Past Vs Future

30 Capítulo 30 - À conversa


Capítulo 30

À conversa

Olhei pela janela, conseguia ver o azul resplandecente do mar, a água estava belíssima. A luz do luar reflectia nela, dando um brilho magnífico.

Enquanto contemplava a beleza exterior ao avião, parte da minha cabeça permanecia nas memórias de Volterra. Ainda me custava acreditar que o meu melhor amigo, Angel, me tinha mentido. Ele sempre soube o que Edward era para mim, ele sabia que o meu anel de noivado tinha o meu nome e o de Edward. E mesmo assim, ele deixou que eu andasse este tempo todo atarantada para descobrir o meu passado. Pior de tudo, ele ainda se ofereceu para ir comigo para Forks, “para ajudar no que fosse necessário” dizia ele. Como é que eu poderia ser tão estúpida? Como é que me tinha deixado enganar? A resposta a estas perguntas era fácil, Angel era meu amigo, eu confiava nele cegamente.

Entrelacei os braços à volta do meu peito, numa tentativa inútil de acalmar a dor que sentia. Fechei os olhos novamente, remexi-me um pouco no acento, para simular melhor o meu dormitar perante o olhar humano.

O avião aterrou em Forks pouco depois das seis da manhã. Como seria de esperar estava a chover a cântaros e o céu estava cinzento. Vesti um casaco mais quente e impermeável, e imitei a corrida dos outros passageiros para me abrigar da chuva.

Como prometera, Edward aguardava a minha chegada a Forks. Brindou a minha chegada com o seu sorriso enviesado. Corri para os seus braços, que se abriram a tempo de me acolher num forte abraço. Segurei Edward com demasiada força, escondendo a minha face no seu pescoço. Seria possível chorar sem lágrimas?

-Bem isso é que eram saudades minhas! – disse um Edward de óptimo humor. Depois suavemente cheirou os meus cabelos beijando-os de seguida. – Também estava cheio de saudades tuas!

Permanecemos ali abraçados por algum tempo. Sabia bem estar perto de alguém em quem confiávamos a 100%. Conhecia-o à tão pouco tempo, e de pouco me lembrava dele, no entanto, confiava nele cegamente. Sabia que Edward nunca iria trair essa confiança. Aquele abraço acalmava-me, e apenas quando senti aquele aperto no meu peito amainar é que me afastei de Edward.

-Olá! – disse eu presenteando-lhe com um sorriso.

-Olá! – imitou-me Edward. Seguidamente pegou na minha mala, como um verdadeiro cavalheiro, e não porque era demasiado pesada para mim, rodou para o meu lado colocando o seu braço no meu ombro. – Bem vinda a Forks, mais uma vez!

-É bom estar de volta! – não sei se pronunciei estas palavras para Edward ou para mim. No entanto Edward afrouxou o seu abraço, fazendo com que os nossos corpos se juntassem mais um pouco. Eu coloquei o meu braço na sua cintura e pousei a minha cabeça no seu ombro.

-Vieste sozinho? – disse enquanto Edward colocava as minhas coisas no seu volvo prateado.

-Sim. – Edward estava pensativo, não me dirigia o seu olhar, invés disso colocava as coisas demasiado devagar no carro. Queria vasculhar os seus pensamentos, mas tinha prometido a mim mesma que não o ia fazer. Não ia invadir desta maneira a sua privacidade. – Apenas pensei que seria mais fácil falar se estivéssemos só nós os dois.

-Ah! – foi o único som que a minha garganta permitiu que saísse. Será que ele sabia de tudo que íamos falar? Alice poderia ter visto a conversa toda, e com isso Edward também. Toda não digo, devido ao meu poder, mas parte dela era possível, na viagem não mantive a minha guarda tão alta quanto isso. Será que ele já sabia do anel? Coloquei instintivamente a mão no bolso, lá estava ele, a rolar nos meus dedos.

-Vamos? – Edward dirigiu o seu olhar com um sorriso enquanto me abria a porta do passageiro. Entrei no carro com um sorriso nervoso. Teria que lhe contar tudo o que se tinha passado. Principalmente acerca do anel.

Estava eu a ensaiar as mil maneiras de como iria iniciar a conversa. Quando senti um formigueiro, já meu conhecido, a invadir o meu corpo. Olhei para Edward que focava a estrada acima de tudo, e apertava o volante de frustração.

-Sim Edward? – perguntei num tom de brincadeira. O meu muro não estava assim tão alto, por isso ele deve apenas ter ouvido algumas palavras soltas. Como não queria que a nossa conversa começasse assim, aumentei as minhas interferências.

-Desculpa. Mas estás tão pensativa, e ouço algumas palavras soltas, pensei que se me concentrasse ouvisse aquilo que te está a custar tanto dizer por palavras. – os meus olhos fitavam Edward até que este olhou para mim com um olhar cheio de remorsos.

