Past Vs Future

16 Capítulo 16 - Regresso a casa


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Capítulo 16

Regresso a casa

Já há algum tempo que não me divertia tanto, depois de termos chegado a casa, relatamos a caçada aos restantes membros da família, que não nos acompanharam. Começamos por contar a minha tentativa frustrada de tentar caçar animais, todos se mostraram demasiado compreensivos para comigo, ninguém ousou rir, em contrapartida todos me deram conselhos. O mesmo não aconteceu quando divulgamos a recente teoria do Emmett com o cervo vampiro, todos, à excepção do próprio riram, de tal teoria.

-Emmett, relaxa, não vai acontecer isso. A sério! – tentava Carlisle inutilmente acalmar Emmett.

O que ninguém sabia, à excepção de mim e Edward, é que Emmett não estava com receio da nova espécie vampírica, mas sim desiludido por não poder lutar com tal criatura. Edward e eu trocamos um ligeiro olhar e sorrimos perante tais pensamentos do irmão.

-Alice – chamou Carlisle – o cervo vai transformar-se num vampiro?

Alice soltou um sorriso trocista, o qual foi interrompido por um olhar severo por parte de Carlisle. Alice, ficou estática a mirar o além.

-Oh meu Deus! – disse Alice com uma cara assustada, voltando da sua viagem pelo futuro. Todos ficaram sérios a olhar para Alice – O cervo…o cervo… — alternava o olhar entre Emmett e Carlisle – o cervo…está bem de saúde. – e com isto soltou uma gargalhada, na qual os restantes Cullen imitaram.

Afastei-me um pouco para observar aquele quadro familiar, como aquilo me fazia sentir humana novamente. Apesar de estar a ser uma noite bastante divertida, ainda sentia a minha garganta arder, estava com bastante sede, tinha que me alimentar urgentemente, caso contrário não iria aguentar uma viagem de avião até Volterra sem ferir alguém.

Teria que sair, ir a uma cidade vizinha de Forks arranjar sangue, não iria assaltar o hospital de Carlisle, não tinha coragem para tal, não depois de este me ter dito que era errado. Não o conseguia desiludir, era como se ele fosse uma espécie de Deus, que uma pessoa tem medo de o desiludir, que se sofre apenas por ver a dor nos seus olhos.

Estava decidido, eu iria sair daquela casa, iria inventar uma desculpa qualquer e ausentar-me. Quem sabe, um telefonema falso de Volterra a dizer que necessitavam de mim urgentemente.

-Caroline, está tudo bem? – Edward encontrava-se agora ao meu lado a exibir o seu lindo sorriso. Mais uma vez o meu coração inexistente pareceu palpitar e as minhas pernas queriam ceder.

-Sim. – consegui responder.

Edward sorriu e passou a mão pelo seu cabelo, e focou o seu olhar em mim, olhou intensamente, fazendo-me sentir um formigueiro por todo o meu corpo, que me fez sorrir e ganhar força nas pernas.

-Sabes que não vai resultar, não sabes? – provoquei eu, fazendo que a intensidade do seu olhar diminui-se e desse lugar a um olhar constrangido

-Não custa tentar. Não gosto que me escondam coisas. Posso só ter começado a falar contigo hoje, mas eu conheço-te Caroline. O que se passa?

Sorri para ele, não lhe iria conseguir mentir, não quando aquele olhos dourados estavam a vigiar cada movimento da minha face.

-Vou-me embora. – Quando disse tais palavras, o seu rosto exprimiu surpresa e confusão. – Não tem nada a ver com vocês, eu adoro estar aqui, vocês são todos muito amáveis comigo. E como já disse, estou extremamente grata a vocês pelo vosso apoio, mas eu tenho que me alimentar, e sei que o Carlisle não concorda com isto de assaltar hospitais, não o quero desiludir. Para além do que ele já me ajuda o suficiente, não o vou obrigar a ajudar-me em algo que ele reprova.

-Não sejas parva, o Carlisle sabe o quanto é difícil habituar-se de um momento para o outro ao sangue animal. Nem ele estava á espera que conseguisses já hoje. – ao dizer isto tirou uma madeixa que estava à frente dos meus olhos e sorriu de uma forma calorosa. – Carlisle?

