Patrick e Jake
7 Capítulo 7 - Jake
– Faz muito tempo — eu falei.
– Muito — Patrick ainda estava perplexo me encarando, mas pelo menos conseguia falar. Ele me encarou dos pés a cabeça — Você está muito bem.
– Obrigado — falei pra ele.
– Pena que você não possa dizer o mesmo.
– Não é assim Pat...
– Poupe-me da sua compaixão — Patrick falou me interrompendo — Eu não preciso de nada que venha de você.
– Imaginei que você reagiria assim — eu disse.
– De que outra maneira eu reagiria?
Eu tentei sentar na beira da cama mas Patrick colocou o pé e eu não pude me sentar.
– Pat, não faz isso — eu falei — A gente não pode conversar?
– Não tenho nada pra falar com você, vá embora.
– Mas eu acabei de chegar...
– Bom, já ficou muito mais do que devia.
– Pat, por favor, me descul...
– Como eu já falei, não preciso de nada que venha de você e de sua vidinha medíocre — disse ele me interrompendo de novo, com uma expressão de choro no rosto — Isso inclui suas desculpas falsas.
– Mas eu necessito do seu perdão — As lágrimas começaram a descer pelo meu rosto enquanto eu falava.
– Não se pode ter tudo.
– É isso mesmo que você quer?
– Se com "isso" significa que você vai embora e me deixar em paz para sempre, sim, é isso que eu quero.
– Então tá — virei as costas e fui em direção a porta.
Enquanto estava indo eu senti uma vontade muito grande de correr e deitar na cama com ele, de abraçá-lo. Mas como sempre, não fiz nada. Apenas fiquei imóvel.
– Você vai ou não? — Ele me perguntou.
Abri a porta e sai do quarto. Entrei no elevador e fechei a porta, me encostei na parede e comecei a chorar. Comecei a chorar descontroladamente e a soluçar muito alto, e as lágrimas molhavam minhas roupas. Me sentia muito mau pelo jeito que Patrick tinha me tratado, mas então me lembrei de que eu era realmente o monstro da história.
Antes do elevador descer limpei meu rosto porque não queria que ninguém me visse chorar, então cheguei até meu carro e fechei a porta com força. Lá dentro, eu já não sentia mais vontade de chorar, a dor era tão grande que minhas lágrimas não tinham mais espaço. Fiquei parado, com as mãos no volante, parecendo uma estátua lembrando-me do tom de voz de Patrick ao me mandar ir embora. Aquele não era o Patrick, o Patrick inocente e amável. Não era o MEU Patrick. Esse era forte e frio e me odiava com todas as forças. Eu não queria voltar para casa, não queria ter que encarar as perguntas de tia Meredith. Pensei em um lugar para ir.
Quando dei por mim mesmo eu estava ligando o carro e indo em direção ao antigo apartamento que eu dividia com o Patrick.
Caminhei até o portão, falei com o porteiro e ele me deixou entrar. Fui até o apartamento que estava com a porta escancarada e vazio por dentro. Reparei em uma mancha vermelha enorme no chão que não tinha reparado da última vez em que estive ali e percebi que eram as manchas do sangue do Patrick.
Vi que aquilo era minha culpa, então me deitei no chão e as lágrimas começaram a descer de novo. Sem barulho e sem soluços. Apenas lágrimas que desciam pelo meu rosto e molhavam o assoalho.
– Me desculpa Patrick — sussurrei pra ele como se ele estivesse aqui.
– Droga Jake, você sempre vence! — Pat falou pra mim largando o controle do vídeo game e se encolhendo no canto do sofá fazendo bico e com os braços cruzados.
– Não fica assim Patrick — sorri para ele — Não tem como vencer o melhor, aceite isso.
– Ha-ha. Muito engraçado — ele debochou de mim.
– Você está com raiva de verdade? — eu tentei parecer surpreso — É só um jogo Pat.
– Um jogo que você sempre ganha.
Dei uma gargalhada e o abracei.
– Às vezes você parece uma criança — sussurrei no ouvido dele, que fez ele se arrepiar e corar.
–E você é um idiota.
– Assim você me ofende Pat — eu sorri.
Ele sorriu de volta e me deu um beijo no rosto e continuamos abraçados até que pegamos no sono.
A lembrança fez as lágrimas se intensificarem, mas eu continuava imóvel.
– Incrível como a gente sempre se encontra aqui.
Era Samantha.
–Oi — enxugo as lágrimas — O que faz aqui?
– O mesmo que você.
– Chorar por uma perda?
– Você não o perdeu Jake, ele só está magoado.
– Não. Ele me odeia. E com razão.
– Jake, você é o melhor amigo dele, ele vai te perdoar.
Ficamos calados por um instante até que resolvi quebrar o silêncio.
– Ele falou de mim alguma vez nesses dois anos?
– Diretamente não, mas toda vez que alguém te menciona, ele fica triste.
E novamente fico com vontade de chorar.
– Isso quer dizer que ele sente sua falta — ela segurou minhas mãos — Ele só tá magoado.
– Eu também sinto a falta dele. E muito.
– Eu sei — Sam me abraça e por um momento eu me sinto melhor.
Ficamos abraçados por alguns momentos até que Samantha resolve falar.
– Você já gostou de mim de verdade, Jake?
– Sam, você quer mesmo falar disso?
– Jake, pode falar, eu não sinto mais nada — eu fico calado e saio dos braços dela — Bom, se você não vai falar então eu falo. A dois anos atrás eu era loucamente apaixonada por você e era por isso que eu não gostava do Patrick.
– Como assim?
– Logo que eu conheci o Pat, eu vi como você o tratava e como você olhava pra ele e eu sabia o que estava acontecendo, só não queria admitir para mim mesma — eu estava confuso.
– O que você quer dizer com isso Samantha?
– Você sabe o que eu quero dizer Jake.
– Não, eu não sei.
– Você o ama. Você sempre o amou. Isso que você sente por ele não é amizade. É amor. Você o ama da mesma forma que eu te amava.
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