Pathos e O Julgamento
1 Pathos e Penas
Para compreender a história, segue a legenda:
Pathos (πάθος): sentimento; sofrimento, paixão, afecção, experiência ou emoção
Odýni (οδύνη): dor, mágoa, angústia ou aflição. Sofrimento físico ou mental intenso.
Krisis (κρίσις): julgamento, decisão ou sentença. Pode também desempenhar a tradução de “crise” no português.
Eudaimonia (εὐδαιμονία): felicidade — sentimento derivado do bem-estar ou bem de espírito.
Eirene (Εἰρήνη): paz, calma, tranquilidade.
Thánatos (Θάνᾰτος): morte no contexto geral.
...
Eram tantas penas que era-se impossível contar ou escolher uma para focar a atenção e manter com o olhar. Umas eram brancas, outras eram cinzas, algumas com muitas bárbulas e outras em quantidades normais e outras com quase nada que chegavam a desaparecer de vista em meio a tantos penachos.
Essas penas caem de um corpo longo e alvo, a pele fria por falta de sentimentos e sentidos que os braços circularam o próprio dorso num abraço que sentia falta de sentir. Esse frio não era uma ausência de calor, mas sim de uma quantidade exacerbada de lágrimas gélidas, como nevascas presentes nas montanhas mais altas.
Pathos se sentia tão cansada com sua melancolia que seu corpo desmoronava como a Terra sofrendo impactos globais. Apesar da sensação, Pathos estava num longo e espaçoso branco: tinha luz forte o suficiente para clarear o seu derredor para que não ficasse na penumbra, mas ainda assim, não o suficiente para espantar a escuridão do seu interior e por decorrência disso eram-se tantas penas. Algumas já escurecidas pela escuridão interior e por tamanho vazio dentro de si que congelava seu âmago, onde as penas não resistiam em permanecer firmes a sua pele e por isso que até as mais novas e brancas despencaram suavemente ao chão, sem que tivesse tempo hábil de denegrir.
Pathos estava triste por uma tortura que não obtinha de ferramentas cortantes e muito menos perfurantes, era uma tortura interna batalhando contra uma Odýni sem lápso. Pathos sofria com motivo, mas motivos que muitos não lhe eram pertinentes mas que de algum modo chegaram a ela. Pathos sofria há anos com ausência de calor e proteção. Sua boca era um profundo boraco que não possuía nada a não ser um eterno breu, conectado a sua mente onde também permanecia assim. Krisis era o nome dessa pequena e longa e escura caverna no lugar de sua boca. Era tão má que matava os outros e a si própria com pensamentos pesados cujo ferem. Todavia, Pathos não sabia nem mesmo da existência de Krisis. Será que Krisis era o motivo da Odýni?
Krisis era perversa e intolerante, minava a sua Eudaimonia e a jogava no chão em quantidades incontáveis de variados momentos, fazendo Pathos perder as mais belas memórias que poderia um dia lembrar. Claramente, Krisis precisava de Pathos para se manter, mas Pathos não necessariamente precisava de Krisis para ficar viva. Era uma relação de hospedeira sangue-suga. Krisis queria na verdade era uma simbiose, não um simples relacionamento, almejava de fato era fundir-se a Pathos em todas as direções.
Graças a Krisis, Pathos não conseguia mais sentir Eirene, não conseguia mais manter suas Eudaimonias, e ela poderia morrer por conta disso. Pathos queria lutar contra Odýni, porém sem lutar contra quem realmente era a origem de tudo isso. Às vezes Pathos desejava encontrar a Thánatos, mas exigia um grande esforço e lhe faltava coragem. No final de tudo, Pathos combatia a Odýni sem as armas corretas e sem um norte que lhe guiasse ao buraco que deveria emendar e isolar, a fim de retirar todo ar que restasse e minar toda e qualquer relação de quem de fato deveria definhar e morrer.
Pathos ainda não estava pronta, Pathos estava adoecendo, Pathos precisava descansar, recolher suas penas através de um descanso. Mas como se não lhe tinha tempo e por muito pouco tinha condições de ter tempo? Quanto tempo restaria a vida de Pathos se suas penas continuassem caindo? Seria uma boa ideia Pathos procurar a Thánatos?
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