Gostava quando Edward tomava conta de mim, fazia sentir-me segura, como se nada me pudesse acontecer. Pela primeira vez na minha vida de vampira, baixei a minha guarda, deixei que Edward me lesse, quis que ele soubesse que eu me sentia bem com ele, que me sentia segura. Edward apenas sorriu e respondeu que também sentia o mesmo, por pensamento, claro. Era engraçado a forma como conseguíamos ter uma conversa particular, numa sala cheia de pessoas.

No entanto, Carlisle chegou cedo de mais e o meu muro subiu rapidamente, deixando novamente Edward às escuras. Este repreendeu-me e com um «que é feito dessa confiança por mim?» por pensamento, ao qual eu apenas sorri e desviei o meu olhar para Carlisle.

-Carlisle, como sabes a Caroline não conseguiu alimentar-se esta noite. Estranhou o “restaurante” – disse Edward em tom sarcástico. – Será que a podes ajudar por esta vez?

Susti a respiração, estava receosa da sua resposta, ele apenas sorriu e acenou que sim.

-Volto daqui a 15 minutos, acho que tenho que ir buscar uma encomenda. – disse Carlisle em voz alta, pegou na sua mala de médico e na bata e dirigiu-se ao carro numa velocidade sobrenatural e desapareceu.

Carlisle levou um pouco mais que os 15 minutos a regressar, aparentemente apareceu três pacientes vítimas de um acidente de viação e Carlisle ficou um pouco mais para ajudar o outro médico. Depois de bem alimentada, divertimo-nos com algumas histórias do passado, eles relataram experiencias que tinham vivido todos juntos. Eu relatei algumas das minhas histórias vividas na guarda dos Volturi. A meio do serão Edward regressou a casa para junto de Bella e Rennesme.

Horas mais tarde já me encontrava num avião com o destino Volterra. Edward, Bella, Rosalie e Esme tinham-me acompanhado até ao aeroporto, os restantes ficaram em casa a tomar conta da pequena Rennesme.

Fechei os olhos, encostei a cabeça à almofada e fingi dormir. Estava ansiosa por encontrar Angel e contar o que se tinha passado. As minhas descobertas acerca do passado, a minha tentativa frustrada de beber sangue animal, a ideia descabida do cervo vampiro, da noite maravilhosa que tive com os Cullen e dos nossos planos em Illinois.

Parecia que já não pisava aquele castelo à uma eternidade, dirigi-me aos alujamentos da guarda dos Volturi, onde se encontrava o meu quarto, o de Angel, da Jane e outros. Procurei Angel, não se encontrava no seu quarto nem no salão onde a guarda se costumava encontrar para passar o tempo, ou por vezes transformava-se na cantina da guarda.

Normalmente a guarda não se alimentava com os Volturi, diferenciávamos o máximo possível as hierarquias nos Volturi. A guarda alojava-se numa parte do castelo, e apenas certas ocasiões lhes era permitida a ida à parte onde Aro, Caius e Marcus frequentavam. Apenas uma restrita parte tinha acesso livre ao castelo por inteiro, os próprios Volturi, ou então aqueles que envergavam a capa de um cinza bastante escuro, os restantes, de acordo com a cor das capas, circulavam apenas nos locais que lhes era permitido de acordo com a sua hierarquia.

Como envergava a minha capa cinza escura, permitia-me percorrer todo o castelo à procura de Angel, já preparava-me para me dirigir ao salão onde se encontrava Aro, quando encontro Félix

-Félix, viste o Angel? – perguntei ansiosa.

-Está na Alemanha a tratar de uma recém-nascida que poderá eventualmente juntar-se a nós.

-Bolas – exclamei baixo, no entanto, graças à sua audição apurada conseguiu ouvir-me.

-Então esponja, não sejas ciumenta, sabes que continuarás a ser a sua preferida. – exibiu um sorriso ao ver o meu olhar furioso. Ele sabia que eu odiava ser chamada de esponja, no entanto ele insistia em tal alcunha devido ao meu poder.

Não respondi às suas provocações, apenas virei costas e comecei a dirigir-me em passo humano para o meu quarto. Queria mesmo falar com Angel, saber qual a sua opinião quanto aos Cullen e da minha ideia de ir para Illinois com eles. Teria também que saber o que ele contou a Aro para a minha ausência.

