13/08/1613 D.S. (Depois de Soltzen) (5272 no calendário élfico). Essa era uma data importante para o reino de Soltzen, pois foi o dia do nascimento do grande rei Tartarus Von Fate XVI (ou simplesmente Tartarus XVI), o homem que bravamente defendeu seu feudo das invasões do sul e tornou-se rei de Soltzen pelas próprias mãos. 500 anos após o seu nascimento, a rainha Heike Von Fate, em homenagem a seu ancestral, decidiu iniciar uma campanha para explorar as misteriosas terras do norte.

Para tal tarefa, a rainha convocou L’ad Is-Kriger, um honrado cavaleiro de Soltzen híbrido de humanos e elfos e com 50 anos de idade (meia idade para os meio-elfos), para escolher os melhores guerreiros do reino para desbravar as terras além da Cordilheira do Crepúsculo.

***

12/08/1613 D.S. foi quando Is-Kriger iniciou a busca pelos desbravadores. O primeiro lugar em que ele passou? O Centro de Treinamento de Arqueiros na cidade de Kzorion. O único lugar no reino onde arqueiros aprendiam a usar das artes da magia. Ele queria que não fosse preciso levar arqueiros, mas não são apenas trolles que assolam aquelas terras. Muitos demônios voadores gostavam de usar aquelas montanhas como casa também.

Alana era uma valorosa jovem elfa de 120 anos de idade quando L’ad a conheceu. Ela tinha longos cabelos negros e rosto divino até mesmo para elfos. Seus belos, porém penetrantes olhos demonstravam a sua força.

Quando L’ad entrou na “sala das ascensões”, que era como chamavam um grande hall onde os que se formavam tinham que passar, ele viu Alana, de joelhos e curvada diante de um elfo de idade mais avançada e cabelos também negros vestido em mantos brancos.

- Jura eterna lealdade ensinamentos élficos? Acima de tudo de tudo até mesmo da realeza? – Disse o tal elfo.

- Juro, bem como lealdade eterna a Floresta da Luz. – Respondeu Alana.

- Cheguei no meio de algo? – Perguntou L’ad discretamente ao elfo que estava ao lado dele.

- Na verdade sim. – Respondeu — Essa é Alana, uma das nossas melhores alunas. Ela está passando pelo ritual de formação. Sabe, ela começou a treinar aqui bem cedo. Com 10 anos ela já aparecia aqui para brincar com os arcos e alguns professores e aos 20 anos de idade já ela era nossa aluna.

- Entendo...

Finalmente com o término do ritual Alana levantou-se e olhou para a sua direita e viu ali parado perto da parede, um homem vestido em panos pretos e com o rosto coberto, era L’ad. Com medo de que fosse algum intruso, em uma fração de segundo atirou uma flecha que passou ao lado de L’ad prendendo sua capa na parede firmemente.

- Quem és tu, homem em preto? – Perguntou a elfa. – Espero que não estejas aqui para profanação de minha terra.

- Acalme-se senhorita. – Disse L’ad com serenidade tirando a flecha de sua roupagem. – Estou aqui em missão real.

Ele jogou seu capuz para trás revelando sua forte aparência humana.

- Humpf... Apenas um humano... – Debochou Alana, mas depois voltou os olhos novamente para ele. – Não... És um filho das duas raças... Maldito seja o elfo que se envolve com a escória humana!

- Haha. – Riu L’ad com calma. – Eu não teria tantos preconceitos, minha querida. Lembre-se de que mesmo na Floresta da Luz você ainda está em Soltzen.

- Infelizmente tens razão, mestiço.

- Ouvi dizer que já está aqui há muito tempo.

- Um século de treinamentos para maior precisão.

- Um século... É um bocado de tempo, não?! Hehe.

- Diga logo há que veio! – Bradou começando a ficar com raiva.

- Calminha. – Disse mantendo o sorriso e serenidade no rosto. — Bom, a rainha Heike me pediu para convocar guerreiros de Soltzen que juntos desbravem as terras além da Cordilheira do Crepúsculo.

- Dispenso. – Disse a elfa se virando e indo para fora do Hall.

- E quem disse que eu vim atrás de você?

- E atrás de quem mais viria, mestiço?

- Sei lá... – Ele colocou sua mão no ombro do elfo que estava ao seu lado. — Dele talvez.

- Claro... – Desconvencida, voltou ao seu caminho.

- Ok. Ok. Foi por você, mas você não pode me ignorar.

- Por? – Ela não parou de caminhar.

- Eu tenho uma convocação real, e segundo seu juramento você não pode ignorar esse tipo de coisa.

