Past Vs Future
25 Capítulo 25 - Problema resolvido
Capítulo 25
Problema resolvido
Era capaz de estar com Jayden uma eternidade naquele quarto de hotel, no entanto, o mundo real chamava do lado de fora. E essa realidade centrava-se, neste preciso momento, em resolver as coisas no México. Aqueles recém-nascidos tinham provocado estragos suficientes para me acarretar algumas dores de cabeça.
Após ter partilhado um banho com Jayden e vestido uma roupa casual, fomos passear pela cidade falar com alguns habitantes para saber o que eles sabiam sobre o serial killer intitulado de “vampiro”.
Entramos em algumas tasquinhas, em que numa delas avistamos uma senhora com o seu cabelo grisalho amarrado num pequeno puxo no topo da cabeça, que alegava ter visto um homem..não, um monstro.
-Mas pode descrever-nos o que viu ao certo? – questionava eu a pequena mulher.
-Eu vi um homem, que saltou para cima do senhor Aniceto, e em segundos o senhor Aniceto já se encontrava no chão. Pobre homem, eu conhecia-o, sabe? Ele foi meu namorado quando eu tinha uns 15 anos – a senhora Joviana corou um pouco quando admitiu o seu romance de adolescência em voz alta.
-Mas tem a certeza que era um homem, não poderia ser um animal? – insisti eu. Estava com alguma pressa para resolver aquele caso. Em contrapartida, para tal, necessitava de ouvir algumas testemunhas para tentar arranjar uma justificação plausível para aquele caso.
-Tenho menina. Tinha duas pernas e dois braços, a menos que fosse um bigfoot, tenho a certeza que era humano. – senti o olhar de Jayden em mim, eu fitava, no entanto, a senhora Joviana.
-Muito obrigado pelo seu depoimento. – Percebi que dali não iria conseguir retirar muitas mais informações. Peguei no meu gravador, o qual tinha permanecido no topo da mesa durante toda a conversa, perfeito para passar por uma jornalista estagiária.
Após ter arrumado todas as minhas coisas, tirado uma foto à senhora para talvez colocar no meu suposto artigo, a senhora Joviana não parava de sorrir olhando para mim e para Jayden. Mais para Jayden do que para mim. Consegui ouvir um «ai se eu tivesse uns aninhos a menos» enquanto o mirava de cima a baixo. Um sorriso formou-se nos meus lábios.
-Tem sorte minha menina, não é qualquer rapaz que acompanha a namorada assim a trabalho. – o sorriso que á segundos assaltou os meus lábios, dava agora lugar à forma de um “O” de embaraço. Olhei para Jayden que se esforçava para não sorrir, não sei se do meu embaraço ou se da simples ideia de acharem que éramos namorados.
-Não! – apressei-me a dizer. – Nós não somos namorados. Somos da mesma turma. Estamos apenas a fazer o artigo juntos.
-Mas olhe que faziam um belo par. Juntos! – Joviana examinou Jayden da cabeça aos pés, terminando com um belo sorriso para este. – O seu amigo é bastante atraente. – O seu sorriso foi maior ainda e terminou com um piscar de olho a Jayden.
-Obrigado senhora. – limitou-se Jayden a dizer, o seu quase sorriso já tinha desaparecido, agora estava apenas embaraçado. Depois, demasiado baixo e rápido, para um humano ouvir ou se aperceber, apenas disse – Vamos embora. – não fora uma ordem para mim, pelo menos não senti cócegas, foi apenas um pedido desesperado.
-Mais uma vez, muito obrigado senhora Joviana. – Disse levantando-me da mesa, sendo seguida por Jayden. Coloquei as minhas luvas para sair, mais para Joviana não sentir a diferença de temperatura, na altura em que lhe apertasse a mão em gesto de despedida.
Já estávamos cá fora, e a minha cabeça continuava a mil, havia testemunhas que tinham visto aqueles dois a atacar humanos, no entanto nenhuma tinha visto concretamente quem era, ou o que era. Eu possuía um poder que consistia em alterar a memória de alguém, no entanto não tinha o suficiente para alterar a mente de quase metade da cidade. Teríamos que pensar numa outra solução.
-E agora Caroline? Que fazemos? – perguntava Jayden enquanto apertava a cana do nariz.
