Patrick e Jake
3 Capítulo 3 - Jake
– Eu tô bem sim tia, não se preocupa não.
Ela me perguntou se eu estava com fome e eu disse que sim, fomos para cozinha e ela foi fazer um lanche rápido enquanto conversávamos.
– Então tia, você tem falado com o Patrick? — Ela ficou com aquela expressão assustada no rosto de novo.
– Não muito — Ela respondeu com hesitação.
– Mas você gostava tanto dele — Resolvi descobrir o que estava acontecendo e comecei a fingir que estava confuso.
– Muitas coisas mudaram em dois anos — Ela falou devagar lutando para não tropeçar nas palavras.
– Ele fez algo de ruim para você tia? Ou falou alguma coisa?
– Não, é que... — A TV da sala estava ligada e dava pra ouvir a abertura do jornal lá da cozinha — Bem, se você não se importa, eu quero muito ver o jornal.
Eu sabia que ela estava daquele jeito não por causa do jornal e sim por causa da conversa. Eu fiquei me perguntando o que podia ter acontecido enquanto eu estive fora e só tinha um jeito de descobrir, só tinha uma pessoa que podia me contar tudo, mesmo que doesse falar com ela depois de todo esse tempo. Me levantei e me preparei pra sair.
– Aonde você vai? — Tia Meredith me perguntou.
– Vou me encontrar com uns amigos — Eu disse sorrindo.
– Tudo bem. Não demore e não vá beber. — Disse tia Meredith olhando para a TV de novo.
Pensei em pegar um táxi, mas o predio era bem perto dali, e eu precisava mesmo de um tempo pra pensar no que dizer para o Patrick. Depois de dois anos, como será que ele estava? Será que tinha o mesmo sorriso bobo que sempre me deixava sem ar? Eu sabia que ele não ia sorrir ao me ver, talvez a única coisa que ele faria seria bater a porta na minha cara, ou me dar um soco, talvez os dois. Caminhei durante um tempo até que cheguei na frente do meu antigo lar, do meu antigo prédio. O prédio que me trazia tantas lembranças. O porteiro ainda se lembrava de mim, então me deixou entrar. Fui direto ao elevador e apertei o número doze. Enquanto o elevador subia meu nervosismo só aumentava, eu pensei que ia ter um ataque de nervos lá dentro e imaginei alguém me achando lá dentro estirado no chão, morto de nervosismo. Ri por um segundo até que o elevador abriu. Corri até a porta de Patrick e no momento que fui bater na porta, uma pessoa saiu de lá de dentro.
– Samantha? — Quando ela me viu seus olhos se abriram tanto que eu fiquei com medo de que saíssem das órbitas. — O que você está fazendo aqui?
– Jake? — Parece que ela tinha processado a informação de que era eu parado em frente a ela porque a expressão no rosto dela logo se transformou em ódio, ódio porque eu a tinha traído — O que VOCÊ faz aqui?
– Vim falar com o Patrick, onde ele está? — Eu a empurrei e entrei no apartamento e me assustei quando vi que ele estava completamente vazio.
– O que aconteceu?
– Muita coisa — ela falou para mim.
Vi que ela estava carregando o iPhone do Patrick.
– O que está fazendo com o iPhone dele? Isso é roubo, sabia? — Minha voz estava séria, mas sem nenhum tipo de raiva.
– O Patrick que pediu para eu pegar.
– Onde o Patrick está? — Eu estava praticamente gritando de preocupação.
– Calma aí.
– Me responde onde ele está! — Já sentia as lágrimas saindo dos meus olhos mais uma vez.
– É uma história meio longa.
– Tenho tempo.
– Então se você quer saber toda a história é melhor se sentar.
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