Past Vs Future

28 Capítulo 28 - Desafios


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Capítulo 28

Desafios

Apenas uma pergunta patrulhava a minha cabeça, “Porquê?”. Tinha duas teorias para isso, uma seria o simples facto de temerem que renunciasse o convite dos Volturi e com isso eles não teriam acesso ao meu poder. O que seria mau para eles, no entanto, não seria o fim do mundo. Nada que eles não resolvessem. Apenas iria demorar mais um pouco a resolver todas as situações em que os Volturi se viam envolvidos.

A segunda teoria, seria que eles receassem que eu fosse em busca do meu passado e com isso não me concentrasse a 100% nos meus serviços como membro da guarda.

Não percebia o que lhes tinha passado pela cabeça para me esconderem o meu passado, ou melhor, o anel que me iria conduzir ao meu passado. E porque não me contaram agora? Quando eu descobri que Edwad estava relacionado com essa minha outra vida?

“Será a ideia de teres sido sua noiva assim tão disparatada quanto pensas?” tinha-me dito Aro dias antes de eu ter ido para Illinois, na altura fiquei sem perceber muito bem, pensei até que ele teria dito aquilo por ser um eterno romântico, e gostar destas coisas. Agora conseguia perceber o porquê. Ele sempre soube que o Edward era meu noivo. Todos sabiam, e não me contaram nada. Nem mesmo Angel. Aquele em quem eu confiava cegamente, o meu melhor amigo, aquele a quem corri para contar todas as novidades. Todos sabiam, e nada me contaram.

Talvez se eu tivesse sabido mais cedo, uns 50 anos atrás, estaria agora com Edward. Estaríamos casados, talvez tivéssemos adoptado algum vampiro, assim como Carlisle e Esme fizeram. Ou talvez seriamos como Alice e Jasper, ou Rosalie e Emmett, eu seria mais um membro da família Cullen. Embora eu preferisse ser um membro da família Massen.

Os Cullen invadiram todo o meu pensamento, conseguia visualizar o rosto de cada um, a voz de cada um, momentos engraçados que passámos juntos. No entanto o que mais avassalava a minha mente era Edward. Foi então que parei subitamente, fechei os olhos e inalei o ar que me rodeava, não que necessitasse daquele ar para viver, mas necessitei dele para que aquela pontada no meu peito desaparecesse.

Recordei algumas palavras de Edward e desatei a correr na direcção do cheiro que tinha atingido as minhas narinas. Ao fim de dois minutos estava já a visualizar uma matilha de lobos. Nada tinham a ver com aqueles que estavam sempre perto da casa dos Cullen e que tinham aquele cheiro desagradável. Estes eram bem mais pequenos e conseguiam ter um cheiro mais agradável, atrevia-me a dizer mesmo, mais apetitoso.

Um deles chamou a minha atenção, um cinza com algumas manchas brancas. Era mais robusto que os outros. Coloquei-me em posição de ataque, e num só salto consegui aterrar mesmo em cima dele, rápido o suficiente, para nenhum dos lobos se aperceber o que se estava a passar. Quando se aperceberam que o lobo cinza estava sob o meu peso, a restante matilha começou inicialmente a saltar para cima de mim, tentando morder-me numa tentativa inútil de salvar o amigo deles.

Foi a primeira vez que consegui alimentar-me de um animal por completo. Consegui ficar orgulhosa de mim, no entanto ainda estranhava um pouco o sabor. Mas ao menos desta vez o lobo não fugiu, e não fiquei com a boca com tanto pelo como da primeira vez. Nem me tinha sujado tanto como com os Cullen. Iria treinar isto mais vezes, para que quando lá voltasse pudesse mostrar aquilo que tinha aprendido.

Quando voltasse a Forks. Quando voltasse para os Cullen. Quando voltasse para o Edward. Tinha que lá voltar, tinha que estar com Edward, tinha que lhe contar do anel.

O meu anel!

Olhei para o meu dedo anelar e ele ainda ali não estava. Levantei-me calmamente, fechei os olhos e respirei fundo. Senti que se aproximava uma discussão complicada para recuperar o meu anel.