-Não sei Jayden. Não sei. – não tinha porque lhe mentir, mais valia contar a verdade, não sabia o que fazer. Os Volturi nem sempre arranjavam soluções rapidamente, ou simplesmente não arranjavam soluções. Deixavam apenas que as coisas ficassem no rol de esquecimento dos humanos. Afinal de contas, eles tinham memória curta. Era o que teríamos feito à 50 anos atrás, no entanto, agora, nos dias de hoje, um crime desta dimensão, não iria ficar esquecido, iria haver sempre alguém a investigar.
-Vamos ver os relatórios da polícia. – disse quando entramos no carro. Não sabia ao certo o que estava a fazer, mas seria mais fácil ir directamente à fonte ver como estavam as investigações. E depois, talvez, decidisse alguma coisa.
Era quase 2 horas da madrugada, havia apenas três polícias na esquadra, o restante estava a fazer a ronda pela cidade. Tudo isto significava que o gabinete do detective estava vazio aquela hora. Jayden e eu, limitamo-nos a dar um pequeno salto até à janela do gabinete. Não necessitávamos acender a luz, por isso conseguimos vasculhar as coisas à vontade. Em menos de cinco minutos já tínhamos revistado tudo, e visto que apenas 3 pessoas tinham alegado ver de perto o tal assassino. Sendo que uma delas acabou por ser uma das vitimas dos nossos recém-nascidos, a outra era a senhora Joviana e outra era uma criança de 6 anos.
-Há testemunhas, a polícia tem o relatório delas, está a cidade toda assustada. Como vamos resolver isto? Não podes simplesmente apagar a memória de todos ou assim? – perguntou Jayden com um encolher de ombros.
-Apagar a memória da cidade toda? Não me parece. — Já estávamos de volta ao carro.
-Dizer que é um animal também não é possível, não existe nenhum com a descrição que eles têm no relatório.
-Deixa-me aqui. – Apontei para o hospital, necessitava de me alimentar, mas acima de tudo, estar sozinha para pensar um pouco. Jayden encostou o carro ao virar da esquina do hospital. – Acho que devias caçar um pouco também, estás com uns olhos demasiado escuros. Encontramo-nos no hotel.
Ao fim de meia hora já me tinha alimentado, encontrava-me agora no topo de um dos edifícios mais altos da cidade. Encontrava-me deitada no telhado a contemplar as estrelas e a lua. Era algo que gostava de fazer, acalmava-me, fazia-me sentir algo que eu não sabia explicar, era como se me sentisse segura, amada. Algo familiar para mim. Foi então que fui assaltada por mais uma memória.
Encontrava-me sentada num banco comprido, no alpendre da minha casa, reconhecia-o. Envergava uma saia azul pelo tornozelo e uma blusa branca com folhos. Estava uma noite de lua cheia, e ao meu lado estava o rapaz mais bonito que alguma vez vira, sentia-me uma sortuda por ter a oportunidade de dizer a todas as minhas amigas que estava a ser cortejada pelo Edward Massen.
-Sabes que se fechares um olho e olhares para a lua, ela é do tamanho do teu polegar? – de repente estávamos os dois, com um olho fechado e o polegar estendido e verificávamos que de facto ela ficava do tamanho do polegar. – É sempre assim, independentemente do local onde estiveres. – Edward olhou para mim e sorriu.
Tinha vontade de o abraçar, ou de sentir os seus lábios novamente, só tinha acontecido duas vezes, mas não era próprio para uma jovem beijar outro rapaz assim, muito menos sem estarem 100% comprometidos.
Edward levantou-se, tirou algo de dentro do bolso do seu casaco, e colocou-se em posição de cavaleiro à minha frente. Eu comecei a tremer, coloquei as mãos à frente da boca para abafar um pequeno grito. Não conseguia parar de repetir a mim mesma, “Oh meu Deus, oh meu Deus!” e então os meus olhos encheram-se de lágrimas.