A fúria tomou a mente da jovem elfa brevemente, mas logo ela retomou um pouco da calma e voltou para a direção de L’ad e pegou a convocação a força.

- Que os deuses te amaldiçoem, mestiço. – Ele respondeu com um sorriso.

Os dois montaram em seus cavalos e seguiram para o sudoeste, em direção da Montanha Dourada.

Horas de viagem passaram-se, e assim que viu os Pântanos de Avras, próximo à montanha, Alana parou.

- MONTANHA DOURADA?! ME TROUXESTE ATÉ A MONTANHA DOURADA?! MALDITO SEJA, MESTIÇO!

- Algum problema com montanhas cheias de ouro? Eu particularmente gosto de ouro.

- Não és o ouro, sim os anões.

- Menina, você tem algum problema com tudo que não é élfico, certo?

- Tenho meus motivos para não gostar de anões e humanos.

- Bom. Pouco me importa. Só sei de que precisaremos de um anão para a campanha.

Eles continuaram andando em direção ao pântano, pois esse era o único jeito de entrar na cidade de Menorium, que ficava dentro da montanha.

- Primeiro um mestiço... E agora um anão... O quê diabos eu fiz para merecer isso, meus deuses? – Sussurrou Alana.

- Eu ouvi isso! – Gritou L’ad.

Como já estavam no pé da montanha, o pântano não foi problema. Logo os dois se encontraram diante de um grande portão de pedra com escritas na língua dos anões. Uma coisa que eu creio que possa ser dita sobre essas pequenas criaturas barbudas é que eles fazem de tudo e mais um pouco por dinheiro, até mesmo desistir de partes da própria cultura (exceto os anciãos, que pelo fato de já estarem perto da morte, não ligam mais para seu dinheiro). Antigamente eles possuíam o próprio calendário, como os elfos, mas para não haver confusão cultural, bastou que o rei Tartarus desse uma quantia de dinheiro para o líder deles na época que logo concordaram em fazer a troca de datas. Eis um dos motivos pelos quais todo elfo odeia os anões.

L’ad bateu no portão, e uma criaturinha desajeitada de grandes barbas ruivas surgiu em um tipo de varanda de vigia, as quais existiam algumas acima e ao lado do portão.

- Quem vem lá? – Perguntou o anão para os viajantes abaixo dele.

- Eu sou L’ad Is-Kriger e essa é... – L’ad não soube continuar, pois já não lembrava o nome da garota.

- Alana Fairchild.

- E-é! – gaguejou. – Estamos aqui em uma missão real para encontrar guerreiros dispostos a atravessar a Cordilheira do Crepúsculo!

- A CdC? – Disse impressionado. — Xii... Duvido que vocês vão encontrar alguém aqui que seja assim, mas... Entrem né...

O anão saiu da vigia e os portões de pedra se abriram, revelando uma grande cidade dentro da montanha, sustentada por vários pilares bem ornamentados e com casas que utilizaram a rocha natural da montanha.

Os dois entraram com seus cavalos na cidade e logo os portões magicamente se fecharam. Haviam incontáveis anões na cidade iluminada por tochas, bem como duendes, um dos quais roubou dinheiro do bolso de L’ad, e fadas, que corriam atrás desses duendes ladrões.

- Que povo mais... Pequeno... – Disse Alana.

- Naturalmente! Você viu o tamanho dessa cidade? Se você estivesse em pé no seu cavalo bateria a cabeça no teto.

- E se você tivesse vindo aqui as uns 150 anos atrás teriam que deixar seus cavalos no pântano! — Disse um anão intrometido que estava andando ao lado deles. L’ad parou e olhou desconfiado para o baixinho de barbas brancas e longas e um grande chapéu pontudo de cor preta.

- E você é...?

- Thor Escudo Dourado, mercenário.

- Mercenário é? Hum...

- Todos os anões são mercenários! – Comentou Alana.

- Cale-se, elfa! Estou falando com o humano!

- Acalmem-se os dois. Hehe. Você, anão. Mestra alguma luta?

- Sim! Na verdade sou muito bom com o machado, mas quando precisa, sempre tenho minhas amadas adagas. – Disse com orgulho exibindo as adagas debaixo da capa.

- Ótimo! Eu tenho um serviço para você.

O anão soltou uma risada grave e pesada, jogando sua cabeça para trás.

- Eu sabia! Podia ver em seus olhos, humano!

- Mas requer coragem...

- Desembuche! – Gritou o anão impaciente.

- Anão! Tu terias coragem de atravessar para as terras além da Cordilheira do Crepúsculo? – Disse em voz alta e com animação para botar pilha no anão.

