Past Vs Future

45 Capítulo 45 - David


\"\"

Capitulo 45

David

Não conseguia ignorar mais o incessante toque do meu telemóvel pelo que pressionei o botão de atender a chamada.

- Olá Edward! – Cumprimentei.

«Olá» — A voz que soou do outro lado da linha não era a de quem eu estava à espera, não era Edward.

- Jayden? – Perguntei tentando confirmar a minha suspeita.

«Finalmente que consigo falar contigo. Eu sabia que se ligasse do telemóvel dele tu atenderias»

- Jayden, o que… — Mas ele não me deixou acabar de falar.

«Não sei porque não queres falar comigo, Caroline. No entanto tenho a certeza que atendes todas as chamadas dele. O Angel não me diz onde estás, apenas diz que estás bem. Porque não queres falar comigo? Porque atendes as chamadas do Edward?»

- Primeiro, eu não atendo todas as chamadas do Edward, aliás, apenas atendi esta porque achei que já era altura de falar com mais alguém que não fosse o Angel. Porque tens o telemóvel dele? – As perguntas de Jayden deixaram-me furiosa.

«Sabes, fico magoado por não ser a tua primeira escolha para nada. Ao fim de todos estes meses, quando decidiste que querias falar com mais alguém que não o Angel podias-me ter ligado, sabes que estou preocupado contigo, mas não…atendeste logo a chamada do teu querido»

O sarcasmo de Jayden deixava-me ainda mais fora de mim. Cerrei os dentes com força controlando o impulso de lhe desligar o telefone na cara.

- Ouve, eu não tenho que te dar qualquer explicação, meu menino. Eu ligo para quem eu quiser, atendo as chamadas de quem bem me apetecer e tu não tens nada a ver com isso. Eu não tenho nada contigo Jayden, vê se metes isso na tua cabeça dura. O que aconteceu no México não se tornará a repetir. – Agitava os braços no ar, espetando um dedo no ar como se conseguisse tocar no peito dele.

«Então não sei o que estou aqui a fazer à tua espera!»

- Eu também não. – Cuspi as palavras. Não sentia verdadeiramente o que estava a dizer, mas naquele momento tinha que ensinar uma lição a Jayden.

«Como fui estúpido ao pensar que alguma vez repararias em mim e quisesses realmente ficar comigo»

Dito isto desligou a chamada.

Atirei o telemóvel para dentro da mala com alguma força a mais. Espero que continue operacional. Levantei-me e dei um berro na direcção do rio, depois deixei-me cair de pernas cruzadas. Uma rajada de vento forte e súbita varreu-me o cabelo.

- O que é? Também me vens chatear? – Resmunguei para o meu mais recente amigo.

Curiosamente, desta vez não obtive qualquer resposta.

- Também tu decidiste que não vais falar mais comigo? – Mais uma vez, nem uma brisa me respondeu.

Olhei para o relógio, ainda era cedo, marcava apenas 12:36. Comecei por tirar algumas fotografias mas depressa me aborreci. A água cristalina do rio parecia-me bastante apelativa pelo que pousei a minha mala formando um pequeno monte juntamente com as minhas roupas e máquina de fotografar e lancei-me à água.

Era tão bom quando não havia gravidade. Podia dançar debaixo de água, dar cambalhotas, rodopiar sobre mim mesmo, adorava sentir-me flutuar. Vinha algumas vezes à superfície mas apenas porque gostava de sentir a brisa fresca bater-me na cara molhada, mas de imediato voltava a mergulhar. É um óptimo sítio para se pensar porque todos os sons são abafados pela água. Pensei em Jayden, na noite que tivemos no México, de como ele me fez sentir nesses tempos, desejada, amada, protegida. Pensei na reacção dele hoje ao telemóvel. Era compreensível, ele devia estar preocupado comigo, que direito tinha eu de desaparecer durante 6 meses só para meu belo prazer? Não ia gostar que ele ou Angel fizessem isso comigo.