-Caroline, sempre tive conhecimento desse teu carácter admirável, da tua força. Mas tu baixas-te a tua guarda, e permitiste que eu entrasse, dando-me o teu voto de confiança. Deste-me parte do teu coração, e é por ele que eu estou aqui, nos bons e maus momentos. E quando entrei no teu coração, dei-te o meu também, com exclusividade e sem medos. Porque eu sei, que tu és a tal, aquela com quem quero passar o resto da minha vida. – Edward abriu a caixa, e o meu coração falhou um batimento, os meus pulmões pararam de funcionar. Lá encontrava-se um anel de noivado, era em ouro branco todo trabalhado, com um grande diamante no centro, era absolutamente lindo. – Caroline, aceitas casar comigo?
-Sim! – disse com as lágrimas a correr pela minha face. Ele pegou na minha mão trémula e colocou o anel no meu dedo. Abracei Edward, e permiti que ele me beija-se.
Nessa noite, quando já estava deitada na minha cama, estava a vislumbrar o meu anel novo. Foi então que olhei para a lua pela janela que se encontrava no meu quarto, e fechei um olho e vi a lua pelo meu polegar, perguntando-me, será que Edward estaria a olhar para a lua também? Ele tinha prometido que todas as noites iria adormecer a olhar para a lua, era o nosso ponto de ligação durante a noite. A lua e o nosso anel. Olhei mais uma vez para o anel, antes de fechar os olhos, sabendo que Edward seria para sempre meu.
Abri os olhos, e permanecia deitada no telhado daquele edifício com a mesma lua cheia de à 100 anos atrás a olhar para mim. Fechei o meu olho e a lua continuava a caber no meu dedo polegar, questionei-me se ainda seria aquele o nosso ponto de ligação á noite, estaria Edward a olhar para o céu também? Senti um aperto no estômago. Senti uma vontade súbita de ouvir a sua voz, de sentir o seu cheiro, de o sentir ali, ao meu lado.
Por momentos desejei que todos estes anos não passassem de um sonho, e que voltasse a acordar novamente na manhã a seguir ao meu pedido de casamento, e corresse para os braços de Edward para me certificar que ele ainda era meu.
Olhei para o meu dedo, algo faltava ali, faltava o meu anel, quando acordei naquele dia ao lado de Angel já não o possuía. Não me lembrava dele, apenas sabia como ele era graças a esta memória. Apenas podia rezar por mais lembranças que me dissessem onde o tinha colocado.
Levantei-me e dirigi-me ao hotel, sabia o que teríamos que fazer. Corri, saltando de telhado em telhado. Quando cheguei ao hotel, Jayden ainda não tinha voltado da caçada. Por isso limitei-me a ir para o meu quarto de hotel esperar por ele. Liguei a televisão para ver o que estava a passar, como seria de esperar aquela hora apenas passava televendas, por isso desliguei-a. Dirigi-me a uma poltrona que estava perto da janela do quarto, sentei-me nela e fiquei ali apenas a vislumbrar a lua.
Ouvi finalmente Jayden a chegar ao estacionamento do hotel, corri para a porta, e depois segui em passo humano até perto de Jayden. Este tinha agora uns olhos vermelhos vivos, contrastava com o seu tom de pele e o seu cabelo.
-Estás com melhor aspecto. – disse-lhe com um sorriso. – Vamos resolver isto.
-Mas agora? O que vamos fazer? Arranjar um assassino?
-Também. Mas temos que nos despachar, falta pouco para o amanhecer. Temos que estar no hotel daqui a uma hora. – Jayden arrancou, dirigindo-se para a saída do hotel.
-Para onde menina? – perguntou de forma formal, aquela forma que eu lhe tinha proibido expressamente caso ele trabalhasse comigo.
-Se vamos começar a trabalhar juntos, vais ter que deixar isso do menina.
-Desculpa, estava a brincar. – olhou para mim e fez aquele sorriso maravilhoso. – Vamos começar a trabalhar juntos? Pensei que íamos a meio do trabalho já.
-Deste, já estamos no final. Mas futuramente vamos trabalhar juntos, a menos que não queiras, claro. – fiquei assustada, não que quisesse ter algo serio com Jayden, mas não me agradava o facto de ser rejeitada. Não agrada a ninguém.
-Estás a falar a sério? Vamos ser companheiros, tipo o Bucha e o Estica? – Jayden sorria, até os olhos brilhavam, era bom para um novato da guarda começar a trabalhar em campo, principalmente com um dos capas mais escuras.
-Desde que tu sejas o Bucha, sim. Pode-se dizer que sim. – sorri para ele, ao qual ele retribuiu.
