Patrick e Jake

11 Capítulo 11 - Jake




Eu me revirava no colchão há horas e não conseguia dormir. Eu sabia que Sam estava na cama acima da minha, mas eu não queria acordá-la, não queria que ela me visse chorar outra vez porque eu não ia conseguir falar sobre o assunto, então aceitei que não ia conseguir dormir e fiquei olhando pros enfeites do teto.

Depois de umas duas horas eu consegui dormir, mas nas poucas horas em que consegui dormir, pesadelos horríveis de Patrick chorando e gritando por meu nome me assombraram. Quando finalmente acordei, Sam estava em frente a seu closet se vestindo.

– Vem, vamos tomar café da manhã — ela falou para mim indo até a porta.

Chegamos a grande cozinha na casa de Sam e na mesa havia vários tipos de comida, manteiga de amendoim, omeletes, bacon frito, torradas, manteiga, waffles, e por aí ia seguindo. Mas o engraçado é que eu não senti vontade de comer nenhuma.

– Cadê meus pais, Andy? — Sam perguntou a doméstica da casa, que naquela hora arrumava pães em um prato.

– Eles ssaíram bem cedo, nem tomaram café.

Uma expressão triste surgiu no rosto de Sam, mas eu já sabia que aquilo acontecia frequentemente.

Nós tomamos o café e conversávamos animadamente. Eu fiquei realmente feliz por Sam ter se tornado uma amiga mesmo depois de tudo que eu tinha feito, ela era realmente boa em perdoar.

– Ai Meu Deus! — Sam disse olhando pro relógio da cozinha — Tenho uma sessão de fotos às nove e meia — ela se virou para mim — Quer uma carona?

– Não precisa — eu falei colocando a xícara que antes estava cheia de chá, mas que agora se encontrava vazia na mesa — Eu preciso andar um pouco, espairar a cabeça.

– Ah, então tá. Jake, vê se não faz besteira tá? — ela me deu um beijo na cabeça e saiu.

Eu me despedi de Andy e sai da casa. Eu estava andando distraído, de cabeça baixa pelas ruas, até que senti alguém tocar em meu ombro.

– Jake? — diz alguém atrás de mim.

– Charlie? — fiquei animado em vê-lo.

– Cara, quanto tempo! — ele me abraça.

– O que faz aqui em Londres? — eu pergunto.

– Lembra de quando nós nos inscrevemos para a University of London? — eu assenti — Pois é, minha carta chegou semana passada e eu cheguei em Londres ontem, estou ficando em um hotel até as aulas começarem.

– Que bom cara! — eu falei sorrindo.

– A sua ainda não chegou? — ele me perguntou.

– Não.

– Nem a do Patrick? — fiquei em silêncio um pouco, não sabia o que dizer — Vocês ainda moram juntos, né?

– Não. Não mais.

– Por quê? Ele está bem? — Charlie parecia realmente preocupado.

–Tá sim. Ele está só com alguns problemas.

– Então tá — ele me abraçou de novo — A gente se vê.

– É, talvez. A gente se vê.

Eu fui pela direção oposta a de Charlie. Quando eu e Patrick morávamos em Nova York, ele meio que vivia só correndo atrás da gente, Charlie sempre quis ser nosso amigo. Especialmente de mim. Cheguei em casa e entrei.

– Oi querido — disse tia Meredith quando me viu?

– Oi.

– Onde você estava? — agora a voz dela estava com um misto de preocupação e raiva — Você dormiu fora e nem me avisou.

– Foi mal tia, a Sam me chamou para dormir na casa dela — eu falei me sentando no sofá.

–Então vocês voltaram? — perguntou tia Meredith sorrindo.

– Não tia, nós somos só amigos.

– Jake! — disse Abby.

– Oi pequena Abby! — eu falei abrindo os braços para que Abby pulasse em meu colo.

– Eu estava preocupada com você — ela falou sorrindo.

– Verdade? Estava mesmo? — eu perguntei sorrindo e ela assentiu — Sua fofa!

Dei vários beijos na bochecha e no pescoço de Abby fazendo ela rir.

– Para Jake! Isso faz cócegas! — ela falou e eu parei — Toma, o carteiro trouxe isso para você ontem.

Eu peguei a carta das mãos de Abby e no envelope, tinha o emblema da University of London.