-Que tipo de palavras soltas ouviste? – queria saber se ele tinha ouvido palavras como anel ou Jayden. Até porque não sabia ainda se lhe iria falar de Jayden. Quanto ao anel, iria falar, como era óbvio, só ainda não sabia como abordar o assunto. Mas queria ser eu a contar, não os meus pensamentos.

-Ouvi o meu nome, muitas vezes. – Claro que ouviu, as vezes que eu comecei mentalmente a minha conversa com ele mentalmente, antes de decidir qual seria a conversa verbal. – Ouvi Volterra, que perdeste qualquer coisa e que tiveste mais uma memória. Caroline o que se passa? Queres contar-me?

Olhei para as arvores a passar demasiado rápido pela janela do carro. Queria contar-lhe, mas não agora. Não assim. Queria estar com ele frente a frente, não lado a lado dentro de um carro, no qual ele conduzia. Por mais que eu soubesse que não iria haver um acidente mesmo com ele a prestar toda a atenção para mim, iria provavelmente levantar suspeitas nos humanos ter um condutor a olhar apenas para o passageiro ao invés da estrada.

Como viu que eu não respondi, Edward percebeu que eu não lhe iria contar, senti que ele ficou triste. No carro instalou-se um silêncio inquietante. Não me conseguia concentrar com aquele ambiente. Sabia que tinha magoado Edward por não lhe contar.

-Desculpa. – disse eu por fim. – Não é que não te queira contar. Eu quero e vou, apenas quero contar-te quando estivermos num local mais calmo. E se possível frente a frente. E não lado a lado – disse apontando para nós dois. O sorriso de Edward voltou, era tudo aquilo que eu queria.

Ao fim de alguns minutos Edward já tinha estacionado o carro, perto de um rio qualquer. Sentamo-nos os dois numas rochas que lá tinha a contemplar a paisagem.

-Como está toda a gente? – antecipei-me a Edward na pergunta. Queria fazer um pouco de tempo. A verdade é que estava nervosa, talvez devido à minha memória do pedido. Parecia que agora era eu que lhe ia pedir em casamento ou assim, sei lá.

-Está bem. A Alice já remodelou a decoração da casa toda e agora virou-se para a remodelação dos roupeiros de toda a gente. O Carlisle continua lá no hospital, estão a pensar promove-lo a médico-chefe do hospital. Por isso acho que mais tarde ou mais cedo vamos ter que sair de Forks, as maquilhagens que a Alice e a Rosalie arranjaram não dá para enganar o resto da vida. O Emmett e o Jasper agora decidiram meter-se na pesca. Quem não está a achar muita piada é a Rennesme, porque é ela que come sempre o peixe.

-A tua filha deve estar enorme, não? – perguntei eu. Tinha-me ausentado por algumas semanas, mas o suficiente para aquela pequena estar agora enorme.

-Sim aparenta agora ter 8 anos. Nem sei quem é que a estraga mais de mimos, se a Rosalie ou o Jacob. – ambos nos rimos. Algo que eu ainda me tinha que habituar, os Cullen davam-se com aqueles lobisomens, não me agradava, para além de cheirarem muito mal, eles eram os nossos inimigos numero um. Apesar de tudo, eu ainda era uma Volturi, e isso a nós não agradava mesmo.

-E a Bella? – perguntei eu, tinha algum receio acerca do que ele me contasse sobre ela. Nenhuma mulher gosta de ouvir o homem por quem se está apaixonada falar da outra. No entanto, era melhor saber as coisas antes do que ir para a casa dos Cullen às cegas.

-Está bem! – limitou-se a dizer. Edward agarrou numa flor que se encontrava ao lado dele e começou muito docemente a destrui-la.

-Sabes que se fechares um olho e olhares para a lua pelo polegar, ela é do tamanho dele? – disse eu enquanto exemplificava. Edward sorriu e imitou-me.

-E é assim em qualquer parte do mundo. – constatou olhando para mim. – Já não fazia isto á muitos anos. Acho que foi o meu pai que me ensinou.

-E tu ensinaste-me a mim – olhei para ele com um sorriso envergonhado. Edward fitava-me curioso, então como a filha dele me tinha ensinado, encostei a minha mão na face dele e mostrei-lhe a minha lembrança.

Enquanto Edward vivia tudo através dessa lembrança, retirei o anel do bolso.

-O anel que te dei, não era o da minha mãe como estávamos a pensar inicialmente. – disse Edward admirado.

-Pois não. O anel, era um anel nosso. Só nosso. Elos vistos, nós não éramos muito de seguir certas tradições. – Ambos sorrimos perante tal facto. Docemente peguei na mão de Edward, fazendo que a palma da mesma ficasse voltada para cima, então depositei o nosso anel lá.

-O anel! – Edward olhou para mim, ao qual eu me limitei a fazer um sorriso enviesado e a acenar com a cabeça. Edward voltou a focar toda a sua atenção no anel, rodando-o entre os seus dedos. Leu a inscrição que o anel continha, com os nossos nomes lá dentro. – É lindo. Mas…como…Caroline onde o arranjas-te? — Edward voltou a focar o seu olhar em mim, a sua face transmitia agora confusão. “Ela sempre soube!” ouvi ecoar na cabeça dele.