Até quando ele iria estar fora? Por vezes chegava a estar semanas, odiava aquilo, necessitava falar com ele urgentemente. Retirei o telemóvel que se encontrava no bolso posterior das minhas calças e marquei o número de Angel.

“O número que marcou não está disponível, tente mais tarde.”

Depois de ouvir a voz daquela mulher, parei sem saber o que fazer, necessitava falar com alguém. Precisava de um amigo que me dissesse o que fazer.

-Caroline, senhora? – olhei para trás e lá estava um belo rapaz alto e loiro, com uns lábios finos mas vermelhos, sobresaiam na sua pele clara, assim como os seus grandes olhos vermelhos era um dos mais recentes membros da nossa guarda, estava connosco à apenas ano e meio, ainda se sentia nervoso ao falar comigo.

-Sim Jayden, em que te posso ajudar?

-Na verdade, eu só lhe queria dar as boas vindas, esteve muito tempo ausente. – Fiquei surpreendida, não estava à espera de tal recepção. Mas antes que lhe pudesse agradecer, ele voltou a falar. – Espero que tenha descansado o suficiente nas suas férias. A senhora faz falta aqui para colocar a ordem na guarda.

Sorri um pouco, era engraçado ver tal timidez num belo rapaz. Imagino o quanto eles devem ter sentido a minha falta, com Jane aqui a colocar ordem a este bando de vampiros com as hormonas no auge, aposto que não deve ter sido um ambiente sossegado e pacifico de dores.

-Correram bem, obrigado Jayden. Muito amável da sua parte por perguntar. Não se preocupe, agora eu já estou aqui e prometo que mantenho a Jane longe do salão de convívio – disse eu com um sorriso.

-Por favor senhora, não comente nada com a menina Jane. – ele estava bastante atrapalhado e apavorado, o que me deu vontade de rir.

-Não direi, com uma condição. – fiquei bastante séria e Jayden fitou-me com os seus olhos vermelhos muito arregalados, á espera que eu lhe desse alguma ordem. – Não me volte a chamar-me senhora. Dá a ideia que sou mais velha do que realmente sou, eu só tenho 17 anos. Não deves ter muito mais do que eu, pois não?

-Não senh…menina! Tenho 18 anos. – esboçou finalmente um sorriso.

-Estás a ver. Tu ainda és mais velho do que eu e estás com essas coisas da senhora. – fiz um leve rodar de olhos e arranquei mais um desculpe por parte dele – Obrigada pela recepção, mas agora tenho que ir, adeus Jayden.

Virei costas a Jayden e retomei o meu caminho em direcção ao meu quarto. Ainda sorria perante a imagem que seria com Jane a acalmar os ânimos no salão. Acho que ninguém ardeu numa fogueira, por isso ela deve ter dado conta do recado. Jane conseguia ser bastante má quando queria. No momento em que estas imagens me assaltavam a mente, estava a passar ao lado do quarto de Jane e decidi bater.

-Sim? – ouvi a sua voz de menina. Abri a porta e coloquei a cabeça dentro da porta.

-Dás-me a honra de entrar no teu quarto? – perguntei a uma Jane séria

-E quem é vivo sempre aparece! É assim? Decides tirar férias com os Cullen e deixas-me aqui sozinha com estes selvagens todos? – Jane parecia mesmo irritada comigo. Ela sabia que eu tinha estado com eles, será que Aro também sabia?

-Angel…- claro que Angel teria contado tudo a Jane, ele não conseguia esconder nada a ela.

-Sabes que consigo ser bastante persuasiva quando quero saber de alguma coisa. – disse Jane com um sorriso.

-Não duvido disso, especialmente com Angel. Aposto que nem precisas de o torturar para obter tais confidências. – lancei a Jane um sorriso trocista. Jane fulminou-me com os seus olhos vermelhos e de repente senti um formigueiro a invadir-me o corpo. Segundos depois, estava Jane a contorcer-se de dores. – Oh vá lá Jane, sabes que isso não resulta comigo.

Quando parei de lhe dar do seu próprio veneno, ambas trocamos olhares e caímos numa grande gargalhada e sentamo-nos na cama dela.

