Past Vs Future

33 Capítulo 33 - Jayden em sarilhos!


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Capítulo 33

Jayden em Sarilhos

Ainda tentei resistir em responder à mensagem de voz de Angel mas não conseguia esquecer o tom do meu melhor amigo. Cerrei os dentes perante a decisão que acabava de tomar. Iria quebrar o meu jejum e ligar-lhe. Normalmente Angel atendia ao segundo toque mas já ia no quinto e pensava seriamente em desligar a chamada quando ele atendeu.

- Caroline? – A sua voz suava arrastada e cansada, como se tivesse acabado de dar ordens durante um dia inteiro.

Angel tinha um óptimo posto na hierarquia das capas, era ele quem estava logo abaixo de Aro, Marcus e Caios. O que queria dizer que até eu tinha que responder a uma ordem directa dele, apesar do mesmo tom de capa que envergávamos.

- Sim, Angel. Sou eu!

- Tens que vir imediatamente para Volterra. As coisas estão bastante descontroladas por aqui desde a tua saída.

Senti o apelo de responder à sua ordem com «Sim, irei imediatamente para aí», mas não queria cometer o erro de estar a cair numa armadilha que eles teriam engendrado só para me apanhar em Itália e conseguirem persuadir-me. Coloquei a minha vontade acima da ordem de Angel.

- O que se passa? – Perguntei sentindo um nó na garganta.

Senti que Angel se deslocava. Estaria a afastar-se do resto da guarda para conseguir falar melhor comigo? Eles não saberiam o que se passava? Ou estaria a ganhar espaço e tempo para me contar uma mentira que me levasse a Volterra para depois verificar que nada se passava? Mas enquanto ele permanecia calado consegui ouvir uma voz abafada ao fundo a berrar.

«Desculpem. Peço imensa desculpa. Por favor, não me matem!»

Senti um arrepio por todo o corpo quando reconheci de imediato a voz que apelava misericórdia.

- É o Jayden quem está a berrar? – Perguntou com um tom de ansiedade na voz.

- O teu aluno perdeu a cabeça quando te foste embora. No dia seguinte entrou pelo salão principal a dentro, interrompendo o festim que Aro e os irmãos estavam a dar, sem qualquer autorização e desatou a dar ordens para que te trouxéssemos de volta. – Não conseguia acreditar que Jayden tivesse feito uma coisa daqueles. Perdera completamente a cabeça? – Felizmente conseguimos travá-lo e neste momento está nas mãos do Alec.

«Nas mãos de Alec», sabia perfeitamente o que estava a acontecer. Tinham imobilizado e cegado por completo Jayden para que não pudesse dar mais ordens a ninguém até terem tomado uma decisão sobre o que lhe haviam de fazer. Pelos vistos estavam a considerar acabar com ele.

- Não, Angel, por favor, não permitas que o matem. – Supliquei.

- Não sei quanto tempo mais conseguirei aguentar a situação, Caroline. Já impedi que Aro o desfizesse no dia em que ele entrou pelo salão. Apelei a que este assunto passasse pelas tuas mãos e que serias tu quem tinha de tomar alguma decisão quanto ao futuro do teu discípulo. Mas a coisa está negra.

Imediatamente levantei-me da rocha onde estava sentada e comecei a correr em direcção à casa dos Cullen.

- Aguenta mais um pouco, vou apanhar o primeiro voo para Itália. Mas, Angel? – Disse antes de desligar. – Se sei que isto não passa de uma armadilha para me apanharem no castelo nunca mais vos perdoo.

Não esperei pela sua resposta e desliguei a chamada. Entrei de rompante por uma janela aberta da sala de estar onde se encontrava Edward e Emmet a brincar com Renesmee. A pequena lançou-me um sorriso aconchegante e naquele momento não queria partir. Sentia-me tão bem naquela casa. Mas o meu sorriso não apareceu e isso alarmou Edward.

- O que se passa? – Levantou-se de imediato do chão onde estavam a jogar um jogo de tabuleiro.

Desloquei-me para o quarto onde me tinham hospedado e comecei a fazer a mala. Edward seguiu-me.

- Tenho que voltar, o mais depressa possível, para Volterra. O vampiro por quem estou responsável em ensinar passou-se da cabeça e desafiou o Aro. Angel impediu que Aro o matasse mas não sei por quanto tempo mais consegue adiar essa decisão.

Edward pegou no telemóvel e procurou um número. Ouvi-o falar com alguém, mas sinceramente não estava a prestar atenção à conversa. Pensava em como Jayden podia ser tão estúpido ao ponto de provocar um Mestre. Pensava em como o poderia salvar de uma morte dolorosa por causa de uma estupidez. Maldita criança!

- O Eleazar diz que normalmente eles esperam que seja o responsável pela capa clara a tomar a decisão, mas que não esperam durante muito tempo. – Edward estava atrás de mim a chegar-me algumas roupas que estavam em cima da cama para eu meter na minha mala.

- Foi uma estupidez. Ele não merece morrer por isso! Tenho que o ir defender. – Conseguia sentir o soluço que se formava no peito e que eu lutava para que não saísse.

Continuei a arrumar as minhas coisas na mala da melhor maneira para que coubesse tudo, apesar de não serem muitas. Estávamos os dois em silêncio. Sentia Edward atrás de mim mas permanecia tão calado que era como se não estivesse. Por isso me sobressaltei uma pouco quando ele quebrou o silêncio.

- Vou contigo! – Afirmou.

Virei-me na sua direcção esquecendo o arrumo da mala.

- O quê? Não. Não é preciso que venhas comigo. Eu consigo tratar de tudo sozinha.

- E se tudo isto não passa de uma armadilha? – Fiquei surpreendida por ele ter o mesmo pensamento que eu. Será que em algum pouco, no meio de toda esta agitação, baixei as minhas defesas e ele conseguiu captar o meu pensamento?

- De certo que o Angel não me faria uma coisa dessas. Ele estava tão arrependido por causa do anel que tenho a certeza que não tinha coragem de me preparar uma cilada. – Ou teria?