Past Vs Future
38 Capítulo 38 - Sentimentos de Culpa
Capitulo 38
Sentimentos de Culpa
Permanecia aninhada no colo de Angel. Apenas se ouvia o som da nossa respiração naquele quarto. Angel continuava a afagar-me o cabelo enquanto eu mirava um ponto na parede oposta. Os meus pensamentos fluíam entre Edward, Bella, Volterra e Jayden.
Quanto a Edward, condenava-me por ter cedido ao desejo de estar com ele, mas amaldiçoava todo o meu ser por não ser agora Edward ali na cama comigo. Aquilo fazia com que o meu peito doesse, uma dor indolor.
Por Bella os meus pensamentos vagueavam na promessa que não cumpri. Tinha prometido a Bella que nada ia acontecer, e aconteceu. Edward traiu-a comigo. Como tinha sido capaz de fazer tal coisa. Onde estava a réstia da minha humanidade? Cada vez tinha mais a certeza que esta deixara de existir a partir do momento em que me cravaram os dentes.
Angel continuava a afirmar que Deus nunca desistia de ninguém. Mas se isso era verdade porquê que Angel se encontrava comigo naquele momento? Condenado a uma vida imortal, uma vida aborrecida, e com tudo aquilo que ele sempre repudiou. Afinal de contas, Angel só errou por amar a pessoa errada. No entanto, pelo que sei, na igreja não nos ensinam a amar sempre o próximo? A perdoar? A não julgar os outros? Então porque iria um anjo julgar e odiar alguém? Se Deus deixou de acreditar no Angel, porque iria acreditar na minha alma?
Para agravar tudo ainda existia Jayden. Admito que sinto algo por Jayden. Amor? Não, o que sinto por Jayden não chega aos calcanhares daquilo que sinto pelo Edward. Não obstante, quando estava com Edward a voz de Jayden surgiu na minha mente. Talvez fosse o meu subconsciente que assumiu a voz de Jayden para me alertar da asneira que estava a fazer. Mas porquê a de Jayden? Não bastava a de Bella?
Como se já não bastasse todos estes assuntos a vaguear a minha mente, ainda tinha a situação em Volterra. Estava em alerta máxima sobre o que poderia ou não estar a acontecer naquela zona. Se já se teriam reorganizado para nos apanhar. Será que o meu plano com Marcus teria dado certo e nos teria dado uma vantagem a nível de tempo para montar uma estratégia? Provavelmente Marcus já teria sido eliminado e Aro tinha mandado alguns membros da guarda, como Jane, Alec, Félix, Demitri.
Oh meu Deus!! Estava eu aqui tão preocupada comigo, que nem me lembrei que Angel poderia estar a sofrer. Jane não ficou do nosso lado. Deve ter-lhe custado bastante sair de Volterra e deixa-la lá.
-Angel, está tudo bem? – Disse eu levantando-me depressa de mais, que quase fiz o meu amigo tombar da cama. – Eu aqui a falar dos meus problemas, e esqueci-me completamente que também deves estar a … — Hesitei falar do sofrimento dele. Hesitei, principalmente pronunciar o nome da Jane. Olhei nos olhos dele e consegui ver através deles o sofrimento que Angel tentou esconder só para ele. – Oh Angel, perdoa-me! – Disse abraçando o corpo enorme de Angel. Conseguia sentir as cicatrizes das asas partidas de Angel sobre as minhas mãos.
-Não te preocupes! Está tudo bem! – Disse afastando-se e forçando um sorriso. – Não volto a falhar-te. Nunca mais! – O seu sorriso alargou-se, agora um sorriso sincero, no entanto cheio de sofrimento.
Não era isto que eu queria, não queria que os meus amigos se sacrificassem por minha causa. Não queria destruir as vidas deles, eu não sou assim. Ou será que sou? Será que eu sou como o Aro? Uma vez, já á muito tempo, ele disse que eu era como ele. Que lutava sempre pelo que eu queria, e que só descansava quando o alcança-se. Não, tinha a certeza que não era como Aro. Não podia ser!
-Posso dizer-te uma coisa? – Angel olhava nos meus olhos, respondi-lhe com um aceno de cabeça. Apesar de ter um pouco de receio ao que vinha aí. – Eu acho que devias ir falar com o Edward para esclarecer tudo com ele. Vocês não podem continuar assim. Há mais pessoas envolvidas nesta história que sofrem com estes erros. – Ainda fitava Angel, sabia que ele tinha razão, mas tinha receio do meu encontro com Edward depois do que aconteceu naquele quarto.
