Past Vs Future

5 Capítulo 5 - Século XXI


Capitulo 5

Século XXI

O sorriso de Demetri não me saía da cabeça, e tornava-se difícil parar de o perseguir, mas não havia nada a fazer, não queria ser tomada como alguém insolente e colocar em perigo a minha segurança, por isso aceitei ir com Félix até ao castelo. Segui-o até ao salão principal onde tinha estado a apenas algumas horas atrás. Eleazar e Angel já se encontravam junto de Aro. Os três conversavam animadamente e em voz baixa mas assim que me viram a entrar pararam e cada um ocupou o seu respectivo lugar ao lado do chefe. Aro pediu-me que me aproximasse do seu cadeirão e assim o fiz. Caio olhava-me com algum fascínio e interesse ao contrário de Marcus que continuava com o seu ar enfadado.

– Parece-me que tivemos um pequeno problema. – Disse Aro quando me aproximei dele.

– Peço desculpa. Deixei-me entusiasmar. – Baixei a cabeça não querendo olhar para o vampiro à minha frente.

– Não, não. Não tens que me pedir desculpas, querida. Bem sei o quanto é difícil ser-se um recém-nascido e ser provocado. – Olhou para trás de mim e segui-lhe o olhar. Só então me apercebi que Demetri se encontrava a um canto do salão. – Apenas gostava que percebesses que nem mesmo nós podemos quebrar as nossas regras e se fosse um pouco mais tarde poderiam ter passado por alguns humanos. Teríamos que tomar medidas se isso acontecesse e nunca é agradável.

– Não voltará a acontecer. – Prometi. Aro acenou com a cabeça.

– O Eleazar e o Angel puseram-me a par das tuas capacidades. – Sorriu. – Tive a oportunidade de presenciar um pouco da tua perseguição e fiquei bastante impressionado com a maneira como estavas decidida. Mas há mais uma experiência que gostava de realizar, se não te importares.

– Penso que não haverá problema. – Encolhi os ombros.

– Jane, chega aqui querida. – Chamou Aro.

Angel já me tinha avisado do poderoso poder de Jane, o quanto ela podia fazer com que até o vampiro mais forte se vergasse e gritasse de dor. Por momentos arrependi-me por ter aceitado aquela experiência. Olhei para ele, tinha um sobrolho franzido na direcção de Aro, nem ele queria acreditar que o Volturi fosse fazer aquela experiência. Jane aproximou-se muito lentamente do local perto dos tronos, sempre com um sorriso na cara.

– Sim, mestre? – Uma pergunta desnecessária. Uma mera formalidade. Já todos tínhamos percebido o que se seguiria.

– Jane, podes mostrar um pouco do teu poder à Caroline. Mas, só um bocadinho querida. – Acrescentou delicadamente.

A vampira adolescente encarou-me com os seus olhos vermelhos crus. Comecei por sentir o formigueiro que depois passou a uma sensação de mau estar. Em três segundos senti uma dor imensa nas costas que me obrigou a vergá-las para trás de uma forma muito estranha. Nem conseguia respirar. A dor aguda durou apenas mais uns três segundos e depois passou para o formigueiro inicial. Atirei-me para a frente caindo de joelhos no chão e a minha visão começou a ficar tingida de vermelho. Sentia a raiva crescer dentro de mim. Estava a ser atacada e não estava na minha natureza acatar isso pacificamente, sem ripostar. Levantei a cabeça e encarei Jane que continuava a sorrir. Senti o meu lábio superior ser repuxado para expor os meus dentes. Um rugido começava a formar-se no meu peito. Quatro segundos e estava novamente a torcer-me de dor, desta ver no estômago, como se estivesse a ser dado um nó. Quando a dor voltou a passar lancei-me sem qualquer hesitação na direcção da minha atacante. Um rugido profundo soltou-se da minha garganta, mas desta vez não tinha espaço para sentir vergonha, todo o meu cérebro estava ocupado em atacar. Jane deu uns passos para trás e quando estava quase a chegar-lhe foi outra vez abalroada por Félix que me puxou para trás e me segurou pelas costas. Debati-me nos seus braços tentado libertar-me, dando pontapés no ar. Jane perdera o sorriso e semicerrou os olhos. Mais uma onde de dor, agora pelo corpo inteiro. Soltei um grito lancinante que cortou todo o ar do grande salão. Mas tal como os outros ataques, este também só tinha durado três segundos. Angel rodeou Jane e Eleazar tentou meter-se à sua frente.

