Past Vs Future
40 Capítulo 40 - Angel
Notas iniciais
Capítulo 40
Angel
Angel sorriu a Jasper, lançou novamente um olhar intenso na minha direcção. Senti cada centímetro do seu espectro procurar o encarnado dos meus olhos, que por sinal me esforcei para que não fosse encontrado.
–Tudo bem Jasper. – falou finalmente Angel, após uma busca inútil pelos meus olhos. A verdade é que não queria de todo influenciar a decisão de Angel acerca de contar quem ele realmente era. A história era dele, e a decisão de contar pertencia ao próprio. – Acho que está na altura de contar. Afinal de contas convém confiarmos uns nos outros, visto estarmos do mesmo lado nesta guerra que se aproxima.
Alice e Jasper entreolharam-se, eles sabiam que vinha uma guerra com os Volturi, assim como nós. No entanto, verbalizar “a guerra” tornava-a mais real, e mais temível por todos. Jasper acenou a Angel, para que este continua-se.
Angel sentou-se numa pequena cadeira, demasiado desconfortável para um humano, mas na qual Angel parecia não se importar. Alice e Jasper sentaram-se aos pés da cama, de costas demasiado direitas para um simples humano, e com uma concentração elevada. Jayden, remexeu-se na poltrona, de forma a ficar de frente para Angel, também interessado na história que aí vinha.
Todos os membros da guarda sabiam que Angel era um anjo, ou pelo menos falava-se, mas nunca tinham ouvido da boca do próprio Angel, ou poucos eram os que tinham conseguido aquele privilêgio de tal segredo. Mas o que mais interessava a Jayden era a história completa do passado de Angel. Passado esse que só eu, Aro, Jane e Alec tínhamos conhecimento.
Eu levantei-me e sentei-me no parapeito da janela a ver as estrelas enquanto ouvia a história de Angel e pensava em Edward e Bella.
–Tudo começou á milhões de anos. Não consigo dizer uma data ao certo, pois não me recordo de nenhuma, digamos que no mundo em que vivia isso simplesmente não interessava. Todos existíamos para O servir. Quando digo todos, falo dos meus irmãos e irmãs, os que eram, na altura, semelhantes a mim.
Angel riu perante a confusão patente na cara dos Cullen. Docemente levantou-se e retirou do bolso o pequeno querubim que eu tinha visto naquela casa que me acolheu quando eu fui transformada. O pequeno querubim permanecia igual, um pouco mais gasto devido à velhice, no entanto lá estavam as saliências nas costas, onde outrora esteve umas pequenas asas.
Alice e Jasper olhavam confusos para o boneco partido, continuando sem perceber o que Angel queria dizer. Jayden exibia um sorriso, Angel acabava de lhe confirmar as suas suspeitas.
Angel lançou um último olhar na minha direcção, agora em busca de coragem para o que ia revelar em seguida. Desta vez permiti que os meus olhos se cruzassem com os dele e sorri, em forma de encorajamento. Angel pousou o querubim na cadeira de costas para Alice, Jasper e Jayden, de forma a estes conseguirem visualizar melhor as asas partidas, e devagar retirou a camisa e colocou-se de costas para eles conseguirem visualizar as semelhanças entre eles.
Lá estava, as saliências nas costas de Angel, as mesmas que ele sempre tentou esconder de todos, talvez por vergonha, por ter sido excluído do local que ele sempre chamou de casa. Por ser renegado por aquele que ele sempre chamou de pai, e por os seus irmãos e irmãs.
Alice levou as mãos à boca de onde á milésimos de segundo tinha saído um som estridente.
Angel não conseguia olhar para ninguém, conseguia ver o sofrimento no seu rosto, no seu corpo tenso, queria abraçar o meu melhor amigo.
–Daí o nome Angel! – disse Jayden numa forma de tentar quebrar o ambiente que se encontrava naquele quarto. – Anjo, percebem? – disse rindo da sua piada. Piada que naquele momento não teve piada nenhuma.
