Past Vs Future

51 Capítulo 51 - Adeus Portugal


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Capitulo 51

Adeus Portugal

Não sabia o que dizer a Edward. Parte de mim queria partilhar todas as informações com ele, talvez ele me pudesse ajudar com alguma informação. No entanto, não queria falar do William, ainda não sabia se seria uma boa ideia.

Aquilo que menos precisava era de um vampiro com ciúmes de um amigo meu.

Edward apercebeu-se da minha hesitação, desviando assim um olhar magoado.

–Desculpa Caroline. Não queria ser intormetido. – fez um sorriso magoado, mas compreensivo.

–Não. – disse eu demasiado depressa segurando-lhe o braço, impedindo-o assim de se retirar para o seu quarto.

Silenciosamente arrastei-o para o meu quarto, para evitar que algum raio de sol incidisse na nossa pele e algum humano fosse ofuscado pelo brilho que iríamos irradiar.

O quarto era demasiado pequeno, a cama de casal ocupava uma grande parte do mesmo, o que não me agradava nada.

Ambos olhávamos para o centro do quarto, quando cruzamos o olhar. Dava para perceber que ambos estávamos tentados pela cama, o que me fez correr em direcção às janelas para correr as grossas cortinas.

–Eu lembrei-me de algo de quando era humana – disse sentando-me em cima da cómoda, dando toda a liberdade a Edward para ficar com a cama.

–Sobre nós? – Edward parecia um pouco mais entusiasmado.

Abanei a cabeça, negando a sua pergunta. Naquela lembrança eu era demasiado nova, provavelmente ainda não conhecia Edward. Provavelmente até o conhecia, como um amigo. Não sabia.

–Lembrei-me do David. – disse dirigindo o meu olhar sobre o seu rosto. A verdade é que queria ver a reacção do Edward ao nome de David. Será que ele se lembrava dele?

Infelizmente, a reacção de Edward foi de confusão e surpresa. Exactamente aquilo que eu não queria. Edward não se lembrava de David. Isso significava apenas que ele não me poderia ajudar com informações acerca deste assunto.

–David!?! – tentava Edward lembrar-se. Conseguis ouvir a sua mente a trabalhar como uma grande máquina. – Quem era o David? Alguém que eu devesse conhecer?

A voz de Edward transmitia um pouco de ciúme. O que apenas me fez sorrir um pouco. Era bom saber que alguém gostava de nós e ficava com ciúmes apenas por ouvir dizer que nos lembramos de alguém do sexo masculino, mesmo que esse alguém fosse nosso irmão. A mulher que dissesse que não se sentia lisonjeada, estava a mentir.

–O David é meu irmão. – disse apenas com um sorriso divertido.

O semblante de Edward mudou após a minha revelação, transmitia agora alívio.

–Oh. – disse embaraçado. – Não me lembro dele. Desculpa.

Era normal ele não se lembrar, todos os vampiros que conhecia, tinha que se esforçar demasiado para manter algumas lembranças humanas. E mesmo assim, estas eras desfocadas, o que nos dificultava imenso a lembrança das mesmas.

No entanto, fiquei um pouco desapontada. Tinha alguma esperança que Edward se lembra-se de David, gostaria de ouvir algumas histórias sobre o meu irmão. Ou que Edward me disponibiliza-se alguma pista milagrosa sobre o que aconteceu com David.

Provavelmente, a verdadeira razão é que eu ainda tivesse alguma esperança que Edward me desse algum motivo para continuar comigo, e isso me tenha desiludido.

Não podia permitir pensamentos de um futuro ao lado de Edward. Ele tinha uma família, e eu não queria sofrer mais.

–Tinha esperança que te lembrasses de algo. – admiti eu.

Edward fez um esforço para se tentar lembrar desses tempos. Conseguia ver as rugas na sua testa ficarem mais carregadas devido ao seu esforço mental.

–Lamento, mas não. Pelo menos nada definido. Consigo algumas imagens de uma criança com cerca de 10 anos, mas como te disse, nada definido. – dizia Edward desiludido.

Sorri e acenti, agradecendo o esforço dele. Ele tinha feito o possível para se lembrar. Não podia, nem consegui-o censurar.

Um silencio instalou-se no quarto, Edawrd estaria, provavelmente, ainda a tentar lembrar-se de algo de David, e eu tentava delinear o que iria fazer a seguir com Angel.

–Como te lembras-te dele? – Edward despertou-me dos meus planos, fazendo com que olha-se confusa para ele. – Do David? Como te lembras-te dele?

Fiquei surpreendida com a pergunta dele. Nunca antes ele se tinha mostrado interessado na forma como eu tinha recuperado certas partes da minha memória.