Corri em direcção ao palácio, decidida a exigir aquilo que era meu por direito. Depois iria decidir o que fazer, se continuava ou não nos Volturi.

Entrei de rompante pelas portas do castelo, senti olhares postos em mim, mas não correspondi a nenhum deles. Jayden veio na minha direcção perguntar o que se passava, mas não estava com disposição para falar com ele, ou com ninguém. Não queria descarregar a minha fúria nele, por isso limitei-me a fazer sinal com a mão para ele se afastar, o que ele obedeceu como qualquer capa clara teria feito.

-Caroline, Aro quer falar contigo. – ouvi Jane dizer, no entanto não lhe liguei, continuei o meu caminho. – Agora!

Continuei a ignorar Jane, que insistiu em vir atrás de mim. Sentia agora um pequeno formigueiro no meu corpo, o que fez com que apenas aumentasse as minhas interferências, de modo a ser impossível que Jane me atingisse. Se sentisse alguma coisa era como se fosse apenas um pequeno choque eléctrico. Nada que me fizesse gritar de dor, nem me contorcer de dor. Sabia que Jane odiava quando não conseguia atingir alguém.

Cheguei finalmente a uma enorme porta de madeira, antiga, tinha as dobradiças ainda em ferro. Tentei rodar a maçaneta, mas esta não se mexia, a porta estava trancada, no entanto conseguia ouvir passos do outro lado da porta.

-Caroline, o Aro quer falar contigo AGORA! – Jane berrava comigo. Sabia que não deveríamos desobedecer a uma ordem, muito menos se essa ordem fosse de Aro. Mas eles tinham-me mentido, por isso estava-me nas tintas para Aro neste momento.

Segurei com um pouco mais de força a maçaneta e empurrei a porta, senti o ferro das dobradiças a ceder e a fechadura a quebrar.

Angel olhava agora para mim. Estava apenas com umas calças de ganga vestidas. Conseguia ver agora as suas marcas nas costas em forma de V invertido. Angel apressou-se a pegar numa camisola e vestir, sem a abotoar posteriormente. Ele não gostava de expor as suas costas a ninguém. Apenas vestiu a camisa para as esconder de mim.

-Podias ter batido à porta, eu teria aberto. – disse Angel numa voz demasiado calma.

-O meu anel? – perguntei eu numa voz fria, a mesma que usava quando estava em serviço dos Volturi.

-Caroline, por favor, vamos conversar. – Angel tinha uma voz amargurada.

-Caroline, tens que ir ao Aro. Ele chamou-te. – disse Jane atrás de mim, senti novamente o formigueiro. Olhei para Jane, com um olhar frio que me devolveu o olhar.

-Não gosto que uses o teu poder comigo! – disse de forma cautelosa e gelada. Em seguida o olhar de Jane desligou-se do meu, prendendo-se no vazio e soltou um grito mártir. Angel dirigia-se a mim, talvez para defender a sua amada. No entanto, antes que este me pudesse alcançar, dirigi o meu olhar para ele. – O meu anel? – voltei a perguntar.

-Caroline pára. – disse Angel. – Não te contamos sobre o anel para o teu bem. Por favor Caroline. Ninguém sabia que o teu noivo era o Edward. Pensamos que era um humano qualquer. Era perigoso para esse humano estares perto dele.

-Desde quando é que vocês se preocupam com humanos? – perguntei eu, tentando falar mais alto para a minha voz se sobrepor aos gritos de Jane. Angel não respondeu, apenas olhava para Jane e para mim, implorando com o olhar para eu parar com aquilo. Dirigi o olhar a Jane e fiz com que aquela tortura parasse — Diz ao Aro que quando puder me dirijo ao salão para falar com ele. Ele pode ter a certeza que eu vou lá. – Quanto mais não fosse para esclarecer a historia do anel.

Angel acenou com a cabeça, como que a agradecer eu ter parado de torturar Jane.

-Caroline, desculpa. Não agimos da melhor forma, agora vemos isso. Mas agora já é tarde de mais para arrependimentos. Foi um erro, assumo isso.