-Tens razão! – Admiti finalmente. — Importas-te que vá agora? – Era melhor ir já, antes que perdesse a coragem, ou pior, Edward fosse embora.
Em menos de dois minutos, já me encontrava a bater à porta do quarto de Edward. Nenhum som, nenhum cheiro, nada! Não havia nada do outro lado daquela porta. Admito que isso me deixa bastante assustada. Será que ele foi mesmo embora sem dizer nada? Pensei nisso há momentos, mas nunca pensei que ele o fosse mesmo fazer.
-Ele saiu, precisava de estar sozinho! – Suou a voz de Alice atrás de mim. – Eu gosto muito de ti Caroline, mas a Bella é a minha melhor amiga. E se vocês não se controlam, talvez seja melhor não estarem juntos. Pelo menos até resolverem o que fazer, sem magoar mais ninguém. – Estava estática a olhar para Alice, nem um único músculo conseguia mexer. Ela tinha razão, Edward era casado, nós devíamos afastar-nos, mas então se isso era o mais correcto, porquê que doía tanto só a ideia de não estar mais com ele? – Desculpa, Caroline! – Alice avançou para mim, enlaçando as suas delicadas mãos nas minhas. – Mas é o que eu penso! Vocês tem que resolver as coisas, e desta vez tentem manter os corpos a mais de meio metro de distância por favor.
Assenti com a cabeça. Desta vez, nada ia acontecer, tinha a certeza disso. Tanto da minha parte como da dele.
-Alice, onde é que ele está?
-Não sei. Ele saiu sem destino, não consigo ver para onde vai, ainda não parou. – Alice desviou o olhar do meu, estava a olhar para o vazio, provavelmente a ver se conseguia ver Edward. Também tentei, mas não víamos nada.
Após me despedir de Alice e lhe explicar o que ia fazer, corri na direcção do seu odor. Dirigia-se para sul, segui-o, corri pelas ruas a uma velocidade demasiado rápida para ser vista por humanos.
Corria, fazia já mais de uma hora. Edward tinha parado há já algum tempo, encontrava-se sentado em cima de uma barragem, conseguia visualiza-lo. Mas ainda me faltava cerca de meia hora para o alcançar, Edward corria depressa.
Lá estava ele, na mesma posição da minha visão, a olhar para o ondular da água. Aproximei-me devagar e sentei-me perto dele, fitei o mesmo azul da água. Edward permaneceu igual, como se nada perto dele se tivesse alterado.
-Edward? – Tentei captar a sua atenção, sem sucesso, continuava imóvel. – Por favor, diz qualquer coisa.
Nada, a única coisa que ouvia era o chilrear de alguns pássaros. Aproximei-me um pouco mais dele e coloquei a minha mão sobre o seu ombro, mas nem ao meu toque ele respondeu.
-Edward, por favor, faz alguma coisa. Reage. – Edward continuava sem responder. Aquilo estava a matar-me. Será que ele me estava a odiar assim tanto que não quisesse falar comigo? Estava a preparar-me para o obrigar a reagir, iria aplicar-lhe um pouco do poder de Jane para ver se ele saia do seu transe – Desculpa! – Pedi antes de o submeter a tal coisa para ele reagir.
-A culpa não foi tua! – Edward pensou que eu estava a pedir desculpa pelo que tinha acontecido. Eu ia pedir, mas só depois de ele reagir. Graças a Deus que não foi preciso uma intervenção mais drástica para ouvir a sua voz. – Eu é que fui ao teu quarto, eu é que te disse que te amava, eu é que me aproximei de ti sabendo que não ias resistir. – Disse olhando, finalmente, nos meus olhos.
-Mas eu devia ter resistido Edward. Eu prometi à Bella que nada ia acontecer, e aconteceu. Eu falhei, contigo, com a Bella e comigo.
-Eu jurei perante milhares de testemunhas que lhe ia ser fiel. “Eu prometo ser-te fiel..” foi o que disse no casamento perante um padre, e depois, chego a França após um combate com os Volturi e a primeira coisa que deveria ter feito seria, talvez, ligar à minha mulher e à minha filha para dizer que estava bem. Em contrapartida, aquilo que eu fiz, foi dirigir-me ao teu quarto. – Edward agora falava mais alto, estava bastante irritado. Não comigo, o que era bom. Mas com ele, o que era péssimo. – Eu devia ter-me obrigado a ficar no meu quarto agarrado ao telefone com a Bella. Eu devia ter parado, não tu.