Sem reacção e incapaz de lhe falar sobre William, menti.

–Vi dois irmãos a brincar, a forma como ela lhe tentava explicar as coisas de forma simples e a forma como o tentava sempre proteger. Não sei, quando dei por mim estava a ver-me com o David. – expliquei eu.

Nas duas horas que se seguiram expliquei várias vezes a minha lembrança a Edward, discutimos coisas que eu deveria fazer para descobrir o que lhe tinha acontecido. Edward também se lembrou de algumas coisas, pequenos flashes. Nada de relevante que me dissesse o que tinha acontecido a David.

Como seria de esperar, Edward ofereceu a sua ajuda nesta busca, e como seria obvio, eu recusei.

Entretanto Angel juntou-se a nós, ficando assim a par de David, e dando também a sua opinião nas buscas. Com o passar do tempo, o tema da conversa começou a levar rumos diferentes.

A noite chegou depressa, e antes que déssemos por isso, já os três nos encontrávamos no aeroporto Sá Carneiro.

Edward estava afastado a falar ao telemóvel com os Cullen, provavelmente a informá-los que poderiam voltar a Forks novamente, pois já era seguro.

–Há mais que eu não contei a Edward – expliquei rapidamente a Angel enquanto Edward estava afastado. – Acho que descobri um descendente do David, quero começar a pesquisar por aí.

Angel concordou, e foi tirar os bilhetes para Inglaterra longe dos olhos de Edward.

–Tens a certeza que não queres regrassar a Forks com eles Edward? – ainda não tinha a esperança de o convencer a ir.

Na minha opinião, se ele me dissesse que voltaria para Bella, era como admitir que nós nunca teríamos hipóteses, facilitando-me a decisão de o escolher. Agora assim, iria ter sempre aquela expectativa de que, talvez, ficássemos juntos um dia.

–Não. Já te expliquei. Falei com a Bella, e ela concordou, diz ser melhor assim. Custa mais ficar longe da Renesmee, mas com a internet, fica mais fácil.

–E para onde vais? – perguntei eu.

–Vou para o Brasil, por uns tempos. A Esme tem lá uma ilha. Já falei com ela, ela disse que estava à vontade. – confidenciou-me ele — Não deverei ficar lá muito tempo, mas irá dar para por algumas ideias em ordem.

–Temos que ir Caroline, a nossa porta fica do outro lado. – informou Angel.

–Bem, acho então que agora é um adeus. – disse Edward.

–Acho que sim. Adeus Edward. – disse dando-lhe um abraço apertado. – Qualquer coisa, liga! – relembrei-o ao ouvido.

–Não te preocupes. O mesmo se aplica a ti. – continuava Edward, enquanto o abraço permanecia. – Vou ter saudades tuas.

–Eu também! Muitas. – admiti finalmente enquanto afrouxava o abraço.

Quando nos afastamos, Angel deu um passo em frente posicionando-se em frente a Edward assumindo agora ele a posição das despedidas.

Como era habitual nos homens, houve aquela sapatada nas costas que se ouviu em quase todo o aeroporto todo. Nunca tinha percebido o porquê daquilo. Era comum tanto em humanos, como vampiros, como lobisomens e pelos vistos em anjos também. Desde que houvesse testosterona a correr nas veias, era normal.

Provavelmente era uma característica gravada nos genes do DNA. Algo que ao longo dos anos nunca sofreu mutação.

A caminho da porta do avião consegui colocar Angel a par de toda a história de William. Das minhas suspeitas e do que pretendia fazer.

–E se ele for mesmo descendente do David? – perguntava Angel – Pretendes contar-lhe que és uma tia-bisavó dele? Ou preferes transforma-lo?

–Não, claro que não. Vai continuar tudo igual, apenas vou tentar proteger os descendentes do David. A minha família.

–Ok…e então vamos começar por onde?

–Por pesquisar sobre os antepassados de William, talvez cheguemos ao David. Não sei se falamos com a família dele, ou se tentamos pesquisar algo nos arquivos municipais. O que achas? – estranhei Angel não me responder.

Angel parecia distraído com algo. Mirava algo no meio da multidão. Tentei seguir o seu olhar, mas nada vi. Angel procurava, agora, alguém no meio de tanta gente.

–Angel? – chamei eu, no entanto imitei-o e procurava agora um desconhecido. – O que se passa?

–Nada. – disse desistindo da sua busca. – Pensei ter visto alguém que já não via à muitos anos. Mas é impossível. Desculpa, estavas a dizer…

–Por onde devo começar as buscas? Pelos arquivos municipais, ou falamos directamente com a família do William?