Passionais
5 Fancy
Notas iniciais
Yesterday
All my troubles seemed so far away
Now it looks as though they're here to stay
Oh, I believe in yesterday
Ontem
Todos os meus problemas pareciam tão distantes
Agora parece que eles vieram pra ficar
Oh, acredito no ontem
Ele tinha se distraído por algum tempo olhando para fora, apesar da visão mais bela estar bem ao seu lado. Ele sabia disso e sorriu por isso – outra vez, verdadeiramente – ao voltar a olhar para o seu vício. Haviam trocado de posição e agora ela dirigia, parecia extremamente concentrada.
Nunca conseguia se aguentar. Foi se aproximando, se esticando e alcançou o ombro dela com os lábios, onde ficou até que ela se expressou.
– O que está fazendo? – O tom rude veio acompanhado do gesto de desconforto.
– Epa! – Itachi a conhecia bem. Havia mais um problema. Finalmente. Tudo estivera calmo demais. – O que aconteceu?
– Ah! Pare de encher o meu saco. Já estou cansada de você. Sempre atrapalhando as minhas ações. – Hinata tinha abrido uma espécie de “torneira do descontentamento”, e não parecia disposta a fechá-la tão cedo.
– Ciúme do que agora, Hina?
– Você quer fazer o favor de calar a boca? – A raiva dela parecia aumentar junto com a velocidade. – Eu preciso escolher a minha roupa.
Why she had to go I don't know
She wouldn't say
I said something wrong now I long
For yesterday
Porque ela teve que ir eu não sei
Ela não disse
Eu disse algo errado agora eu espero
Pelo ontem
Itachi não conseguia entender. Tinha feito “algo errado”? Mas, como?! Nem saíra do lado dela desde que a tinha reencontrado. Então, talvez pudesse ser o monstro TPM atacando outra vez. Mas não havia como ter certeza. Apesar de ter uma convivência de vários meses com ela, por poucas vezes eles tinham “entrado em um acordo”.
Hinata era tão fácil para Itachi quanto um cubo mágico também era para ele. E esse motivo, provavelmente, era uma das características dela que o tinham enfeitiçado logo de cara. Fosse como fosse, ele sabia que por detrás daquela muralha havia um oásis, do qual ele já não mais conseguiria ou gostaria de viver longe.
Itachi sobressaltou corpo e mente com a parada violenta do carro. Tão repentina quanto a última ação, Hinata saiu, tão rápido que Itachi, ao olhar para o lado, só viu o banco abandonado. O moreno também saiu, mas se frustrou por não tê-la encontrado.
Escutou movimentações atrás de si e virou-se para a Mansão dos Prazeres, nomeação vulgar e insinuante escolhida pelo próprio dono. O tapete raso e vermelho cobria o caminho que levaria os convidados à recepção, guardada por incontáveis homens grandes e fortes, petrificados em seriedade e imobilidade extremas.
Como primeira reação, Itachi voltou a procurar por sua acompanhante. Sem sucesso, olhou para si mesmo, conferindo a aparência. Smoking negro, bem alinhado. Estava impecável, o que era uma sorte, pois não conseguia se lembrar de ter se preparado para o evento.
Estando ali, restava desfilar pelo caminho cafona e passar pelos muros humanos de segurança. Talvez Hinata já tivesse entrado. Além de super velocidade, ele sinceramente seria capaz de rezar para que a Hyuuga não adquirisse a super força também.
Já no meio do caminho percebeu que outro veículo havia parado com maciez metros atrás de si. Itachi virou-se incompletamente, apenas um pouco do tronco e da cabeça, o que foi suficiente para ver a limusine. Também viu o empregado que se apressou para abrir a porta, por onde saiu a perna perfeitamente modelada, para depois sair o restante do corpo escultural, envolto por algum tecido nobre e belo.
Hinata – reaparecida – desfilou até Itachi, que mesmo perturbado com tantas e constantes mudanças de humor lhe estendeu o braço e o olhar tão comprido quanto admirado. Encaminharam-se juntos à entrada recheada de pessoas, como se aquela realmente fosse uma festa de famosos e eles realmente fossem celebridades – fingiam os sorrisos tão bem quanto deveriam. As câmeras estariam de fora do esquema sempre, era um fato. A identidade sempre fora algo muito precioso e perigoso para todos os presentes ali. Fosse por bala ou faca, a mídia e seus empregados inconsequentes sempre seriam descartados.
– Onde você estava?
