Passos Espanhóis
1 Viva La Vida
— Pare ! — Gritava uma voz atrás dela. — Pare Imediatamente, Senhorita!
A cada grito, ela corria mais rápido.
As pessoas observavam atentas ao que acontecia perto da feira. Cinco horas da manhã e três policiais correndo atrás de uma mulher, enquanto a mesma fugia, atropelando pessoas e barracas.
Dante não conseguiu alcançá-la.
— Eu ainda vou te pegar, Garota. Da próxima você não sairá ilesa ! — Resmungou consigo mesmo.
Tentando ainda recuperar o folêgo, Carolina tirava seu casaco vinho, enquanto olhava seu reflexo em uma vitrine, para arrumar sua peruca de cabelos castanhos ondulados. Seus lábios bem contornados usavam um batom marrom, enquanto seus olhos estavam destacados pelas sombras pretas.
Na porta da república,estava pendurado um mural de recados. Carolina chegara cansada,até se deparar com o seguinte bilhete que dizia: ''Não entre, estou transando. Pensando bem, entre! Hoje tô afim de um menáge! Ass: Estela''.Riu alto e decidiu não entrar. Preferiu pular o muro e ir até a rede aconchegante que havia no quintal das '' Três Marias'',nome dado a república por Alexandra. Tirou as roupas apertadas, a cinta liga ,o espartilho e se deitou para tirar um breve cochilo.Assim que fechou os olhos, ouviu uma risadinha baixa e o barulho do portão. logo em seguida, sentiu algum objeto atingir suas pernas:
— Sua Cretina! — Disse ela, observando a vestimenta amarrotada de Estela.
Estela a encarou e lançou mais uma almofada:
— Uma manhã daquelas ? — Sugeriu.
— Hoje tive três homens correndo atrás de mim. — Ela riu.
— Quando é que você vai tomar jeito, Lina? — Revirou os olhos.
— Vou tomar jeito quando ele vier em um copo com gelo e limão. — Gargalhou.
— Você não presta ! — Estela Riu. — Agora tenho que ir pra faculdade. Vais pro Flamenco hoje?
— Sim.. Mas ainda estarei aqui quando você chegar. Boa aula,Tells
Carolina subiu para o seu quarto, enquanto recolhia as roupas deixadas pela casa. Ligou seu computador e deixou tocar The Doors. Tirou sua peruca e deixou o longo cabelo preto se esparramar pelas costas e tomou banho. Pegou sua saia e tirou de um dos bolsos uma porção de chaves aleatórias. Colocou as na bolsa, se arrumou e desceu. Era hora de ir trabalhar.
O dia estava nublado e uma garoa fina caia. A Loja estava vazia, sem grandes vendas. Carolina chegou para o trabalho, treze minutos atrasada,como sempre. Gerard, seu chefe, veio até a sua direção e disse:
— Bom dia Lina. Parece estar cansada.. Está bem? Teve uma noite agitada? — Perguntou Ironicamente.
— Tive.. Uma verdadeira orgia com meus livros, cadernos e pesquisas. — Rebateu.
Gerard deu um sorriso amarelo e pegou o jornal:
— Essa é boa ! Como pode? — Disse ele, incrédulo.
— O que foi Ger?
— Olha só a manchete de hoje : ''Fugitiva espertinha dribla três policiais''! — Riu alto.
Carolina ficou paralisada. Sua pele estava gelada e começou a suar. Ela perguntou:
— O que diz a materia?
-Olhe aqui na reportagem.. Tem depoimentos de homens que dizem que ela os abordou nas boates e casas noturnas e quando se distraíam, furtava as chaves e os documentos deles. Os policiais estão investigando os casos já fazem mais de quatro meses. Eu estou rindo, porque não faz sentido. Ela não rouba os carros e joga algumas das chaves e a maioria dos documentos em latas de lixo por aí. Essa mulher deve ser doidinha.
— Louco mesmo. E como chegaram até ela?
