia? Você não faz ideia de como eu senti falta disso. Nova York pode ser a terra da carne assada mas não há nenhum churrasco como o seu.

– Então começa a comer porque tem bastante pra você. — Ela me olhou com um sorriso estampado no rosto.

– Desde pequeno tentando me engordar né tia!

– Mas é claro, menino bom é menino rechonchudo. Mas me fala, porque você voltou para Londres?

– Minha mãe insistiu — falei com um pedaço de carne na boca, mesmo que falar de boca cheia seja falta de educação. — Ela sabe que sempre foi meu sonho. Meu e do Patrick.

Tia Meredith hesitou, talvez tenha percebido a dor na minha voz ao falar de Patrick, porque o sorriso que antes estava estampado em seu rosto de orelha a orelha logo sumiu e ela mudou de assunto perguntando de Nova York.

– Ah, Nova York está tão linda quanto eu me lembrava — Falei, fingindo não perceber a inquietação de tia Meredith ao ouvir o nome de Patrick.

– Ah, que bom meu filho! Talvez um dia você volte lá comigo, estou muito ansiosa para conhecer Nova York — Ela falou sorrindo de novo.

– É tia, talvez.

Terminei de comer, fui para o meu quarto e tranquei a porta. Deitei na cama e comecei a pensar nas atitudes da tia Meredith, como ela tinha perguntando se eu queria ficar na casa dela ou ir pro meu apartamento que eu dividia com o Patrick bem quando desci do avião, como ela ficou nervosa quanto eu falei dele, o que é estranho, porque antes de eu voltar para Nova York, minha tia só falava sobre ele, falava que ele era um bom menino e de como ela sentia saudades dele, de como ele era lindo e ela sempre dizia que pra eu levar ele para visitá-la. E hoje ela nem tocou no nome dele uma única vez. E em meio a esses pensamentos eu cochilei, e acordei com o barulho de tia Meredith na porta perguntando se eu estava bem.