–Oh meu Deus! As tuas asas? O que te fizeram? – Alice parecia destroçada, correu para perto de Angel, querendo consola-lo. Angel desviou-se impedindo que Alice lhe tocasse nas costas, onde outrora estiveram umas asas. Não por maldade, apenas era algo que ele fazia. Não gostava que ninguém lhe tocasse ali. Nem a mim tinha sido permitido tocar-lhe nas suas saliências. Era algo que só a Angel pertencia. – Desculpa!
–Desculpa eu Alice. – Angel falava de forma doce e educada, parecia um verdadeiro anjo quando não tinha o botão Volturi ligado. – Não é que não confie em ti, é só que…sou bastante sensível nessa zona em particular das minhas costas. – disse com um sorriso.
–Oh! – exclamou Alice. – Não sabia, desculpa. Mas, como é que isso te aconteceu Angel? Quer dizer, foste ferido ou assim?
–Não, fui castigado! – Alice arregalou os seus olhos, provavelmente imaginando aquilo que Angel teria feito para ser castigado daquela forma. Angel docemente pegou na mão de Alice e voltou a encaminha-la para a cama, para este prosseguir com a história da sua vida.
–Acho melhor começar a contar pelo inicio, antes de avançar já para o meio da história. Assim, como nos Volturi, no paraíso, como vocês chamam, também temos hierarquias. Os querubins estão em terceiro lugar nessa hierarquia, acima de nós estão os Serafins e acima deles está Deus. – Perante o olhar confuso de Jayden, Alice e Jasper, Angel explicou. – Os Serafins são anjos com seis asas! São os que estão mais perto de Deus. Existe vário tipo de histórias neste mundo, algumas são reais, outras pura imaginação de humanos, e outras, à semelhança dos Volturi, nós demos certo tipo de falsas pistas, para despistar a atenção acerca de nós. Por exemplo, os querubins não tem este aspecto de bebés, nem de leões ou touros, como alguns pensam. Nós somos, assim – disse apontando para si próprio – apenas tem umas asas brancas enormes. Também não andamos a saltar de nuvem em nuvem, nem a dormir em cima delas, aquilo é bastante diferente do que é descrito nos livros e assim. Aquele mundo é simplesmente mágico, é um mundo onde não há guerra, nem inveja, nem ódio, nem morte, nada. É algo inexplicável, sem palavras. Acho que por isso mesmo nunca foi descrito em parte alguma, porque nós não conseguimos descrever aquilo que se sente naquele lugar.
–Nós passávamos centenas de anos ali, como se fossem horas, apenas vínhamos à terra quando nos era destinada alguma missão, como ser o anjo da guarda de alguém. Foi numa dessas missões que a minha desgraça aconteceu. Eu estava destinado a ser o anjo da guarda de dois gémeos, um menino e uma menina. A família deles era muito pacata, pobre e muito trabalhadora. Os gémeos, assim como a restante família, tinham que ajudar no trabalho. Eles eram simples agricultores, e o terreno que eles tinham não era o melhor para cultivar, no entanto tinham gasto todas as economias para comprar aquele terreno, por isso não tinham forma de se mudar. Como eram bastante pobres, os gémeos vestiam roupas feitas pela mãe, e mal saiam da escola corriam em direcção a casa para ajudar no que fosse necessário. Assim eles eram gozados pelos amigos devido às roupas e por nunca poderem ficar a brincar. Sabem como as crianças por vezes podem ser cruéis. O pior foi quando os próprios pais dessas crianças começaram a falar mal dessa família, e a acusa-los de coisas terríveis. Coisas que não eram verdade e temidas por muitos. Eles foram acusados de bruxaria, e não havia nada que eu pudesse fazer. Os anjos da guarda nada podem fazer, apenas podemos sussurrar ao ouvido do nosso protegido e esperar que eles nos ouçam. Mas o que eu lhes poderia dizer a não ser para terem calma, que aquilo se iria resolver, afinal de contas eles eram inocentes.