-Angel, não volto a perguntar-te. O meu anel? – Estava a ficar impaciente. Não queria falar com Angel agora, estava demasiado magoada. Tudo que ele fosse dizer iria magoar-me mais.

-Desculpa Caroline, não sou eu que o tenho. É Aro. – Rodei sobre os calcanhares para sair do quarto de Angel. Ouvi o mesmo atrás de mim a tentar dizer para eu ter calma, como seria de esperar ignorei tudo que ele me dizia. Dirigi-me ao grande salão, abri as portas sem pedir licença para entrar.

-Caroline, minha querida. Como correu a viagem ao México? E por Forks? Como estão os Cullen? O meu amigo Carlisle? – Aro estava agora de pé de braços abertos para me receber com um abraço. Abraço, esse que não chegou a realizar-se.

-Onde está o meu anel? – Perguntei assim que estagnei em meio metro de Aro.

-Estou a ver, minha querida. – Disse calmamente sentando-se de novo na sua cadeira. – Já sabes sobre o anel. Vamos falar sobre isso.

-Não há nada para falar, vocês roubaram-me o anel, mentiram-me e fizeram-me fazer figuras de parva este tempo todo. Tudo que eu quero agora é o meu anel.

-Minha querida Caroline, eu acho melhor conversarmos primeiro antes de te devolver o anel. Não queremos que faças nenhuma loucura. – Aro mantinha sempre a sua postura e um sorriso amigável.

-Eu quero o meu anel agora! – Disse de forma autoritária. Da mesma forma que Jayden foi quando me mandou ir buscar o colar no México, e como mandou a senhora Joviana se suicidar. Assim, vi Aro perder o seu sorriso e levantar-se do seu trono e dirigir-se à divisão onde tinha os seus tesouros. Todos fitavam Aro, admirados por este me ter obedecido, e principalmente por ter sido o próprio a ir buscar o anel, invés de mandar lá alguém.

-Aqui está ele. – Aro voltava agora ao seu trono com uma bolsinha azul na mão. Que me entregou quando estávamos próximos o suficiente. Já não ostentava o seu sorriso, agora estava sério e talvez um pouco chateado. Afinal de contas, eu tinha acabado de desafiar um Volturi. Não era um Volturi qualquer, era O Volturi, o Aro. – Sei que estás transtornada, por isso desta vez estás perdoada. Mas tenho que saber, vais sair dos Volturi?

Não sabia o que lhes responder, ainda não tinha pensado nisso, eles mentiram-me, esconderam-me coisas, mas eram a minha família. Era a única família que eu tinha. Eles tinham-me acolhido. Não tencionava abandoná-los. Pelo menos não para sempre, mas necessitava afastar-me.

-Não sei. A longo prazo não, mas preciso de um tempo para digerir isto. Eventualmente irei voltar para Volterra, mas não agora.

-O tempo que necessitares minha querida – disse Aro sorrindo novamente. Fez sinal para que eu me retirasse. Quando já estava perto da porta, Aro perguntou – Vais para perto dos Cullen?

-Vou. – respondi quando dirigi o meu olhar a Aro. O seu sorriso era agora um pouco mais forçado. Sabia que ele sentia receio que eu deixa-se os Volturi e me juntasse aos Cullen. Aro começava a ter receio dos Cullen, pois eles estavam a ficar demasiado poderosos, e comigo lá, eram quase um clã invencível. Isso assustava Aro, pois tinha medo que os Volturi começassem a ser colocados em causa.

Dirigi-me ao meu quarto para preparar a mala. Antes de pegar na mala, sentei-me na beira da cama que estava no quarto e abri o pequeno saquinho azul, e lá estava ele. O anel que eu tinha visto na minha lembrança. Depositei-o na palma da minha mão e fiquei a vislumbra-lo. Rodei-o nos meus dedos. E vi que dentro tinha um nome gravado, conseguia-se ler no anel “Edward ♥ Caroline”.

Peguei no telemóvel e marquei um número.