Past Vs Future
18 Capítulo 18 - Noivos
Notas iniciais
Capitulo 18
Noivos
Olhava fixamente a televisão do quarto de Esme e Carlisle, mas na verdade, não prestava a mínima atenção ao que lá se passava.
– Estás muito calada. – Edward sentou-se ao meu lado, no pequeno sofá apertado.
– Aconteceram muitas coisas hoje, preciso de tempo para reflectir nelas. – Desviei o meu olhar para si, apenas durante uns segundos, e de seguida de novo para a televisão. Ele apercebeu-se que não me referia apenas ao que Carlisle tinha encontrado no hospital.
Reinou, novamente, o silêncio entre nós. Levantei-me e peguei na minha carteira.
– Vou para o meu quarto. Até amanhã. – Já era noite alta. O boletim meteorológico anunciava mais um dia de chuva.
Já no meu quarto retirei o papel do arquivo da minha carteira e abri-o. Mais uma vez li o cabeçalho.
«Licença de Matrimónio
Edward Masen e Caroline Rayner»
Perguntei-me como é que Carlisle e Esme não tinham chegado à conclusão que naquele tempo não era usual uma rapariga visitar tanto um rapaz no hospital e que, ainda por cima, os nossos sobrenomes não correspondiam. Normalmente, quando alguém era da família e ia visitar um doente eles colocavam o sobrenome igual ao do paciente no registo, por isso, se fossemos do mesmo sangue apareceria «Caroline Masen Rayner».
Ouvi baterem à porta. Dobrei apressadamente o papel e meti-o no bolso traseiro das calças. Dei licença para entrar. Edward abriu timidamente a porta enquanto olhava para o chão. Entrou calmamente e deixou-se ficar junto da porta do quarto.
– Caroline, acerca do que se passou hoje no arquivo… — Começou ele.
– Ouve, Edward. Não temos que falar nisso. Não se passou nada! – Concluí.
Ele encarou-me com o seu olhar de mel. Algo me dizia que havia qualquer coisa que não me estava a contar, no entanto, esperei que fosse ele a falar.
– Mas, quase se passou. E isso é algo que não posso ignorar. Aliás, é algo que não consigo ignorar. – Deu apenas mais um passo na minha direcção. – Sempre que estou junto de ti sinto uma urgência em te tocar. Quero sentir-te junto a mim e saber se estás bem. Há algumas coisas que fazes que eu reconheço, não sei como, acho-lhes piada e sinto-me melancólico por isso. Como o prenderes a mão no teu cabelo quando estás a enfrentar algo embaraçoso. – Acrescentou com um sorriso.
Rapidamente retirei a mão do meu cabelo. Era um gesto que sempre tinha feito, já nem dava conta que o fazia. Edward deu mais um passo, ficando próximo de mim, quase tinha percorrido o quarto.
– Eu não sei o que éramos um ao outro na nossa vida humana, mas por alguma razão, não consigo deixar de pensar que tenho que te compensar. Que te desiludi em algum ponto.
Senti uma tontura quando ele disse aquelas palavras e perdi o equilíbrio deixando-me cair perto dos pés da cama. Edward correu para mim e agarrou-me pelos braços. Conseguia ouvir a sua voz ao longe, como se ele não estivesse a falar ali ao meu lado, mas do outro lado de um poço profundo. A minha visão começou a falhar e no segundo seguinte já não estava no quarto de hotel.