– Já chega Jane. – Falou, tentado desviar o ataque. Mas ela não parava. Continuava a sentir o formigueiro debaixo da pele que me indicava que dali a poucos segundos seria assaltada por mais uma onde de dor. Não podia permitir isso mas estava agarrada a um camião de quatro toneladas.

Tentei afastar um pouco a raiva que sentia e parei de tentar libertar-me de Félix, em vez disso concentrei-me no meu interior. Procurava. E encontrei! Olhei fixamente para Jane e assim que projectei o seu poder ela vergou-se no chão soltando gritos de dor. Contorcia-se e debatia-se contra quem lhe quisesse tocar. Eleazar voltou a sua atenção para mim.

– Caroline, pára. – Não. Ela abusou, usou muito mais do que o necessário, eu não a ia perdoar. Se pensava que podia brincar assim com as pessoas eu ia mostrar-lhe que isso não estava certo.

Jane continuava a contorcer-se e a gritar de dor. Alec, o seu irmão, meteu-se à frente de Eleazar e nesse momento fiquei completamente cega. Deixei de ouvir Jane queixar-se mas ouvia a respiração de todos à minha volta. Tudo ficou calmo. Ouvi passos na minha direcção.

– Caroline, já passou. A Jane não te vai fazer mais mal. Podes acalmar-te. – Era Angel. A esta altura já conseguia ver novamente mas mantive o olhar desfocado, ainda sentia o poder de Alec a ser utilizado em mim e não queria criar mais confusões, ou outro ataque muito pior vindo de outra pessoa. – Peço ao Félix que te solte se prometeres ficar calma.

Acenei com a cabeça. Já não via tudo tingido de vermelho, já conseguia controlar as minhas emoções, mas ainda assim decidi que não iria olhar para Jane. Senti os braços de Félix afrouxarem e irem me soltando devagar. Não criei qualquer resistência e mexi-me sempre muito lentamente. Só quando estava completamente solta é que deixei de sentir o formigueiro do poder de Alec e então comecei a focar o meu olhar em alguma coisa. Todos à nossa volta estavam petrificados, pareciam um monte de estátuas que apenas estavam ali a decorar o salão, apenas Aro mantinha um ar excitado e irrequieto, passeando o seu olhar por todos os membros da sala.

– Mas que belo espectáculo. Belíssimo poder. – Desceu do seu trono e caminhou na minha direcção. – Adorava ter alguém como tu na minha guarda, minha querida. Seria uma mais-valia para controlar os que não querem respeitar as regras que nos permitem sobreviver no mundo dos humanos e mantermos o segredo. Diz-me, Caroline, gostarias de fazer parte da guarda Volturi? – A sua expressão parecia a de uma criança a olhar para o presente de natal que sempre desejou receber.

Naquele momento não tinha mais nenhum sítio para onde ir. Nem sequer sabia quem eu era exactamente. Estava “perdida” no Mundo. O meu único amigo fazia parte da guarda e tinham bastantes pessoas interessantes com quem podia aprender. Angel tinha-me explicado tudo o que os Volturi representavam para os vampiros e como faziam para manter a ordem. Seria um óptimo sítio para se estar e estaria a ajudar toda a comunidade dos da nossa espécie.

– Teria todo o gosto em pertencer à guarda. – Sorri.

Tudo isto se passou há mais de um século. Hoje, eu e o Angel, com quem trabalhara desde sempre, estávamos sentados, à noite, numa esplanada em Madrid, Espanha. Tínhamos vindo para aqui para parar uns vampiros nómadas que andavam a caçar desenfreadamente nas aldeias mais pequenas deste país e alguns humanos já andavam a desconfiar de tanta carnificina. Os corpos eram deixados perto das casas da aldeia, esventrados e retalhados. Um verdadeiro mar de sangue, pelo que quando finalmente os conseguimos caçar não tivemos qualquer pena em aniquilar os dois causadores de tanto terror.

Angel estava descontraidamente sentado na sua cadeira, todo o seu 1.86m quase deitado. Vestia umas calças de ganga coçadas, uma t-shirt branca e um casaco de cabedal preto, com umas sapatilhas pretas nos pés. Aquele estilo rebelde contrastava com a sua cara angelical de olhos amendoados de cor negra como o carvão, o nariz direito e masculino e a sua boca delineada e com lábios cheios, sendo que o inferior era ligeiramente maior que o superior. O seu cabelo preto estava espetado em todas as direcções dando um certo ar de desarrumo. Eu agradecia o facto das roupas desta época serem confortáveis e versáteis. Tinha optado por umas calças de ganga skinny, uma camisola de alças vermelha e um casaco desportivo ao xadrez azul e vermelho. Nos pés também tinha umas sapatilhas.

