Passagens Da Meia Noite
1 Perdição
Notas iniciais
Dedico a Ana Eliza.
Deus meu! O que há comigo agora?
Tento respirar, mas não há ar.
Tendo andar, mas não há chão.
Que sentimento doentio é esse
que me agride a realidade?
Confronto inevitável,
sentimento e razão
debatem-se e gritam
no meu peito, no meu coração, na minha alma.
Ofusca-me a visão,
visão do mundo que vivo
mas não sei se existe mais
não sei se sequer existiu
ou se foi mera ilusão.
Agora sou
poeira no vento,
água no mar,
areia no deserto,
vagando sem resposta,
tornando-me mais um ponto inútil
de um sitema falho e fútil.
Não me dói na pele ou na carne,
não sinto frio ou calor.
Mas por que então
sinto-me conquistado pela dúvida,
cativado pelo medo,
crucificado por dentro?
Não sei o que buscar.
Razão e emoção
são paralelas, jamais se cruzarão
não importa o tempo ou a distância
serão sempre ciências distintas.
Sentimento maligno!
Ri-se de meu sofrimento!
Testemunha sem trégua tamanha dor
e mesmo assim não se esvai!
Se são os braços gélidos da morte
que seja,
irei de boa vontade
rumo a escuridão,
mas espero estinguir
tal sofrimento.
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