-Não Edward. Nunca soube. Aliás soube da existência do anel à alguns dias atrás, e só soube onde ele estava anteontem. Juro! – Como é que ele tinha desconfiado de mim? Eu seria incapaz de lhe mentir. Se eu soubesse da existência dele já teria vindo há muitos e muitos anos atrás dele. Ou quando o vi pela primeira vez não teria agido da forma que tenho agido, como se não soubesse de nada. Nunca o faria, nem a ele, nem a mim.

-Desculpa. – lamentou Edward. — Não sei porque me passou tal coisa pela cabeça. Claro que não sabias do anel. Mas então, onde é que ele estava? Como chegas-te a ele tão rápido? Isso tem a ver com a forma tão repentina de voltares para Forks?

-Sim, tem! – disse olhando para uma pequena formiga que passeava pelo meio das pequenas ervas debaixo da rocha onde eu me encontrava. – Quando eu fui mordida, estava vestida de noiva. Aliás uma das primeiras memórias que tenho de quando acordei, é do meu vestido de noiva ensanguentado. – Edward fitava-me com os seus olhos caramelizados e atentos a cada palavra que dos meus lábios saía. – Quando estava no México, a olhar para a lua, tive a lembrança do pedido de casamento, e como tal do anel. Foi a primeira vez que o vi. Quando contei a Angel acerca da lembrança ele contou-me sobre o anel. Como o tinha tirado quando me descobriu e o tinha entregue a Aro. Depois de falar com Aro e o confrontar com o que sabia sobre o anel, obriguei-o, literalmente, a devolver-me o anel.

-Obrigaste-o? – Edward tinha os seus olhos arregalados perante tal facto.

-Sim, obriguei-o. Há um vampiro lá na guarda, demasiado novo, que com uma simples frase é capaz de te obrigar a fazer coisas espantosas, que tu não queres. – Nunca frisei o nome de Jayden, tinha optado não falar dele. Era melhor assim, alias Jayden não significava nada para mim, era apenas o meu aluno. Tinha sido bom estar com ele, mas depois de ele pisar o risco e tentar dar-me ordens, tinha perdido toda a minha confiança. Teria que colocar aquela capa cinza clara no seu devido lugar na hierarquia. – Por exemplo, Edward levanta-te e faz o pino!

-Não vou fazer… — Edward já estava em pé, e a dirigir-se para um local relativamente mais plano — … o pino! – quando terminou já estava de cabeça para baixo a fitar-me com os seus doces olhos, enquanto eu me ria divertida.

-Então usas-te isto com o Aro? – dizia Edward enquanto se voltava a sentar ao meu lado e focava toda a sua atenção em mim. Acenei com a cabeça e consegui antever um pequeno sorriso a formar-se nos lábios de Edward. – E ele não te fez nada? Quer dizer dar uma ordem a um Volturi, o mestre dos mestres, e sair ileso, não é qualquer um.

-O quê que ele me ia fazer? Ninguém ia conseguir usar os poderes em mim, no entanto eu ia conseguir usar os poderes de cada um deles, neles mesmos. Só me iriam conseguir destruir com a força. Além do mais, ainda sou demasiado valiosa para eles me descartarem assim. Por isso é que ele não se opôs quando eu disse que ia sair por uns tempos e vir ter convosco.

-Estou a ver. Mas ainda não compreendo o porquê de eles terem escondido o anel. – Edward ainda rodava o anel entre os dedos.

-Não sei, talvez tivessem medo que eu partisse em busca do Edward do anel. Nem eles sabiam o que lhe tinha acontecido. E ao fim destes anos todos, quando se aperceberam que nós tínhamos uma ligação e tu te chamavas Edward. Devem ter juntado 1 + 1 e chegaram à conclusão que tu és o Edward do anel. E sabes que o Aro já acha os Cullen um clã demasiado forte, devem ter tido medo que eu me juntasse a vocês. Isso faria de vocês quase invencíveis. Ou então têm medo que alguns dos vampiros comecem a responder perante vocês e não perante os Volturi. Não sei! Por isso é que eu saí de lá por uns tempos. Todos eles me esconderam coisas, inclusive o meu melhor amigo.

Edward abriu os braços e eu aninhei-me no seu peito, ficamos assim sem falar nada por um tempo. Apenas Edward a consolar-me do meu choro sem lágrimas. Subitamente Edward começa a cantarolar uma música, uma música que o meu subconsciente reconheceu, não que a tivesse ouvido recentemente, há mais de um século que não a ouvia. Era a música que Edward me costumava cantar quando me andava a fazer a corte.

-Essa musica – sorri perante a lembrança e o aconchego que ela transmitia.

-Eu sei, lembrei-me dela agora – senti que ele sorria, não consegui ver com os meus olhos, mas senti que ele sorria enquanto continuava a cantarolar a música para mim.

Notas finais
Obrigado a todos pelo apoio....
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