Past Vs Future
52 Capítulo 52 - Papéis e mais papéis...
Capitulo 52
Papéis e mais papéis…
Após algumas horas já nos encontrávamos nos arquivos municipais de Bristol.
William tinha-me dito que os seus antepassados tinham-se mudado para aquela região e até hoje, toda a sua família ainda residia naquela cidade.
-Encontras-te alguma coisa? – perguntava pela 20º vez a Angel.
-Ainda não. – respondia-me com uma voz aborrecida, provavelmente devido á frequência com o obrigava a dar-me aquela mesma resposta.
Estava ansiosa, não o podia negar.
Algo me dizia que iria encontrar ali as respostas que eu tanto queria.
Angel revistava todos os documentos relacionados com a população dos últimos anos, enquanto eu olhava para os jornais da década em que supostamente David teria vindo para Inglaterra.
Angel e eu paramos as nossas buscas quando ouvimos passos a dirigir-se para aquela sala onde nos encontrava-mos.
Era uma sala restrita apenas a pessoas que trabalhavam no edifício, ou seja, nem eu nem Angel deveríamos estar ali.
Apressamo-nos a arrumar tudo mais ou menos e a escondermo-nos.
Estavamos duas estátuas com alguns papeis nas mãos e afins, quando apareceu um homem negro de cabelo grisalho à procura de uns documentos.
A pulsação do pequeno homem estava acelarada, provavelmente do esforço que teria feito para chegar aos fundos do edifício, e assim à sala onde me encontrava.
O sangue regurgitava nas veias, senti a minha garganta começar a arder.
Não tinha comido o suficiente com Edward ontem. Aliás, ainda me estava a habituar a uma alimentação só de animais.
Estava a sair-me bem até agora, mas por vezes, sentia falta de sangue humano.
O cheiro dele começou a inebriar-me. Tive que suster a respiração e obrigar-me a ficar no mesmo local sem mexer um músculo. Evitar que o monstro em mim viesse ao de cima.
Depressa o pobre homem os encontrou, o que possibilitou que tanto eu como Angel voltasse-mos ao trabalho e que a minha cede acalma-se.
-Caroline, não vamos encontrar nada aqui. Naquela altura não havia registo de toda a gente, ainda por cima porque muitos eram imigrantes ilegais, provavelmente o caso do teu irmão. – Angel poderia ter razão, mas eu não queria acreditar naquilo.
-Aliás – continuava ele – nem sequer sabemos se ele veio para aqui.
-Temos que partir do William e ir para trás. De certeza que iremos chegar ao David. Eu sinto-o. – a minha voz parecia desesperada. Queria incentivar Angel a procurar, a não o deixar desistir.
A não me deixar desistir.
-Caroline! – Angel aproximou-se por trás de mim pousando a sua mão no meu ombro. – Apenas conseguimos ir até aos avós dele, depois não há mais nada sobre a família para trás. Nada sobre o bisavô dele. Lamento.
-Sim, mas descobrimos que a avó do William também se chama Caroline Rayner. A coincidência é muita. – argumentava eu.
Talvez David tivesse dado o meu nome à filha dele.
Pelo menos tinha esperança que sim.
-Vamos continuar… — disse pegando em mais uma caixa de slides de jornais da época para continuar a minha pesquisa.
Angel muito calmamente dirigiu-se a mim com um olhar triste.
-Voltamos amanhã. Agora temos que ir, tens que te alimentar.
Apesar de não querer, tinha que concordar com Angel. A prova disso era a presença daquele homem na mesma sala e o meu quase descontrolamento.
Teríamos que partir.
Mais tarde, após bem alimentada, fui ter a um café com Angel.
-A sério angel? – perguntava eu olhando para a quantidade de comida que este tinha pedido.
-Sou um homem com muita fome Caroline. – argumentava ele. – Aliás, isto é tão bom!
Angel comia com satisfação um cheesecake que metia inveja. Era nestas alturas que adorava ser humana, poder saborear aquela comida.
-Queres um bocadinho? – perguntava ele com a boca cheia e com um sorriso torcista.
-Odeio-te Angel.
Ele sabia o quanto eu desejava poder saborear aquilo e o quanto me irritava, no bom sentido, sempre que me oferecia um bocado daquilo que estivesse a comer.
Por vezes acho que era a paga por eu também lhe oferecer um pouco de sangue quando me alimentava com ele ao meu lado.
Subitamente Angel perdeu o sorriso e ficou sério, olhando para algum lado, tentei seguir o seu olhar.
Apenas vi um autocarro vermelho do outro lado da rua.
Voltei a centrar a minha atenção em Angel.
-O que foi Angel?
-Hum… nada! – disse voltando a concentrar-se no seu cheesecake.
Encolhi os ombros, mas voltei a olhar para trás. Não vi nada que prendesse a minha atenção.
-E agora? O que vamos fazer a seguir?
-Dar uma volta e ver as vistas de Bristol. – respondeu Angel com um sorriso.
-E o David? E o William? Não podemos Angel. Temos que investigar.
-Caroline, as pistas ainda vão lá estar amanhã. Hoje acho que devíamos tirar uma folga!
Fale com o autor