Past Vs Future
22 Capítulo 22 - Sentimentos
Capitulo 22
Sentimentos
- Então, ligamos ao Félix? – Jayden voltou a perguntar enquanto segurava o telemóvel na mão.
- Não. – Disse sem olhar para ele, ainda fitava os recém-nascidos. – Não será preciso!
Jayden guardou de imediato o aparelho no bolso mas conseguia sentir a sua dúvida. Os outros dois ainda continuavam a tagarelar sobre o quão confusos se encontravam e o quanto estavam arrependidos de terem morto todos aqueles humanos. Já farta de os ouvir choramingar desliguei o meu lado emocional e fiquei em modo “Guarda dos Volturi” que era.
- Estou farta de vos ouvir. Calem-se. – Não precisei de subir o meu tom de voz para soar a uma ordem e como tal foi imediatamente respeitada. Até Jayden parou de respirar naquele momento. – Vejo que não têm nenhum poder em especial, por isso, não nos servem para nada.
A minha voz suava fria e calculista, quase robótica. Séculos de prática nos Volturi conseguiam fazer isso mesmo. Não tinha sido à toa que tinha conseguido chegar ás capas mais negras, não tinha sido apenas o meu poder a permitir isso, também a minha frieza e crueldade o tinham permitido. Por isso é que era enviada para este tipo de missões, onde tínhamos que matar recém-nascidos. Era isso mesmo que estava prestes a acontecer e quando estes dois repararam nisso começaram a implorar perdão. Vendo que isso não me iria travar atacaram. O rapaz atacou Jayden que se defendeu brilhantemente, escapando aos dentes do recém-nascido, e a rapariga, mal chegou perto de mim caiu no chão a torcer-se de dores.
- Raios o partam. – Praguejou Jayden enquanto atirava o rapaz contra as paredes da gruta e se levantava.
- Queres fazer as honras, Jay? – Perguntei. Olhei de relance para ele e o seu olhar endureceu. Ele sabia que tinha que provar que podia pertencer à guarda, senão seria banido…ou morto. Acenou com a cabeça e tratou de tudo sozinho.
Não precisei de utilizar mais os meus poderes, apenas me encostei a um canto e deixei que Jayden tratasse de tudo. Tinha que admitir que o miúdo se safava muito bem, o seu corpo era ágil e mexia-se muito rapidamente, os recém-nascidos não estavam a ter hipótese contra ele. Podiam ser mais fortes mas esqueciam-se de utilizar o melhor músculo do nosso corpo, o cérebro, que era algo que Jayden dominava excelentemente.
O nosso trabalho estava terminado ao fim de meia hora. Jayden veio na minha direcção e parou a alguns passos à minha frente.
- Que tal? – Perguntou com um ar vitorioso e um sorrido trocista no seu rosto.
- Hum…nada mal para a primeira vez. – Disse sem qualquer emoção na voz.
Ele deu mais um passo à frente, encurtando a distância entre os nossos corpos.
- Talvez me possas ensinar melhor, quando tiveres…tempo. – Falou com uma voz rouca enquanto baixava a cabeça na minha direcção e percorria com o nariz as feições do meu queixo.
Coloquei as mãos na sua barriga, percorrendo com os dedos os seus músculos definidos. Entreabri os meus lábios e deixei que o ar saísse entrecortado. Depois caí na realidade e afastei-me dele, virando-lhe as costas e caminhando para a saída da gruta.
- Talvez… — Respondi à sua pergunta por cima do ombro.
Dirigimo-nos novamente para o carro, desta vez guiei eu. Mostrei a Jayden alguns dos meus sítios preferidos em Matehuala, até o deixei alimentar-se de uma pessoa, afinal, já haviam tantas mortes devido aos recém-nascidos que ninguém desconfiaria de mais uma.
O sol estava quase a nascer pelo que nos dirigimos a um hotel e fizemos o check-in.
- Um ou dois quartos? – Perguntou a recepcionista.
Senti um formigueiro na barriga quando me lembrei de Jayden na gruta, a lutar contra os recém-nascidos e o que se tinha passado depois, podia jurar que ainda sentia a sua respiração nos contornos do meu queixo e no meu pescoço, o seu corpo definido contra as minhas mãos.
- Dois, por favor. – Respondeu ele, quando viu que eu estava a demorar.
Aquilo fez com que franzisse o sobrolho. Senti uma pontada de fúria por ele ter pedido dois quartos, mas não abri a boca, peguei na minha chave, e sem agradecer à menina da recepção apressei-me a subir para o quarto. Jayden ficava mesmo ao lado do meu. Meti a chave na minha porta e desandei-a para que abrisse a porta. Ele encostou-se à ombreira da porta, de braços cruzados e olhar fixo no meu. Aquela visão era fantástica.
Jayden usava uma t-shirt branca, justa ao corpo, que realçava os seus músculos, umas calças de ganga gastas que alongavam as suas pernas. Bolas, como ele era alto, com o meu metro e setenta só lhe chegava ao queixo. O seu cabelo loiro estava desalinhado, apontando em várias direcções, e usava os óculos Ray Ban presos no bolso do casaco de cabedal preto. Parei o olhar durante algum tempo nos seus lábios cheios e húmidos.
- Até amanhã, Caroline. – O meu nome dito pela sua voz ressoou nos meus ouvidos e senti-me derreter.
- Até amanhã. – Disse sem realmente acreditar numa única palavra.
Ele virou costas e dirigiu-se para a porta ao lado da minha, tinha um andar mortal, embora mais parecesse que ia a flutuar, o seu corpo parecia não pesar nada enquanto andava embora as suas costas em “V” indicassem que aquele homem pesava em músculo.
Obriguei-me a desviar o olhar e entrei, fechando a porta de rompante atrás de mim. Atirei a minha mala para o chão e deixei-me cair de costas na cama de casal. Fixei o tecto do quarto sem realmente estar a ver alguma coisa. Pensei em Jayden e em Edward. O que é que se estava a passar comigo? Estaria a sentir alguma coisa por Jayden? Quase podia jurar sentir a sua presença do outro lado da parede, como se quisesse atravessá-la para se me juntar. Respirei fundo e fechei os olhos, mordendo o lábio inferior. E agora?
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