Finalmente sai da água e dirigi-me ao meu monte de pertences. Peguei no telemóvel, ainda funcionava. Felizmente a mala estava fofa o suficiente para amortecer a pancada. Já eram quase 17 horas.

- Oh bolas, tenho que me despachar. – Fiquei de ir ter com o William à sua faculdade às 18 horas e ainda estava um pouco longe. Teria ainda 1 hora de caminho pela frente.

Apenas me vesti antes de deixar os limites da floresta, não queria molhar as minhas roupas! Felizmente cheguei à sua faculdade um pouco antes da hora de saída e ainda tive tempo de comprar uma nova muda de roupa, queria que William pensasse que eu tinha ido ao meu hotel. Comecei a rever as minhas fotografias na máquina e passei para umas que tinha tirado na noite anterior em casa dele. Havia uma foto em particular em que William estava deitado nas almofadas a rir. Novamente fui atacada por uma sensação de familiaridade seguida de um som de uma gargalhada que me arrepiou. A gargalhada de uma criança. Fechei os olhos e vi-a.

O rapaz que corria à minha frente não tinha mais de 7 anos. Eu perseguia-o, ocasionalmente estendia uma mão tentando alcança-lo, mas sem sucesso, ele era mais rápido e mais ágil que eu. Ele ria bastante enquanto corria. Por fim consegui apanhá-lo. Caímos os dois na relva e eu fiz-lhe cócegas, fazendo com que a sua gargalhada suasse mais alto enquanto o seu corpo se contorcia debaixo de mim. Eu era, sem dúvida, mais velha que o rapaz, com cerca de 12 anos. Parei de o torturar e deitei-me ao seu lado na relva. O rapaz virou a cara na minha direcção e encarou-me com os seus lindos e grandes olhos verdes. O mesmo verde que os meus olhos, reconheci imediatamente.

- Mana, porque é que as nuvens não caem? – Perguntou-me o rapaz com as faces vermelhas de ter andado a correr.

- As nuvens não caem porque estão presas com finas cordas invisíveis aos nossos olhos. – Respondi-lhe com um sorriso na cara. O seu olhar de espanto e sonhador deliciava-me e deixava-me muito contente.

- E a lua? Também? – Perguntou com a curiosidade natural de um jovem rapaz.

- Sim.

- Meninos, venham para dentro que está a escurecer. Caroline, David?! – Uma voz de mulher chamou ao longe interrompendo a nossa conversa.

- Já vamos! – Respondi.

- Uma corrida até casa? – Propôs David enquanto se levantava e desatava a correr fazendo-me segui-lo.

- Caroline? Caroline? Olá, está aí alguém? – William estalava os dedos à frente dos meus olhos.

Finalmente despertei da minha visão e olhei para ele.

- Ah, finalmente! Adormeceste acordada? – Esboçou um largo sorriso devido ao seu trocadilho.

Fixei o seu sorriso, de seguida o seu olhar e o seu cabelo. William era muito parecido com David. As feições da cara eram diferentes mas tinha o mesmo cabelo castanho desalinhado e o mesmo formato do sorriso. Quanto aos seus olhos, eram verdes, um pouco mais escuros e não tão brilhantes mas ainda assim me transmitiam uma sensação familiar.

- William qual é o teu apelido? – Perguntei sem me dar ao trabalho de o cumprimentar.

- Porquê? Estou a ser perseguido? – O seu sorriso mantinha-se.

- Curiosidade. Lembrei-me agora que ainda não o sei! – Disfarcei.

- Rayner. – Assim que me respondeu senti borboletas no meu estômago e deixei de respirar. Não podia acreditar.

- William Rayner?

- William David Rayner. É o meu nome completo! – Disse mostrando um orgulho forçado. – Estou a ser acusado de alguma coisa?

Notas finais
Continuo à espera de mais recomendações ;)