Patlântida

4 Um novo patrocinador


Pedro continuava lá, em pé

Ela também, ou quase, alternava o peso de um pé para o outro. O que, para olhos mais observadores pareceria que ela estava com vontade de ir ao banheiro.

Pedro era aquele romance água-com-açúcar-purpurinado que ela teve quando ainda estudava no fundamental, antes de sair da faculdade e viver á vida no risco. ''Aqui na faculdade nós falamos de fatos, não histórias tresloucadas de civilizações de patos submarinos", essas foram as palavras de Alfonso Braguette, o professor da faculdade estadual de... Bem, o nome do estado, cidade, província não importa, o que importa é que essas palavras fizeram-se suficiente para que Brenda largasse os estudos avançados e começasse o seu próprio projeto que vocês sabem qual é, obviamente.

Pedro continuava no mesmo lugar, então Brenda disse:

– O que está fazendo aqui?

– Vim financiar uma expedição para o Vietnã. Você sabe, eu amo o Vietnã.

Como devem saber, todo romance começa com algum interesse. O que a encantou no inicio foi que, assim como ela, pedro era fascinado por alguma coisa: O Vietnã.

Desde pequeno, quando seu aspecto de leitão era mais visível do que atualmente é, Pedro colecionava livros, revistas, cartões, tudo sobre o Vietnã, ou melhor, sobre a Guerra do Vietnã.

O rapaz tinha um aspecto suíno, era baixo e gorducho, mas isso era uma das suas melhores características.

– Tenho que ir andando — adiantou-se Brenda — divulgar meu projeto das coisas que a natureza dá.

– Ta bem.

Depois disso o dia passou como os outros treze de setembro que o antecederam: Pessoas, a maioria desocupada, encaravam os expositores da feira com arqueólogos atrás deles. Entusiastas insensatos de lorotas inventadas perambulavam pelos arredores, mas ninguém passava por perto do estande de Brenda.

– Olá — disse um homem alto, ela não havia reparado que ele se aproximava.

Tinha preparado um discurso para o caso de alguém se mostrasse interessado pelo seu projeto. Falaria sobre como os patos são desenvolvidos, como o oceano é inexplorado e que civilizações ocultas poderiam existir, mas, ao invés disso ela gaguejou algo como ''Hrmmm ahnmmf feeeffjhn"

– Tudo bem — disse o homem, como se entendesse o que estava acontecendo — sei do que se trata o seu projeto... Eu vim financia-lo.

Brenda olhou para o lado: Sua mobilete estava ao seu lado — já que a feira era ao ar livre e ela não tinha dinheiro para o estacionamento — e fez um barulho de motor engasgado, como se gostasse da ideia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.