Patrick e Jake

19 Capítulo 19 - Patrick


Estávamos sentados na cama do quarto de Jake enquanto eu zapeava pelos canais da televisão. Por dentro de mim acontecia uma guerra e eu resolvi perguntar o que estava entalado na minha garganta.

- Cake... — chamei e ele apenas murmurou algo — Você gosta do Charlie? — ele me olhou — Seja sincero.

- Claro que gosto, somos apenas bons amigos. E aquele beijo não significou nada.

- Não brinca comigo. Você sabe o que eu quero dizer.

- Não Pat, eu não gosto do Charlie. Eu vou ter que desenhar?

- Desculpa.

- Tudo bem.

- É que... eu não sei. Eu sinto ciúmes de você, eu não consigo controlar isso. E isso que eu vou dizer agora vai soar gay e clichê mas eu preciso de você. Você me faz bem Cake — Jake olhou em meus olhos e sorriu bobo — É só insegurança.

- Bom, eu gosto do que eu sinto e eu também gosto de você.

- Vem cá — eu falei passando meus braços pela cintura dele.

Senti a mão de Jake passando pelos meus cabelos, passando seus dedos entre os fios. Eu estava hipnotizado pelos seus olhos que me fitavam intensamente. Ele suspirou fundo deixando os lábios abertos e eu encarei aquilo como um convite. Juntei nossos lábios.

Percebi Jake soltando mais um suspiro quando colei nossas bocas e aproveitei que a boca dele ainda estava meio entreaberta e aprofundei o beijo. E eu acho que como ele, deixei um pequeno suspiro escapar, mas não posso garantir.

Ficamos assim por um tempo — não sei quanto tempo ao certo — apenas abraçados e juntos por um beijo que eu estava desejando há um bom tempo. Jake era diferente, eu não sabia dizer porque, mas as poucas vezes que havíamos nos beijado, eram as poucas vezes em que eu me sentia mais feliz.

Ele nos separou devagar, depositando dois selinhos meio estalados na minha boca no final e deu um sorriso grande para mim.

- Eu até continuaria, mas não tenho forças — ele dramatizou, deitando sua cabeça sobre meu colo. E ele ainda fala que eu sou dramático — Eu tô com muita fome Pat.

- E eu sou dramático? — ri.

- É sério Pat — ouvi alguém bater na porta do quarto — Vai pegar a carteira que eu vou abrir a porta! — Falei e o puxei pela mão, nos levantando da cama — Eu vou comer! Finalmente! — ele me deu um selinho e eu corri em direção à porta.

Apenas ri da emoção dele e fui pegar meu casaco que estava no chão, já que a carteira estava em um bolso dele. Eu estava muito aliviado, afinal tudo tinha terminado bem. E eu nem acreditava que eu estava falando com Jake de novo. E muito menos acreditava que eu tinha pedido desculpas.

Eu me sentia como se um peso enorme tivesse saído das minhas costas.

Peguei a carteira rápida e fui até a porta. Eu não sabia se meu estômago estava daquele jeito por causa da fome ou por causa das malditas borboletas, mas na verdade, eu não dava a mínima.