Past Vs Future
8 Capítulo 8 - "Eu conheço-te"
Capitulo 8
"Eu conheço-te!"
Aro aproximou-se mais do rapaz à sua frente e eu dei um passo na sua direcção. Aro olhou de relance para mim e, suavemente, abanou a cabeça. A ordem era clara, não interferir, pelo que me deixei ficar no mesmo sítio, próxima de Caius.
Aro apertou a mão do membro do clã inimigo com um sorriso imperturbável. Os olhos dele fecharam-se de imediato, num movimento brusco, e os ombros encolheram-se sob o peso esmagador da informação. Tudo o que aquele rapaz tinha vivido, cada pensamento secreto, cada estratégia, estava agora na nossa posse. O toque prosseguiu o tempo suficiente para a guarda começar a ficar tensa e nervosa. Um burburinho de murmúrios começou a percorrer o esquadrão até Caius ordenar silêncio. Jane avançava, aos poucos e poucos e Angel segui-a com o seu olhar atento.
Aro voltou a abrir os olhos e endireitou-se, de repente, revelando uma expressão impressionada e cautelosa.
– Estás a ver? – Falou o rapaz à sua frente. Assim que a primeira sílaba lhe escapou dos lábios todo o meu corpo tremeu e quase jurei sentir os meus joelhos cederem. Mas quem era ele? O que é que aquele «inimigo» tinha de tão especial para todo o meu corpo reagir?
– Sim, na verdade, estou. – concordou Aro, divertido. – Duvido que quaisquer outros dois, entre os deuses e os mortais, tenham alguma vez visto desta forma tão clara.
– Deste-me muita coisa para reflectir, meu jovem amigo. – Prosseguiu Aro. – Muito mais do que esperava. – No entanto continuava a apertar a mão do jovem.
– Posso conhecê-la? – Pediu Aro, quase num tom de súplica. – Nunca sonharia com a existência de tal fenómeno em todos os meus séculos de existência. Que enriquecimento para a nossa História!
– De que é que estás a falar, Aro? – Intrometeu-se Caius, bruscamente.
Sim, de que estaria Aro a falar? Ele queria conhecer a criança mortal? Conhecê-la mesmo ou era apenas um plano para se aproximar e depois atacar? Tinha dúvidas quanto ao segundo, Aro não era um homem de luta.
– Algo que nunca poderias imaginar, meu amigo pragmático. Aproveita este momento para reflectires, já que a justiça que pretendíamos aplicar deixou de fazer qualquer sentido.
Caius soltou um silvo e Aro pediu paz.
– Apresentas-me à tua filha? – Perante o imprevisto da pergunta vários vampiros da guarda soltaram um silvo.
Sem que alguma pergunta tivesse sido feito, o rapaz respondeu.
– Neste ponto e tendo em vista as circunstâncias, julgo que será de aceitar uma solução de compromisso. Vamos encontrar-nos a meio.
Aro estaria a reconsiderar afastar-se da guarda e caminhar sozinho até ao meio da distância que nos separava?
– Mestre, tem a certeza? – Não resisti a perguntar. Levantei o olhar na sua direcção, foi a primeira vez que olhei directamente para o rapaz alto, de cabelo arruivado e olhos cor de âmbar. Ele olhou directamente para mim e vi os seus olhos arregalarem-se. Ele fixava-me num misto de surpresa e confusão, como se tivesse achado a peça de um puzzle à muito tempo perdida.
Senti o formigueiro familiar de quando estão a utilizar algum poder em mim e apressei-me a experimentá-lo para ver de que se tratava. Soltei um som de exclamação quando a ouvi a voz do rapaz, tão nitidamente, na minha mente, como se ele tivesse falado.
«Eu conheço-te!» entoou na minha cabeça.
– Não há nada a temer, não te preocupes, minha querida. – A voz de Aro distraiu-me. Acenei com a cabeça e voltei a esconder o olhar por baixo do capuz do meu manto quase negro.
O que se desenrolou foi algo a que não dei muita importância. Nem mesmo quando queimaram Irina por ter mentido ao conselho consegui tirar a minha atenção do rapaz de olhos âmbar. Angel disse-me que se tratava de Edward. A menção ao seu nome fez com que os pêlos dos meus braços se arrepiassem. «Eu conheço-te!». Aquele pensamento continuava a ecoar na minha mente. Eu também o conhecia, mas de onde? Por mais que forçasse o cérebro não conseguia obter respostas.
No fim, a criança imortal tinha sido um mal entendido, e recebemos ordens para voltar para casa. A criança era o cruzamento de um vampiro e de uma humana. Uma semi-vampira, e o clã tinha conseguido arranjar outra criança do género para nos provar que ela não era única e que poderíamos estar seguros.
Já no meu quarto, no castelo, não conseguia deixar de pensar em Edward. Comecei a andar às voltas, tentando lembrar-me de onde é que o conhecia. Já nos teríamos cruzado em alguma caçada? Comecei a ficar frustrada por apenas conseguir obter alguns sinais do meu corpo e nada do meu cérebro, e dei um soco no toucador. Este desfez-se em farpas e pedaços de madeira que voaram por todo o quarto. Angel abriu a porta com força e entrou de rompante.
– O que se passa, Caroline? – Perguntou olhando para os pedaços de madeira espalhados pelo chão.
– O que se passa é que o meu cérebro não quer cooperar! – Respondi irritada recomeçando a andar de um lado para o outro.
– O que estás para aí a dizer? – Ele seguia-me com o olhar. Parei de andar e aproximei-me dele para que ninguém nos ouvisse.
– Eu conheço o tal rapaz, o Edward! Eu sei que o conheço de qualquer lado. Todo o meu corpo me indica que sim mas não me consigo lembrar. – Coloquei os punhos cerrados nos lados da minha cabeça, apertando-a com força. – E eu sei que ele também me conhece.
– Como é que sabes disso? – Angel pegou suavemente nos meus pulsos e puxou-me as mãos para baixo.
– Ele disse-me! – Abri os olhos e encarei o olhar preto de Angel.
– Ele disse-te? – Franziu o sobrolho sem perceber.
– Eu ouvi-o. – Coloquei o indicador na minha testa e ele percebeu logo o que eu quis dizer. – Eu tenho que fazer alguma coisa Angel. Tenho que saber mais.
Notas finais
Se gostaram, não se esqueçam de deixar um review em baixo (é importante para os autores sentirem-se acarinhados) e não se esqueçam de favoritar a história...podem também recomendar (já agora, ahah)
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