Passos Espanhóis
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O dia seguiu, sem tantas nuvens. As únicas que restaram eram negras e carregadas sobre os pensamentos de Dante, Fernando e Carolina. A LOGS havia aberto mais cedo hoje, dia de liquidação.
Lina preparava os cartazes para colocar na parede externa da loja,quando avistou uma viatura vindo em sua direção. Carolina ficou parada, sem reação. Com o medo estampado em seu rosto. Notou que havia dois policiais no carro: Era o Sargento Muriel e Dante. Fernando saiu da viatura e fora vindo em sua direção:
— Pode por favor me explicar o que aconteceu ontem? — Exigiu Fernando.
— Do que você está falando? — Sorriu ela.
— De você, suas marcas de batom e seu desaparecimento,assim,do nada ! — Exclamou Muriel.
— Olha,Sargento. Me desculpe. Você é um homem incrível. Mas não tenho tempo para relacionamentos e prefiro não me envolver. — Abaixou a cabeça.
— Eu não vou te pertubar mais Carolina. Mas posso te pedir uma coisa?
— O que seria, Sargento?
— Me abrace. Só um pouco. Eu preciso sentir o perfume dos teus cabelos só mais uma vez. — Disse Fernando, Baixinho.
Lina o encarou e pôs seus braços em volta dele.Apertou seu rosto contra a farda e levantou a cabeça. Roubou-lhe um beijo e disse :
— Quem sabe um dia, Fernando.
Enquanto os dois se despediam, Dante estava dentro do carro, em choque. Como era possível Ruby e essa Carolina serem a mesma pessoa? Por um momento achou que estivesse confundindo, mas os traços, o rosto era o mesmo. Teve vontade de sair daquela viatura e ir direto até a meliante mas decidiu parar para pensar e não falar nada com Fernando. ''O problema sempre será você'', repetiu Dante, enquanto pensava no que fazer. O sargento estava se aproximando da viatura quando disse:
— E aí. O que aconteceu? Parecia que vocês estavam se despedindo.
— Isso mesmo. Ela não.. Ela prefere não me encontrar mais. Disse que não queria relacionamentos. Eu e minha maré de azar. — Resmungou Fernando.
— Relaxa Irmão. Você ainda vai ter essa mulher do lado. — Disse Dante.
— Díficil. Essa tem personalidade. Vamos embora. — Retrucou ele.
* * *
Quinta-feira, o sol já estava a se pôr, Dante continuava pensando em uma maneira de se vingar de Carolina, Queria ter certeza de que ela era a mulher que perseguiram. Resolveu ir até a LOGS e esperar ela sair da loja. Iria acompanhar cada passo dela. Estacionou seu carro próximo dali e a esperou. Lina já estava indo para o ponto de ônibus, então Dante a seguiu. Naquele dia Carolina não iria para a casa, pois tinha aula de dança. Dante parou o carro em frente a um prédio antigo, onde ela havia entrado:
— Passos Espanhóis Escola de Dança & Arte.... Interessante. O que será que essa louca vem fazer aqui? — Murmurou Dante.
Pensou em subir e ir conferir de perto,o que poderia ser arriscado. Preferiu colocar um boné e um óculos escuro que havia em seu carro e resolveu ir. Fora subindo as escadas e quando parou em frente a porta de uma das salas a recepcionista o abordou:
— Boa noite, em que posso ajudá-lo? — Sorriu ela.
— Boa noite. É, eu, hm. Queria saber mais sobre novas turmas, horários.. Tem vagas ainda?
— Bom, a turma que temos iniciante é a de Tango. Gostaria de fazer uma aula experimental?
— Sim.E consigo fazer hoje mesmo? — Perguntou ele.
— Vou verificar. Um minutinho.
Enquanto ela fora checar se havia possibilidade de uma aula experimental, Dante parou em frente a algumas portas, tentando localizar Carolina através das pequenas janelinhas. A encontrou na sala do Flamenco. Lina vestia uma saia vermelha com uma fenda, e uma blusa curta marrom. Observou um pouco, ela estava fazendo algumas sequências. Ficou encantado pela dança. A recepcionista se aproximou:
— Bem, acabei de verificar e temos sim. Pode me acompanhar, por favor? — Disse ela
— Sim. — Sorriu ele.
A sala de tango onde ele estava ficava a três salas depois do flamenco. Dante chegou na sala, haviam poucos casais,porém nenhuma mulher sem par. O professor fora em direção a ele:
— Então temos um novo aluno! Seja bem vindo..Qual o seu nome?
