Passos Espanhóis

3 Estrechez de Corazón


Com tantas boates e bares em Granada, Carolina gostava de alternar as noites. Hoje seria a vez de conhecer o Saravejos. Pub animado, pessoas alternativas e sem rostos conhecidos. Entrou no banheiro e fez sua maquiagem, acrescentando uma pequena pintinha perto da boca, marcando os olhos e a boca. Esguichou seu Nina Ricci e foi em direção a pista. A dança a deixava livre,solta. O movimento da sua vida eram seus pés. Ela rodava e deixava sua alma livre, sem disfarces. Enquanto dançava,notou um homem em sua direção, tomando algo no bar. Ele estava rindo e falando com alguns amigos:

— ...Porque eu não me apego não cara. Mulher tem aos montes. É só eu encostar minha moto e ligar a sirene que cai dez aqui no meu colo. — Disse o homem, rindo.

Lina se aproximou um pouco mais do grupo, e começou a prestar atenção na conversa:

— Esse corpo aqui é compartilhado. Sem dona. Coleira nunca mais! — Brindou o homem.

Ela então se abaixou e passou por debaixo dos braços de um dos rapazes e disse ao garçom :

— Traga mais uma rodada para os meus novos amigos, Coleira nunca mais ! — Ergueu a voz.

Os homens brindaram e rapidamente fizeram amizade com Carolina. Cada um deles tentando disputar a atenção dela:

— Qual é o seu nome moça?

— Ruby,Me chamo Ruby Tuesday. Estou com vocês. Porque se amarrar enquanto podemos nos divertir, certo? — Encarou um dos homens. — Qual o nome dos cavalheiros? — Perguntou curiosa.

— Bom, esse gordinho sexy do meu lado é o Brian,essa vareta à minha direita é o Rubem, Esse idoso a vossa frente é o Marcus, meu companheiro de trabalho, e eu, Sou Dante,senhorita.

— Ele está bêbado Ruby ! — Gritou Marcus.

— Não. Ele está é carente, não é mesmo Brian? — Rebateu Rubem.

— Eu estou é precisando me afastar de balada e de mulher. Com todo respeito, Senhorita Tuesday.

—Imagina. Acredite. Estou aqui pelo mesmo motivo que você. — Disse Lina, Encarando-o.

— Conte-nos um pouco da sua história moça. — Disse Dante, Instigado.

— Meus relacionamentos não andaram dando muito certo. Estou desligada de qualquer sentimento amoroso. Ando procurando apenas diversão. E você,bonitão? — Questionou.

— História comprida moça. Eu tinha uma namoradinha, tão ridícula coitada. amarrava os cabelos e não se arrumava. E o sexo era meia boca. Era ''Eu te amo'' pra lá, pra cá. Me tratava feito rei. Mais aí eu peguei uma morenaça linda, gostosa demais. Mas o sexo era pior ainda. E ela me dizendo ''Eu te amo'' também. Aí quis voltar com a feiosa,que tinha o sexo razoavel. Aí ela já estava com outro ! Quem ia querer aquele ''bagulho''? Sinceramente.. Eu não sei o que acontece com essas mulheres. — Desabafou.

— Posso falar na sinceridade? — Questionou.

— Tenho até medo. — Disse Dante.

— Me desculpa mais tenho certeza absoluta que o problema é você, e não elas. — Retrucou.

— É um pouco óbvio que mulher defenda mulher,então seu argumento não é válido Senhorita Tuesday. — Fitou.

— São palavras de uma mulher que nunca teve um sexo ruim ou razoável. Eu nunca deixei de estimular a criatividade e a imaginação na cama. Prezo mais em dar prazer do que receber. — Sorriu ela.

— Quer me dizer que sou ruim de cama? É essa a insinuação? — Questionou Dante, Alterado.

— Não. Quero dizer que você é o tipo de cara que se preocupa mais em meter e gozar do que dar prazer e fazer a sua parceira gozar. Meu amigo, Uma mulher que tem orgasmos com você, ela vai te devorar dos pés a cabeça e com toda a certeza a retribuição terá o dobro de prazer. — Afirmou.

Os amigos de Dante já haviam se dispersado e Rubem, o último que ficou até o fim da conversa, foi embora, visto que Carolina e Dante estavam agora inclinados um para o outro, como se estivessem em uma guerra.

— Acho que a senhorita só pode afirmar depois de provar. — Retrucou.

— Quem sabe um dia, Dante. — Disse ela, se levantando.

— Já vai embora ?

— Vou ao banheiro,já volto. — Disse Lina, Sorrindo.

Dante observou Lina sumir pela escuridão da boate, enquanto tomava mais um gole de refrigerante. Procurou por Ruby e não a encontrou então decidiu ir embora. Chegou ao balcão da boate e fora pagar,quando notou que estava sem a chave do carro:

— Acho que esqueci em cima da mesa. — Disse ele.

A boate estava cheia,Dante voltou a mesa e não havia nenhum documento lá. Procurou novamente, perguntou aos seguranças se haviam achado algo. E nada. Solicitou então que o gerente da Saravejos abrisse as câmeras a fim de saber onde estava a chave:

— Senhor García,estive no bar entre as nove da noite e a uma da madrugada. Conseguiria ver onde pode estar minha chave? — Perguntou, preocupado.

— Rapaz, aqui está a filmagem. Repare nessa loira de casaco azul. Ela estava com você? — Perguntou.

— Maldita! Eu sei o nome dela, o nome dela é Ruby. Começamos a conversar e nem me dei conta que essa diaba pegou minha chave. Espera,espera. Amplia essa imagem do canto! — Gritou Dante.

Enquanto a Câmera 03 mostrava Carolina saindo da boate, A Câmera 08 mostrava as imagens do estacionamento,onde Carolina estava andando a fim de saber que carro era o dele. Ela havia conseguido encontrar, abriu a porta e depois de segundos saiu do carro, indo embora.

— É ela ! Eu não acredito que essa mulherzinha esteve na minha frente outra vez. Procura no sistema, o nome dela é Ruby Tuesday. — Disse, nervoso.

— Senhor, não temos nenhuma Ruby em nosso cadastro. — Disse a balconista.

— Filha da mãe! Como vou saber o nome verdadeiro dela? Como vou voltar pra casa... Arrrgh! — Bufou.

Dante se levantou e saiu da sala de monitoramento em direção ao estacionamento. Chegou ao seu carro, que esperava encontrar trancado e para sua surpresa, estava com uma das portas abertas. No vidro, havia um bilhete escrito : O problema sempre será você. Beijos, RT.

— Eu vou pegar essa desgraçada. Eu vou! — Disse, enquanto pegava a chave reserva que estava no porta-luvas.