Patlântida
3 Correria
Brenda estava a caminho da feira, panquecas se mexiam freneticamente eu seu estômago com os solavancos de sua mobilete que fazia sons, que, aos ouvidos de Brenda pareciam risadas — como se uma bicicleta elétrica gostasse de uma arqueóloga fracassada com enjoos matinais– Que peste — disse Brenda — Já são nove e vinte Ela tinha demorado quinze minutos para chegar ao Le petit Canard de sua casa, mais quinze para fazer sua mobilete pegar e continuar viagem e agora iria perder a manhã inteira para limpar o seu vômito do painel. Sim, arqueólogos costumam acordar cedo, mas para Brenda acordar cedo é mais que um costume, é uma necessidade. Mas mesmo com tudo isso ela nunca pensara em se livrar de sua amabilíssima mobilete azul celeste.
E como em seu programa de TV favorito, super-fofos, ela deveria "trabalhar junto para salvar o dia!". Ou pelo menos chegar a tempo na feira e montar seu estande — As escrituras antigas deveriam ficar ao lado dos slides — e assim o fez, ao chegar na feira em cima da hora montando seu estande com um fulgor que faria o Flash, o Papaléguas e o Ligeirinho aplaudirem de pé.– Consegui! — comemorou Brenda, ofegante. Se pode ver que pontualidade não era o seu forte, sempre chegando tarde ou cedo de mais. Como fizera no aniversário de sua amiga Letícia que tinha, digamos... um comportamento psicótico e não ficou nada feliz ao ver uma menina segurando um presente com um embrulho de patinhos a vendo dormir. Ou como na festa de Pedro que também não gostou nada de ser visto de samba-canção com estampas de metralhadoras e vietcongues — isso mesmo, mas outra pessoa com um fetiche estranho — Mas agora ela estava pontual, chegara e montara seu estande em exatas nove horas e trinta minutos. Tudo parecia correr bem até que seu coração disparou enquanto o menino se aproximava– Olá — disse Pedro, o menino da samba canção — um belo dia para um feira, certo?
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