-Edward…
-Não Caroline, é verdade. O monstro aqui sou eu! Eu é que devia ter-me lembrado da Bella e da Renesmee e parar logo com aquilo. Isto vai magoa-las muito, e isso vai matar-me por dentro. – Voltou a focar os seus olhos dourados nos meus olhos negros. Por momentos, consegui ver a sua alma entristecida atrás daqueles olhos. – Eu já não sei o que fazer. Eu não consigo fazer isto à Bella nem a ti. Tudo isto é muito confuso. Eu amo a Bella, não tenho dúvidas disso, mas também te amo a ti, e são amores muito diferentes.
-Edward, tu não és um monstro. Tu és aquele homem que qualquer mulher no mundo desejava ter. Mas também és humano. E estas coisas por vezes acontecem, foi algo do momento. Algo que conseguimos, os dois, parar. Se tu não tivesses parado quando eu te pedi, se tivesses insistido, eu teria continuado. – Menti, provavelmente não teria. Ouvir a voz de Bella e Jayden estragou em parte o momento. – Paramos, e isso foi graças aos dois.
Edward não estava convencido, ouvia pelos seus pensamentos negativos, mas nada disse, ao invés disso limitou-se a fazer um sorriso trocista.
-Não, tu paras-te! Se não tivesses dito nada, eu teria continuado. Eu queria continuar, pior, parte de mim ainda quer. – Quando disse aquilo olhou para mim o que me fez estremecer – Mas é errado, e é a parte que me diz “És casado e isso é errado” que me impede de te beijar neste momento, de te tocar. E é essa parte que me faz odiar a mim mesmo por te desejar tanto. E, também, é essa parte que me culpa por não ter sido eu a parar. Porque eu é que sou casado, eu é que tenho uma família, eu é que devia ter parado. Não tu! Que o único motivo que tinha era uma promessa à minha mulher. Tu não tens namorado, nem marido, nem companheiro, nem nada.
Desviei o meu olhar do de Edward, ele ainda não sabia de Jayden. Não que ele fosse o meu namorado ou companheiro. Nada disso, apenas era meu amigo, um amigo com quem eu já tinha feito sexo, mas era isso que ele era para mim. Um amigo, cuja voz o meu subconsciente decidiu proferir quando eu estava com Edward à horas atrás.
Devia contar-lhe, não tinha porque lhe esconder. Edward iria, com certeza compreender, afinal de contas, nós não tínhamos nada. Não tinha que dar justificações, apenas não lhe ia mentir.
-Por acaso…- Iniciei a medo, depois olhei para Edward, que me fitava de forma confusa. – Ele não é meu namorado, nem coisa do género. É só meu amigo, mas…quando eu fui ao México, estava meio furiosa, porque tu estavas com a Bella e tal e…bem…eu e o Jayden… — Edward continuava a olhar para mim, o seu olhar confuso dava agora lugar a raiva. Senti um pedaço da pedra ceder por baixo da mão de Edward.
-Vocês…Tu e ele dormiram juntos? – A voz de Edward transmitia raiva. – Era por isso que era tão importante vir para Volterra? Para salvar o teu namoradinho?
-Edward, ele não é meu namorado, e eu já lhe deixei bem claro que aquilo foi só ocasional. Ele sabe que é de ti que eu gosto, que é a ti que eu quero. Ele sempre soube, nunca lhe menti. Mas tu tens a Bella, e eu tentei ter alguém também, para ver se te esquecia, mas não resultou. Por favor, tenta compreender! – Edward estava furioso, foi a primeira vez que me arrependi de lhe contar a verdade. Não iria aguentar se ele deixa-se de me falar.
Ficamos calados por bastante tempo, o silêncio começou a ser incomodativo, e a tensão para estarmos juntos começou a aumentar. Teria que fazer qualquer coisa para quebrar aquilo, não iria quebrar a minha promessa novamente
-Estás chateado comigo? – Perguntei temendo a resposta.
-Não! – Limitou-se a dizer. Por fim, levantou-se e recomeçou a correr.
Desta vez não o segui.
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