Ela fingiu não ouvir. Estava extremamente concentrada em procurar algo ou alguém no meio da multidão. Na pausa entre pensar em uma nova abordagem e deixar que ela se acalmasse, ele também decidiu olhar ao redor. Seria ótimo, afinal, se o “mestre” planejasse algum massacre, poderiam se ausentar com a descrição da qual eram peritos e voltar para moer os ossos do velho quando ele menos esperasse.
Mas Itachi não se concentrou em nada disso. As pessoas tinham sumido dali. Olhou para os lados, fez sua mão alcançar a arma mais acessível em seu corpo e ficou em alerta. Hinata não parecia incomodada com a estranheza do momento. Tentou passar sinais a ela, que estava tão desatenta em relação ao que ele queria dizer quanto estava ainda concentrada em algo. Assim que ela apressou os passos e atravessou o salão que ecoava alto com sua movimentação, ele automaticamente foi atrás. Pretendia agarrá-la pelo braço e questionar, diretamente, a falta de prudência da Hyuuga, mas quando sua mão já quase alcançava a pele alva, Hinata correu até uma empregada que ele nem havia percebido e a puxou com força. O rosto revelado fez Itachi dar passos em falso para trás. A descoberta fez Hinata tencionar o corpo e girá-lo perturbadoramente devagar para o moreno. Os rostos frente a frente fizeram Itachi cogitar que Hinata o comeria vivo e, infelizmente, não era no melhor sentido possível.
– Você disse que essa puta estava morta! – Hinata sibilou, o corpo tentando se aproximar do dele, que se afastava no mesmo ritmo.
– E ela deveria estar! – Não sabia qual figura o assustava mais: Hinata endemoniada ou Ino viva. Vivíssima, com o sorriso que Itachi jamais esqueceria.
– Agora é a sua vez, seu desgraçado. É a última vez que você mente para mim. – A última ameaça soou longamente pelo salão.
Itachi não viu mais nada assim que ela se aproximou. Ficaria surpreso ao perceber que tinha acordado, mas não pôde por estar confuso demais. Os olhos embaçados, a respiração feita com precariedade pelo vão dos lábios entreabertos. O resto do corpo também incomodava, principalmente os pulsos, que ele percebeu estarem presos acima de sua cabeça, imobilizando o resto do tronco. Desesperou-se, forçou as algemas e as fez tilintar. As pernas estavam geladas e começaram a incomodar logo. Só estão ele percebeu que estava mergulhado em uma banheira. O líquido que o cobria da cintura para baixo nunca chegaria perto de ser água. A mistura confundiu os seus sentidos por algum tempo, mas não muito: bebidas alcoólicas. Ele estava mergulhado em vodka, champagne e algo mais que não conseguiu raciocinar. Estava tonto, sentia-se cansado e temia muito – extremamente – pelo motivo de haver tanto gelo anestesiando suas partes baixas.
– Acordou... – O moreno virou-se imediatamente na direção da voz, que vinha da divisão entre os cômodos do quarto. O desespero só crescia. – Que ótimo. Agora você me paga!
– Hinata, olha só, eu não sabia que a Ino estava viva. – Sem parecer se importar, Hinata entrou no banheiro e virou o conteúdo de uma garrafa que restara da “brincadeira”. – Eu usei todo o veneno nela. Eu juro! Você ouviu a gravação. – Hinata se levantou e deixou a amarra de seu roupão escorregar, e depois o próprio roupão, até que só as suas curvas e suas roupas íntimas ficaram. Itachi não foi capaz de sustentar a fala.
O vermelho que cobria as partes dela atraía os olhos dele como ímãs. Quando ela começou remexer lentamente os quadris, os braços fazendo gestos igualmente suaves, ele entendeu que alguma música tocava ao fundo da cena. Não conseguiu ouvir, a sua respiração estava alta demais.
You should want a bad bitch like this
Drop it low and pick it up just like this
Cup of Ace, cup of Goose, cup of Cris
Você devia querer uma vadia do mal como esta
Que desce até embaixo e sobe de volta desse jeito
Copo de energético, copo de champanhe, copo de vodca
Ela fez o que a música pedia. Fez e o deixou quase louco. Era só o começo, mas ele não queria nem saber. Forçou-se de novo, os braços doíam e formigavam com o esforço, mas a parte inconsciente dele se desesperava na direção da mulher, que continuou e aprimorou seu desempenho.