Alice estava agarrada a Jasper e este consolava-a. Sabia que estava a ser difícil para os dois, Alice porque estava emocionada com a história dos gémeos, e Jasper porque estava a sentir a dor de Angel.
–Pois bem, a verdade é que as coisas não melhoraram. Estávamos numa Era que era a caça á bruxa, devido ao que tinha acontecido em Salem. A família foi toda condenada à fogueira, incluindo os gémeos. – Alice apertou mais a mão de Jasper, e cerrou os lábios para evitar sair o soluço que tinha preso na garganta. A verdade é que aquela história sempre me tinha comovido, apesar de já a ter ouvido. – Eu tentei de tudo que eles estivessem calmos, principalmente a rapariga, mas quando começaram a ouvir os berros dos pais a serem queimados, algo se formou dentro deles, algo malévolo. E quando lhes acenderam as fogueiras, algo aconteceu, algo que fez a multidão gritar e entrar em devaneio. Os gémeos desapareceram do nada, embora eu vi que eles tinham sido resgatados no ultimo minuto por um homem. Eu agradeci a Deus por os ter salvo de uma grande injustiça, mas quando fui para perto deles, eles já se encontravam sozinhos novamente, no entanto ainda berravam com dores. Pensei que fosse por ferimentos ou que estivessem em choque, pois parecia que eles estavam numa fogueira da forma como se contorciam e berravam. Apesar de eu saber que o homem que os tirou da fogueira não era normal, não sabia o que era ao certo e naquele momento, eu tinha que proteger da melhor forma os gémeos, era o meu dever. Passado três dias eles deixaram de berrar e de se contorcer, e tudo ficou bem mais calmo. No entanto eles estavam diferentes, ela queria vingança, queria que todos sofressem o que ela sofreu, ele apenas queria esquecer. Foi quando eu vi que eles já não eram humanos, portanto a minha missão tinha terminado ali, no entanto, eu estava demasiado apegado a eles. Fui vigiando os gémeos, tentando dar bons conselhos, evitando assim que eles fizessem mal a alguém. Vi como eles estavam assustados ao inicio, vi como eles mataram o primeiro humano deixando-o exangue. Vi naquilo que eles se tinham tornado, em vampiros. A cada conselho eu jurava que era o último e que depois ia embora de vez, mas no final, eu ficava. Fui ficando, e aceitando que eles matassem seres humanos, para se poderem alimentar, o ciclo da vida, uns tem que comer os outros, era essa a lei da sobrevivência. Mas isso era mais uma desculpa para eu ficar.
–Quando um Serafim de veio buscar para me levar a Deus, eu tentei explicar aquilo que não tinha explicação. Aquilo que eu tinha aprendido, o bem, estava agora a desonrar para prevalecer o mal. Eu estava a defender matar um inocente para alimentar outro ser sem coração. – Alice e Jasper olhavam para Angel surpresos, eles ainda tinham esperanças que Deus os acolhia. – Os gémeos estavam cheios de ódio, principalmente ela. Eles usavam os seus poderes para magoar os outros. Ela usava por pura diversão, e eu defendi-a. Eu cometi o maior erro de todos. Eu apaixonei-me por aquilo que eu mais abominava.
Angel fez uma pausa, aquelas lembranças ainda mexiam com ele. Principalmente porque ela o abandonou, ficou contra ele quando ele menos esperava.