— Dante. Hm,antes de mais nada, é muito díficil aprender tango? — Questionou.
— Não, todas as danças possuem seu grau de dificuldade, mas se você gosta, admira o que estiver fazendo, isso vai ter dar um certo benefício em pegar rapidamente os passos.Você veio desacompanhado, certo?
— Pois é.. não tenho parceira ainda. — Deu um sorriso torto.
— Vou ver se uma das meninas pode te acompanhar hoje. — Disse o Professor.
Dante sentou em uma das cadeiras que haviam ali e conversou com alguns casais para saber mais sobre o tango. Quando o professor entrou na sala com uma moça:
— Dante, A Senhorita Husban irá acompanhá-lo nessa aula. Ela já tem alguma noção dos passos, e é só ir seguindo as instruções e as sequências que eu irei passar, ok?
Carolina ficou em choque. Olhou para ele, desviando o olhar. Deu um breve cumprimento:
— Oi. Meu nome é Carolina. Pode ficar tranquilo Dante,prometo não pisar nos seus pés. — Riu baixinho.
Dante estava gargalhando por dentro. Notou que ela ficara assustada ao ver ele. Assentiu com a cabeça e envolveu seu braço na cintura dela. Se aproximou e disse:
— Eu já não garanto a integridade dos seus. — Sorriu.
A aula prosseguiu tranquila, exceto por Carolina, que estava trêmula. Dante notou seu nervosismo e a questionou:
— Está tudo bem,Senhorita Ruby Tuesday?
Carolina gelou. Parou a dança e se afastou de Dante. Seus olhos estavam bem arregalados e sua face pálida. Quando ela disse:
— Professor, estou atrasada, preciso ir. Até mais Dante, Espero que se matricule.
Lina saiu em disparada,afim de não ser vista por Dante, porém ele conseguiu alcançá-la:
— Onde você pensa que vai? — Disse ele, a segurando pelo braço.
— Me solta! O que pensa que está fazendo? — Disse ela, indignada.
— Estou levando você pra delegacia. É lá o seu lugar! — Disse ele.
— Não ! Eu não vou a lugar algum, me solta! — Disse Lina,tentando escapar.
— Olha aqui mocinha,vamos pro meu carro e você trate de ficar quietinha se não eu te mando pra lá mesmo! — Ordenou Dante.
A Rua esta um pouco escura e sem movimento,Dante puxou Lina pelo braço e a fez entrar no carro, tranvando as portas para evitar que ela fugisse outra vez. Ele entrou no carro e a encarou:
— Bonitinha mas ordinária, né? — disse Dante
— O que você quer, hein? Tá. Sabe que meu nome não é Ruby,mas isso não prova nada. — Resmungou Carolina.
— Ah,isso é o que você pensa! Eu fui sua vítima, posso fazer o retrato falado e o reconhecimento, se eu quiser. — Insinuou ele.
— De uma coisa já sei: Você não quer. Se quisesse me prender já teria feito isso. Deixe-me adivinhar, você quer me provar que é capaz de fazer uma mulher ter prazer na cama. Ahá! Sei bem o que você quer de mim.. Se tivesse me falado antes,não precisaria me fazer entrar aqui a força. — Gargalhou.
— Engraçada você, né? Eu nem tinha pensado nisso mas,você me deu uma ótima idéia. — Respondeu Ele.
— O que está esperando? Vamos logo com isso. — Ordenou ela.
— Calma aí dona. Não é assim que as coisas funcionam. Você vai passar essa noite comigo sim. Mas tenho outra exigência. Essa eu quero ver. Vai pedir desculpa pro Fernando,sair com ele e ser a namorada dele. — Disse Dante, sério.
— Oi? Você bebeu? O Sargento é o homem perfeito. Eu jamais voltaria a me aproximar dele por uma chantagem. E ele nunca me perdoaria se soubesse de tudo isso. Sem chances. Me peça qualquer outra coisa mais isso não!
— É isso ou a cadeia. Falar nisso, porque é que você faz essas coisas? Você está metida em coisa pior? — Indagou.
— Não é da sua conta. — Retrucou Lina.
— Só por essa sua má-criação eu não vou aliviar pra você. De manhãzinha você vai ligar pro Fernando e vai marcar um encontro. Por bem ou por mal.
— Eu não fui com a tua cara desde aquela noite. Está explicado o porquê. — Resmungou Carolina.
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