Encontrava-me agora num quarto antigo, grande, mas aconchegante e familiar. Era o meu quarto, tinha a certeza. Estava sentada na minha grande cama de dossel e encarava o vestido branco pendurado, solenemente, na porta do meu guarda-vestidos. Estava a sorrir enquanto olhava para ele como uma criança enquanto admira o seu brinquedo novo. Mais uns dias e usá-lo-ia. Era já no Domingo. Edward estava no hospital, com febre espanhola e por isso eu sabia que iria ser difícil casar-me com ele dali a apenas dois dias, mas ele prometeu que lá estaria. Mesmo deitado na cama do hospital, com a febre altíssima, ele prometeu que subiríamos ao altar naquele mesmo Domingo. «Vamo-nos casar e teremos filhos lindíssimos, tal como a mãe.» dissera-me a apenas um dia atrás. Ouvi baterem à porta e um tempo depois a minha mãe chamou por mim. Antes de descer arranjei-me ao espelho. Os meus olhos eram de um castanho cor de avelã, escuros nas bordas mas um pouco mais claros no seu interior. Enrolei um caracol na ponta do dedo e desci. Assim que cheguei à porta o meu coração parou uma batida. Senhor Philips estava à nossa entrada. Ele trabalhava para o hospital e era, normalmente, quem dava as más notícias às famílias, o que só queria dizer uma coisa. Levei as mãos à boca e abafei um grito. «Não» repetia continuamente. «Senhorita Rayner, lamento imenso» disse apenas Senhor Philips. Deixei os meus joelhos caírem violentamente no chão e desfiz-me em lágrimas. A minha mãe correu para a minha beira e abraçou-me contra o seu peito embalando-me. Também ela chorava. Nessa noite não consegui dormir, nem comer, nem fazer o que quer que fosse. Estava deitada na minha cama, agarrada a uma foto minha e de Edward enquanto as lágrimas caiam sem parar.
Quando regressei ao presente estava a abafar os meus soluços. Edward abraçava-me pelos ombros, encostara a minha cabeça ao seu peito e embalava-me suavemente enquanto escondia o seu nariz no meu cabelo. Depois, ouvi o que ele repetia.
– Desculpa, desculpa, desculpa. – Sussurrava contra o alto da minha cabeça.
– O quê? Como? – Olhei para cima, para os seus olhos tristes e senti que também eles choravam.
– Baixaste o teu muro quando te foste abaixo. – Apertou-me mais contra si. O sentimento de culpa estava estampado no seu rosto.
Afastei-me dele e levantei-me da cama, onde Edward nos tinha posto assim que comecei a ter a visão. Meti a mão ao bolso e retirei o papel do arquivo. Estendi-o para que ele o visse. Edward fixou-o durante uns minutos, sem que nenhum dos dois dissesse uma palavra que fosse. Depois ele pousou-o e voltou a dar-me toda a sua atenção.
– Desculpa, Caroline. – Proferiu.
– Edward, por favor. Não tens que pedir desculpa. Não tens culpa de teres morrido. – Avancei para ele e peguei-lhe nas mãos. Ainda se sentia culpa do por não ter cumprido a promessa de me levar ao altar naquele Domingo.
– Mas, eu desiludi-te. – Baixou o olhar para a cama.
– Pára com isso. – Pedi-lhe. – São águas passadas. Isso aconteceu à mais de 100 anos, não nos vamos martirizar por isso agora. Ouve-me… — Coloquei a minha mão esquerda debaixo do seu queixo e levantei-o, para que os nossos olhos se encontrassem. – Fico feliz por te ter voltado a encontrar, por não te ter perdido para sempre. Pelo menos, tenho algo do meu passado que ainda está comigo. – Sorri.
Edward encarou-me durante uns segundos, sem qualquer reacção, e quando menos o previa ele beijou-me. Ao fim de centenas de anos os nossos lábios voltaram a encontrar-se, e tudo encaixava na perfeição novamente. Estávamos em sintonia. Foi então que uma palavra passou pelas nossas mentes ao mesmo tempo «Bella». Afastamo-nos bruscamente um do outro. Eu estava encostada à parede oposta do quarto com um dedo nos lábios.
Aquilo estava incorrecto. Nunca o deveria ter beijado de volta, ele era casado e com uma filha. Tinha a sua família construída. Mas, no entanto, ele pertencera-me a mim antes de a ter encontrado. Ia casar comigo. E ainda sentíamos atracção um pelo outro, os nossos corpos sabiam perfeitamente o que fazer. O que iríamos fazer?
Notas finais
Um obrigado muito especial à patriciapt pelos maravilhosos comentarios que sempre faz, pela emocionante recomendação que fez à fanfic ;)
O resto já sabem, comentem, favoritem e recomendem a fic "Past vs Future"
Twikisses**
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