Estávamos a fazer sucesso ali sentados na esplanada do café. Angel bebia cerveja e comia amendoins, eu limitava-me a vê-lo comer. Vários grupos de mulheres tinham-se sentado à nossa volta só para observarem Angel e conseguíamos ouvir alguns comentários de homens que passavam por nós e me olhavam. Já todos tinham percebido que não estávamos juntos devido à maneira como estávamos posicionados, cada um do seu lado da mesa, sem nos inclinar-mos um para o outro e toda a nossa expressão corporal sugeria que éramos apenas bons amigos. Tentávamos ignorar todas as conversas à nossa volta.

– Quando é que pensas contar-lhe o que sentes? – Falei para quebrar o silêncio.

– O que sinto? – Angel fez-se de desentendido e deu mais um gole na sua cerveja.

– Que estás apaixonado por ela! – Continuei.

– Oh não. Essa conversa outra vez não Caroline, por favor. – Lamentou-se ele. Era verdade, fazia-lhe aquela pergunta aí umas duas vezes por mês e Angel já estava farto de me ouvir falar sobre isso. Já sabia todas as minhas opiniões acerca do assunto de cor.

– Tu é que não tomas uma decisão. Houve uma altura que quase lhe chegaste a contar e não o que te fez voltar atrás.

– Já te disse, ela não quer nada comigo. – Mais uns amendoins para a boca.

– Oh, estás a inventar, eu sei. Quando estiver com ela vou-lhe dizer. – Ameacei.

– Não tinhas coragem. – Tentou passar um ar calmo mas um leve tremor na sua voz denunciou o seu nervosismo.

– Vamos ver então. Não é justo, já gostas dela à tanto tempo e ela não sabe. Ao menos penso que tem direito de saber e até te sai um peso de cima. Se nunca lhe disseres o que sentes nunca saberás o que poderá acontecer. – Sorri, estava a dizer aquela frase pela milionésima vez. – Olha para o Eleazar, apaixonou-se e deixou a guarda, agora está feliz com a sua cara-metade. Podia acontecer-te o mesmo.

– Sim, sim, eu sei. A mesma coisa do costume. Blá blá. – Sorriu e beberricou a sua cerveja.

Senti o meu telemóvel tremer no meu bolso e tirei-o ainda a olhar para Angel. Será que o teria convencido desta vez? Não me parecia. Suspirei derrotada e atendi.

– Sim? – Disse para o aparelho.

Era Alec quem me ligava.

– Sim, tratamos de tudo sem qualquer problema. Este assunto está arrumado.

Ele disse-me que havia uma coisa muito importante e grave. Um trabalho para toda a gente, toda a guarda dos Volturi. Surpreendi-me com a notícia. Nunca se tinha juntado toda a guarda para ir ao mesmo trabalho.

– Mas o que se passa? – Perguntei alarmada. Angel encarou-me com dureza, tentado perceber o que se passava. A partir desse momento iria ouvir Alec do outro lado da linha.

“-Precisamos de ir a Washington. Forks, mais concretamente. Surgiu um grave problema que temos que resolver e precisamos de toda a gente para combater o clã dos Cullen. Venham para o castelo para se juntarem a nós e irmos todos juntos ou esperem-nos em Washington. Mas não vão ter com eles sem nós chegarmos, é crucial irmos todos juntos.”

Desliguei o telemóvel.

– Os Cullen não são aquele clã vegetariano? – Franzi o sobrolho.

– Sim, são. Estão sempre a dar problemas esses. Já aconteceu aquela vez há uns anos atrás em que um dos vampiros deles contou a uma humana o que eles eram. Nessa altura Aro perdoou-lhes. – Resfolegou. – Nem sei porquê.

– Como é que um clã vegetariano pode dar tantos problemas? Acho que devíamos acabar com eles. – Desprezei.

– Então o que queres fazer? – Perguntou Angel. – Vamos ter a Itália ou directamente para Washington?

Notas finais
Obrigado pelo apoio...
fico à espera dos vossos comentarios e espero que estejama gostar ;)
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