–Deus proibiu-me de os voltar a ver. Como seria de esperar, um rapaz apaixonado como eu, não conseguiu cumprir essa promessa, e fui vê-la. Presenciei a mais torturas e a mais mortes e nada fiz contra. Eu só a queria ver feliz. – Jasper sorriu e beijou a testa a Alice. Ele compreendia o que Angel dizia, por mais que fossemos contra algo, por vezes se isso fizer feliz aquele que ama-mos, somos capazes de ir ao fim do mundo por isso, mesmo que nos magoe a nós. – Como seria de esperar, fui castigado. Tiraram-me as asas e fui condenado à eternidade no mundo mortal. Até hoje nunca pensei nisto como um castigo, afinal de contas pude ficar sempre com ela. Por isso é que me juntei aos Volturi. Sabia que Aro me iria aceitar mesmo não sendo vampiro, afinal de contas era uma peça única na sua colecção.
Jayden estava de boca aberta tal era o seu espanto quando descobriu de quem é que Angel falava. Alice e Jasper pareciam ainda não ter relacionado os gémeos aos Volturi.
–Oh Angel isso é tão triste. Mas o que lhe aconteceu? Ela estava lá no confronto? Porque não veio connosco? Ela não te amava também? Ela sabia que gostavas dela? – Alice bombardeava Angel de perguntas, não lhe dando tempo para ele responder. – Tens que tentar ficar com ela. A tua história é tão linda.
De repente O sorriso de Alice desvaneceu e ela deu um salto da cama com os olhos arregalados.
–Oh não! Tu estás a falar da Jane? Aquela menina mimada e arrogante? – a face suave de Angel deu lugar a um olhar ameaçador quando Alice se dirigiu a Jane como menina mimada e arrogante.
–Tu não ouviste nada do que eu disse? Ela ficou assim devido à maldade dos outros. Ela era uma menina doce e simpática. – falou um Angel furioso.
–Desculpa Angel. Mas ela não sabe aquilo que fizeste por ela? Quer dizer, onde é que ela está agora? – perguntava Alice mais calma.
–Provavelmente a discutir com Aro a melhor forma de nos matar a todos. – pronunciou-se Jayden. Todos olhamos para ele. – É verdade. Caroline, tu matas-te um dos bens mais preciosos do Aro, aquela que permitia que todos estivéssemos juntos, mostras-te não sei o quê ao Marcus. Não sei porquê, mas tenho a sensação que provocou estragos enormes. Não tarda muito eles vem atrás de nós. Aliás o Afton já deve vir atrás de ti, mastas-te a Chelsea, a companheira dele. Provavelmente nós acabamos com os Volturi, ficamos para a história. Por isso agora temos que assumir as consequências, enfrentar a fúria dos poucos Volturi que restam enquanto os mesmos tentam reerguer-se. Enfrentar uma guerra civil vampiresca, visto que agora não tem a quem governar o mundo dos vampiros, muitos vão sentir que podem fazer o que quiser. E por fim um vampiro cuja companheira morreu – depois virado para mim disse – sabes melhor do que ninguém, que um vampiro quando ama, ama para sempre.
Pois sabia, eu também tinha ouvido isso no castelo. Jayden tinha razão, nós estávamos condenados, iríamos ter que lutar, quer quiséssemos, quer não quiséssemos. Tínhamos que sair dali, o mais rápido possível. Edward já não iria voltar, não fazia sentido continuar naquele hotel.
Alice e Jasper teriam que voltar para a família deles e estes teriam que deixar Forks, teriam que se afastar. Bella poderia usar o seu escudo para não os descobrirem por uns tempos. Eu iria ter que me afastar para matar Afton, ele não iria descansar enquanto não me fizesse pagar por ter morto a Chelsea, por isso eu teria que acabar com ele primeiro.
Começo a pensar, talvez tivesse sido melhor se Aro nunca me tivesse convocado para ir a Forks com a guarda toda por causa do assunto da Renesmee. Assim, talvez agora a Bella e o Edward estivessem felizes, eu continuava nos Volturi e nunca teria colocado os Cullen em perigo.
Agora iríamos ser todos uns fugitivos.
Notas finais
Gostaram dele?
Espero pelas vossas opiniões!!
Beijinhos**
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