- HAHA! – O anão soltou outra de suas fortes risadas. – Claro! Nada melhor que um desafio!

- E terias tu coragem suficiente para jurar lealdade à rainha? – Perguntou Alana séria e com frieza

Iniciou-se um silêncio constrangedor entre os três...

- Elfa maldita. – Disse o anão.

- Não tem que se preocupar, anão. Você pode se tornar um corsário. Sabe, rainhas geralmente pagam bem.

- Hum... – Ele não precisou de mais tempo para pensar – Topo!

Thor armou-se mais pesadamente e montou em seu pônei e os três seguiram para o estremo sul do país, em direção ao deserto de Sahamat.

Horas se passaram, e no ponto de transição para o deserto, eles viram 3 pessoas com pressa em seus cavalos vindos na direção deles. Eles usavam turbantes que cobriam seus rostos e carregavam alfanjes. L’ad ordenou que seus companheiros ficassem parados até que os apressados chegassem a eles.

- Posso ajudá-los? – Gritou L’ad.

Os estranhos responderam empunhando suas espadas para um ataque.

- Preparem-se. – Sussurrou o meio-elfo.

Os três também empunharam suas armas e esperaram.

- Acho que eles estão com fome... Consegue dar uma areiazinha pra eles, Alena?

Ela finalmente sorriu, porém com malícia. Guardou seu arco e estendeu seu braço direito contra os misteriosos homens... Quando eles chegaram mais perto...

- Tyndegraf! – Gritou Alana.

Os cavalos dos estranhos caíram, fazendo-os também caírem de cara no chão.

Nossos protagonistas desceram de seus “cavalos” e foram ver quem eram aquelas pessoas.

L’ad segurou um pelo colarinho e lhe tirou o turbante. Era um sahamatiano. Sahamatianos eram como humanos, porém tinham pele mais escura, olhos vermelhos como seu sangue e possuíam uma tremenda resistência física, contudo eram relativamente insensíveis a magia. Eles sempre foram contra o reino de Soltzen e não se davam bem com nada que viesse do norte.

- O quê vocês três fazem aqui com alfanjes e escondendo os rostos? – Perguntou L’ad.

- Haselo tse soltzen. – Disse o sahamatiano, cuspindo da cara de L’ad.

Sem perder a compostura, o meio-elfo limpou seu rosto.

- Alguém aqui fala Sahamat? – Perguntou L’ad para seus companheiros.

- Eu não falo, mas... –Thor olhava para o que eles traziam consigo. – Parece que eles estavam fazendo um grande saque na colônia. – Disse enquanto abria um pacote cheio de moedas de ouro, e quando L’ad desviou o olhar, pegou o dinheiro para si.

Alana já tinha prendido um deles com cordas do próprio cavalo e resolveu ver o quê mais tinham, e um pacote gande se debatendo chamou a atenção dela. Ela pegou sua adaga e rascou o pacote, revelando que dentro dele havia um garoto humano amarrado e amordaçado.

- Ora vejam só... – Disse Alana, soltando o garoto com sua adaga. E assim que terminou, deixou ele cair no chão.

- Ordeno que me levem de volta para a colônia! – Disse o garoto, tentando se levantar.

- Menino ingrato. – Disse Alana.

A elfa derrubou o garoto novamente e subiu no cavalo.

- Que nos vamos logo! Não suporto desertos!

- Novamente... Eu ORDENO que me levem de volta, plebeus!

- E quem é você pra ordenar algo, criança? – Perguntou L’ad, amarrando o sahamatiano.

- Eu sou Gaius Kïrke, filho de Sir Gör Kïrke, Conde de Totslum

- Ora, ora! Um pequeno nobre!

- Tu sabes o caminho de casa garoto. É só seguir reto para o sul. – Disse Alana, querendo despachar a criança.

- Nós estamos indo para Totslum, não estamos? – Disse Thor, terminando de amarrar o outro sahamatiano. – Por que não levá-lo conosco? Eu acho que... Ele pode ter uma bela recompensa pra nós... Sei lá...

L’ad colocou um dos ladrões encima do seu cavalo, levantou os cavalos e amarrou-os ao seu e aos de seus companheiros.

- Então vamos antes que anoiteça! – Disse L’ad. Coloquem esses mal-feitores nos cavalos, e Alana, o guri vai na sua garupa!

- COMO?

- Não conteste!

- Ótimo... Agora serei uma babá de um garoto mimado. – Sussurrou Alana.

- O quê disse? – Perguntou o pequeno nobre.

- Que tu não passais de uma criança humana inútil!