-Odeio-te Caroline! Sabes disso, não sabes? – dizia Jane enquanto me atirou com uma almofada que eu consegui agarrar com uma enorme facilidade a centímetros da minha face.

-Também gosto muito de ti Jane. — depois de um pequeno silencio, voltei a perguntar. – O aro sabe onde estive?

-O Angel não contou, disse apenas que tinhas tirado umas férias, que tinhas ficado transtornada com o poder da Denice. Agora fica ao teu critério se queres ou não contar, mas sabes que ele vai acabar por saber, quando te tocar.

-Sim, eu sei! – proferi tais palavras com um pesar enorme, tinha receio da reacção de Aro, não que ele me fosse matar, tinha puder suficiente para me proteger, mas acho que não iria lutar se o meu castigo fosse a morte, eu defendia os ideais dos Volturi, e mesmo que me defendesse não queria deixar os Volturi, afinal de contas, aquilo era a minha casa.

-Não te preocupes, não te irá acontecer nada. És demasiado valiosa para os Volturi para o Aro te matar ou dispensar os teus serviços. Agora conta-me, como foi lá com os Cullen? – Jane proferiu a palavra Cullen com um desdém imenso. Mas ela tinha razão quanto a Aro não me dispensar.

-Foi divertido, eles são bastante simpáticos, parecia que estava em casa. Jane, tu só os odeias porque a eles foi dado uma segunda oportunidade, e odeias a Bella porque não consegues atingi-la com o teu poder. E sabes que mais, acho que te ias dar bastante bem com a Rosalie. Vocês tem o mesmo feitiozinho difícil! – novamente formigueiro pelo corpo todo – Jane já te disse, isso faz cócegas. Pára.

Relatei os últimos dias a Jane ao pormenor, ela deu-me os seus conselhos, não consegui fazer com que ela gostasse um pouco mais dos Cullen, mas não a podia sensurar, ninguém gostava ali de tratamentos especiais, e os Cullen tiveram um tratamento especial por parte de Aro quando permitiu que Bella saísse daqui com vida, assim como Edward. Ela sabia sobre nós, eles quebraram a única regra da forma mais evidente possível. Ele contou-lhe sobre nós. Hoje estava aliviada por Aro os ter poupado, mas até à pouco tempo partilhava a mesma opinião de Jane em relação aos Cullen. Apenas tinha mudado devido aquilo que me ligava a Edward.

-Bem se precisares que dê cabo da Bella, diz! – rematou Jane no final da conversa. O que me arrancou um sorriso.

-Não é preciso, obrigada. Além disso, eu nem sei o que sou ao Edward, o mais provável é sermos amigos, ou primos. Estou mais inclinada para prima. Bem, acho melhor ir falar com Aro. Para avisar que estou aqui, pronta para trabalhar.

-Finalmente, não gosto de ser babá de recém-nascidos. – sorri perante a imagem que surgiu na cabeça de Jane.

-Até já Jane. – Levantei-me ainda a rir, e saí em direcção ao grande salão onde se encontrava Aro.

A questão que ocupava todos os meus pensamentos era o que diria a Aro. Contava que tinha ido atrás dos Cullen porque o Edward estava associado ao meu passado e eu queria descobrir esse mesmo passado. Ou omitia os Cullen e mais tarde ele iria descobrir e eu iria ser repreendida severamente. Tinha também que contar que daqui a uns dias iria voltar a ausentar-me para ir ter com os Cullen a Illinois. Como iria sair desta trapalhada. Tinha duas opções: mentir, ser apanhada mais tarde e ser severamente castigada por isso; ou, contar a verdade e ser proibida de ir ter com eles a Ilinnois; ou contar a verdade e tudo correr bem.

Tinha segundos para decidir o meu futuro. Abri a porta do grande salão, estavam alguns convidados dos Volturi ali no salão, todos em festa.

-Caroline, minha querida. Bem vinda de volta, espero que tenhas descansado o suficiente, não gosto de não te ter por perto. – perante tais palavras, apenas sorri, mal ele sabia que eu iria ter que me ausentar novamente. – Então como correu? Que andas-te a fazer minha querida?

Notas finais
Espero que tenham gostado...
Aguardo os vossos comentarios e não se esqueçam de favoritar, qum ainda não fez e se não for pedir muito recomendem a fic ;)
Twikisses**