— Diz aqui que viram ela jogando umas coisas no lixo e acharam a atitude suspeita, e quando foram até o lixo, lá estavam os documentos da última vítima. Aí chamaram a polícia. A policia diz que ela estava andando tranquilamente até que os policiais ligaram a sirene e deram voz de prisão. Ela deve ser maratonista pra conseguir correr e fugir mesmo assim.
— Que merda... Q-qu-quero dizer, que coisa não é? — Disfarçou.
— Bom, vou sair para pegar uns papéis no centro. Você faz os relatórios de venda pra mim, por favor?
— Pode deixar Gerard.
A logs é uma loja de tecnologia, bastante conceituada em Granada. Seus clientes em sua maioria são homens, entre dezoito e vinte e quatro anos. A loja estava sem movimento, até que chegou um rapaz, de estatura mediana e cabelos loiros:
— Bom dia.. Moça, você tem fones de ouvido para notebook?
— Sim, temos sim. — Sorriu ela, enquanto buscava os fones.
O homem pegou o jornal, abriu a página e disse:
— Esta vendo esse aqui do canto? Sou eu. Participei da operação dessa madrugada. Puxa ! Não foi fácil. Mulherzinha difícil essa
Carolina virou os olhos, enquanto seu estomago revirava e indicava que não estava muito bem. Estava tensa. Observou ele,atentamente. E conseguiu lembrar.
— Bom, mas uma hora vocês conseguem. Garanto ! — DIsse ela, satisfeita.
— Estamos aí pra isso.. Hm, Quanto custam os fones?
— São dez libras. — Sorriu.
— Posso te fazer uma pergunta, Senhorita... Husban? — Questionou, observando o crachá dela.
— Lina. Pode me chamar de lina — Interrompeu.
— Você é muito bonita. Muito bonita mesmo.. Poderíamos sei lá, sair qualquer dia desses?
— Agradeço o convite, mas sou muito ocupada. Quase não tenho vida social. — Franziu a testa.
— Bom.. Vou deixar meu telefone com você.Se um dia estiver afim de sair, Me ligue. — Sorriu ele.
Lina pegou o pedacinho de papel onde o telefone estava anotado.
— Pode deixar, Sargento Muriel.
— Pode me chamar apenas de Fernando,sem formalidades. Bom vou indo descansar, que tive uma manhã daquelas. Prazer em conhecê-la, Lina.
— Até mais. — Riu forçadamente.
''Caramba. hoje o dia não está sendo fácil. Preciso tomar cautela da próxima vez.'' — Pensou alto. Enquanto limpava o balcão, notou que o Sargento havia esquecido os fones no caixa. Carolina resolveu ligar, a fim de avisá-lo.
— Oi... é a Carolina, da logs. Tudo bem?
— Oi Lina. Então você mudou de ideia? Que dia posso te buscar? — Ele deu uma risadinha.
— Eu liguei para avisar que seus...
— Meus fones, isso. Eu os deixei aí. — Escapou outra risada.
— Ah sim.. Foi de propósito, não é? — Riu baixinho.
— Não fique brava. Mas acho que realmente deve repensar o meu convite e sair comigo. Não sou tão chato quanto pareço. Vamos, vai ser divertido. Te prometo uma noite inteira de risadas e caso não tenha, nunca mais volto a te procurar. O que acha?
Carolina a princípio ficou desconfiada. Pensou que estariam armando uma cilada. Decidiu então arriscar e pagar pra ver. Afinal, era vantagem ter o inimigo por perto e saber das suas ações.
— Está conseguindo me convencer, Sargento. — Disse ela.
— Amanhã eu volto pra buscar você e os fones. Que tal?
— Ok. Até amanhã, Sr. Fernando.
A chuva agora estava mais grossa. O expediente acabara e Lina fora para suas aulas de flamenco.Depois de um dia cansativo e agitado, Lina decidiu não sair e ter realmente uma noite de orgia com seus livros. Precisava entregar seus trabalhos dentro do prazo. Acabou dormindo em cima dos livros.
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