Jayden estacionou o carro numa rua um pouco deserta. Iriamos fazer o restante percurso a pé. Demoraríamos menos tempo do que se fossemos de carro. Corremos até casa da senhora Joviana, ela vivia num terceiro andar, entramos pela janela da senhora.
-Não achas que hoje andamos a entrar muito pela janela das pessoas? – perguntou Jayden. Não lhe respondi, apenas lhe retribui um olhar serio, quando estava em trabalho não gostava de brincadeiras, não misturava as coisas. Quando estava a trabalhar estava sempre atenta, mesmo que só implicasse simples humanos.
-Vou acordá-la. Tudo aquilo que tens que fazer, é ordenar que se suicide. – Jayden olhou para mim, como quem não percebe-se nada.
-Joviana! – chamei eu. A pobre mulher acordou sobressaltada e olhou para nós assustada. Conseguia ouvir «como é que eles conseguiram entrar aqui? O que estão aqui a fazer?», depois olhou para os nossos olhos, nenhum de nós tinha colocado lentes de contacto, não eram necessárias, ela ia morrer. «O quê que eles são?», depois começou apenas a rezar.
Olhei para Jayden como que a dar sinal para ele avançar.
-Joviana você vai suicidar-se, vai tomar todos os comprimidos que tem em casa, mas antes vai escrever uma carta para a sua família a despedir-se. – Vimos a mulher com as lágrimas nos olhos levantar-se da cama, pegar numa folha e despedir-se da filha e dos netos, depois dirigiu-se ao armário da cozinha e tomou três caixas de comprimidos e empurrou tudo com água. Nós apenas estávamos ali a verificar se ela fazia tudo direitinho.
Depois de Joviana ter voltado para a cama, saímos pela Janela, voltaríamos mais tarde para nos certificarmos que estava a correr como planeado. Seguimos para casa de um homem parecido com as características do Rowan, este morava sozinho, o que era perfeito, devido aos álibis.
Fui ter com o homem, e mais uma vez acordamo-lo, desta vez fui eu que actuei, mexi com a memória dele, fiz com que ele acreditasse que tinha morto todas aquelas pessoas, que estava demente, mostrei-lhe como ele atacava aquelas pessoas, para que ele realmente acreditasse nisso. No dia seguinte iria confessar à polícia aquilo que tinha feito, como o fez, mostrando que estava perturbado. Iria ser internado, e iria conseguir escapar a uma prisão perpétua.
Já estávamos de volta ao carro a dirigirmo-nos ao hotel, faltavam 10 minutos para o amanhecer.
-Porque matamos a senhora Joviana se já íamos arranjar um culpado? – perguntou Jayden um pouco confuso.
-Simples, porque a senhora Joviana poderia identificar e dizer que não era ele. Assim, com ela morta, não há testemunha.
-Mas temos a criança de 6 anos que também viu.
- Pois, mas a criança viu a Tracey, as restantes testemunhas que estão mortas viram o Rowan. O que significa que vão achar que a criança mentiu, o testemunho dela não vai ser credível. – Jayden olhava para mim, ainda a assimilar o plano.
Chegamos finalmente ao hotel, faltava muito pouco para o nascer do sol. Estávamos no corredor para os quartos, quando Jayden me agarrou, colocando a sua mão na minha barriga, e me começou a beijar o pescoço.
-Desculpa Jayden, hoje não. – soltei-me do abraço forte dele, sabia que o tinha magoado, mas hoje queria estar sozinha, aquela memória hoje tinha mexido comigo, tinha Edward demasiado presente na minha mente, no meu coração.
Quando entrei no meu quarto, sentei-me novamente na minha poltrona, desta vez sem a lua e com a cortina corrida. Peguei no telemóvel e fui ver as imagens que lá tinha, e ali estava ele, o Edward com o seu sorriso torto e o cabelo desalinhado. O meu coração começou a ficar cada vez mais apertado, e comecei a chorar, à minha maneira, mas a chorar.
Notas finais
Um especial obrigado à Melyssa Hale Cullen pela maravilhosa recomendação que fez à fic...
Aos que comentam assiduamente, o meu muito obrigado também...
E aos leitores fantasma (aqueles que leem, mas não comentam) muito obrigado também!
Fale com o autor