I'm so fancy
You already know
I'm in the fast lane
From LA to Tokyo
I'm so fancy
Can't you taste this gold
Remember my name, 'bout to blow
Eu sou tão luxuosa
Você já sabe
Estou na pista rápida
De Los Angeles para Tóquio
Eu sou tão luxuosa
Você não pode provar esse ouro
Lembre meu nome, pois estou prestes a estourar
O chicote que ela trouxera consigo fez e refez quase todos os toques que ele queria desferir pelo corpo de Hinata. Seus olhos se embebeceram com aquela visão, o vício só se intensificou. Após aproximar-se apenas o suficiente para tentá-lo, a Hyuuga fez a peça de couro estalar na bebida, molhando ambos. Ele viu e gravou todas as gotas que caíram sobre ela, tanto nos pedaços visíveis quanto invisíveis. Com um sorriso de quem sabia o poder que tinha sobre o outro, Hinata abaixou-se na altura do rosto dele, passou o chicote no pescoço bronzeado e enforcou o Uchiha até que as alucinações mais fortes viessem fechar os olhos dele.
Feels so good getting what I want
Keep on turning it up
Chandelier swinging, we don't give a fuck
Film star, yeah I’m deluxe
Classic, expensive, you don't get to touch
É tão bom conseguir o que eu quero
Sim, mantenha o volume alto
O lustre está balançando, nós não damos a mínima
Estrela de cinema, sim, eu sou de luxo
Clássica, cara, você não consegue me tocar
Acordou. Ainda amarrado, até mesmo os pés daquela vez. Tentou levantar a cabeça, sem sucesso. A música continuava, estava mais alta. Os seus sentidos torpes faziam seu corpo todo ficar e permanecer muito quente, ao extremo contrário de antes. Ele não tinha ideia de quanto tempo fazia. Não fazia diferença. Não escaparia até ser torturado. E quando implorasse, ainda que realmente fizesse isso, não seria suficiente. Teria que sentir na pele, ou então, como ela parecia ter determinado, não sentir.
Hinata surgiu em um momento que fugiu da memória do Uchiha. Só a percebeu quando a morena estava acima de si, com o mesmo visual provocante e o chicote à sua disponibilidade, rebolando sobre uma parte do corpo que Itachi rapidamente percebeu não ter sido cortada fora.
Tremeu. Ofegou. Gemeu arrastado sem conseguir se conter. Ela sorriu, satisfeita e perversa, e saiu de cima dele.
Look at that I bet you wishing you could clutch that
Just the way you like it, huh?
You're so good, he's just wishing he could bite it, huh?
Never turn down money, slayin' these hoes
Gold trigger on the gun like
Olhe para isso, você desejaria poder apalpar
É do jeito que você gosta, não é?
Ela é tão boa, você apenas desejaria mordê-la, não é?
Nunca recuso dinheiro, acabando com as vadias
Com minha arma com gatilho de ouro
– Hinata! – Ele quase gritou, quase implorou. Ela gargalhou, passando o chicote pelo corpo dele, sem perder o foco da tortura.
– Tão rápido assim? – Ela substituiu o chicote pelas próprias mãos e unhas. Itachi ardia por dentro e por fora, cada vez mais incontrolável.
– Me solta! – Ele contorcia pernas e braços, sem deixar de fitá-la com um olhar que quase era capaz de queimar.
– Ainda tenho muito a fazer, Itachi. Você ainda tem muito a me pagar. – Hinata engatinhou para cima da cama, parando entre os joelhos do Uchiha. As mãos correram adiante pelo caminho das coxas. – Como, por exemplo...
A suavidade dela terminou de ensandecê-lo. Itachi gemeu e gemeu apenas coma demonstração, que acabou rápido demais.
– Feche os olhos, Itachi. Tenho uma surpresa para você. Só abra os olhos quando eu chamar.
Ele fechou. O peito subia e descia, sua respiração intensa era novamente ouvida. A expectativa o fez suar ainda mais.
– Itachi... – Ela sussurrou o nome dele. – Itachi... – Continuou. Foi difícil abrir os olhos.
Os olhos foram abertos com urgência, já não podiam mais esperar. Hinata ainda o chamava, teve de ser paciente, pois ele precisou de um tempo para si mesmo.
– Está tudo bem? – A pergunta rara foi feita pela Hyuuga com preocupação, outra raridade. A Hyuuga que estava vestida, ele constatou, e que dirigia com calma.
Itachi balbuciou algo, alguma parte de si ainda estava no sonho. A excitada, sem muitas dúvidas.
– Tudo certo, linda. Tudo certo. – Ele suspirou pesadamente consigo mesmo. Tinha suado um pouco, o volume também aparecia levemente.
– Ok. – Os olhos claros voltaram a se concentrar na estrada. – Se prepare, estamos quase chegando.
Respondeu com outro balbucio. Depois se distraiu com o cheiro dela, com o corpo dela e com suas próprias imaginações. Mais tarde, quando foi obrigado a se recompor, o fetiche não saiu de seus planos futuros: precisavam de um chicote.
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